Mania de cantar
Mania de cantar
Texto: Gustavo Cândido
Invenção japonesa, o karaokê explodiu no ocidente nos anos 80, sumiu e voltou nos últimos anos com força total, desta vez na versão "90", acoplado a uma tela de televisão. É o videokê, que tem se tornado cada vez mais popular em Bauru, onde pode ser encontrado em bares, casas noturnas, além das festas particulares. Forma mais fácil de expressão dos "cantores da noite", o videokê também está na Internet, fazendo a alegria de quem gosta de soltar a voz, bem ou não.
Esta semana mais um estabelecimento com videokê foi inaugurado em Bauru, seguindo uma tendência que já dura algum tempo: colocar um aparelho e deixar o público cantar é a melhor forma de manter a casa sempre cheia. Desde que voltou
à moda na noite, há pouco mais de um ano, o videokê tem sido uma das principais atrações nas casas noturnas e bares da cidade. "Prefiro ir a lugares que tenham videokê porque é mais divertido, mesmo quando não canto, ouço os outros e é muito engraçado", diz o bancário Rogério Carlos Almeida. O sucesso com o público é confirmado por Helena Jorge Quialheiro Oliveira, a Dona Helena, proprietária do tradicional Bar do Português, que tem no videokê, todas as quartas-feiras, a principal atração para os fregueses. "A quarta-feira era um dia de movimento normal da semana, depois do videokê o público aumentou", diz Dona Helena, "hoje as pessoas já estão acostumadas, um dia que eu deixei sem o videokê o pessoal que costuma cantar veio e reclamou", conta.
De acordo com Mario Sugayama, proprietário da Sermaq, que foi o primeiro a comercializar aparelhos de videokê na região, a procura pelo produto ainda é grande, "agora estamos com um modelo novo, mais moderno", informa. Um aparelho de videokê novo, custa, aproximadamente R$ 1.050,00, com o microfone. Sugayama acredita em duas razões principais para o sucesso do videokê, primeiro é o fato de todos gostarem de cantar, "Não há melhor terapia, no começo a pessoa acha que não canta, depois se solta e adora", diz. A segunda razão é o fato do aparelho poder ser usado por toda família, "todos descontraem juntos", completa.
A professora Liliana Freitas, que há três anos tem um aparelho de videokê em casa, e o aluga para festas particulares há um, acha que as pessoas gostam de cantar porque está a melhor forma de estravazar as tensões do dia-a-dia. Liliana, que já está com o aparelho reservado para festas particulares no final do ano, conta que cantar para ela é uma forma de acabar com o stress, "mudo quando eu canto, se estava de mau-humor antes fico bem na hora".
O caminho da música
O videokê agrada homens e mulheres de todas as idades e em Bauru e possível perceber que os aficcionados freqüentam quase todos os bares da cidade que tenham um aparelho, se tornando
"figurinhas carimbadas" e fazendo uma verdadeira "rota do videokê" na noite. "Na segunda eu vou a um lugar, na quarta vou em outro, na quinta também, cada dia da semana tem um bar da cidade que tem um videokê, o engraçado
é que lá eu encontro sempre as mesmas pessoas", revela Ana Maria Canoso.
Não é possível traçar um perfil exato dos cantores de videokê mas segundo Liliana Freitas eles se dividem em dois grupos: os que gostam de cantar e mesmo que não tenham muita técnica não têm vergonha de soltar a voz e os que vão para "ver se criam coragem" de cantar.
Panelas e fãs
Nem todos os fanáticos por videokê estão satisfeitos com os estabelecimentos da cidade, "em todos eles existem panelinhas, formadas por amigos das pessoas que programam as músicas", diz Rogério Almeida, "você marca algumas músicas para cantar mas acaba cantando poucas, enquanto o pessoal 'escolhido' não sai do palco. O mesmo reclama Karina Cordeiro, "viciada em videokê", como se define, para ela os métodos usados para escolher que vai cantar são ruins porque são injustos, "se alguém que canta mal marca 10 músicas seguidas, ninguém agüenta, a mesma coisa para aqueles que cantam só um tipo de música. Acho que a pessoa que programa o videokê não deveria apenas marcas nomes e apertar botões, mas selecionar quem vai cantar e as músicas", diz.
"O que eu mais odeio são pessoas que cantam sempre a mesma música e as que não tem noção de que estão em público", afirma irado e radicalmente outro viciado em videokê, Sérgio Ribeiro. Segundo ele os fãs ardorosos do grupo Legião Urbana, Raul Seixas, Rita Lee e Marisa Monte são os mais chatos. "Esse pessoal sempre canta as mesmas músicas e o pior é que cantam mal. Por que toda menina acha que vai cantar bem uma música da Marisa Monte?", questiona, "Eu adoro esses artistas mas para ouvir em casa e não em público, estragando a noite do outros. É a coisa mais chata do mundo você acabar de ouvir uma música agitada, boa para dançar e curtir e na seqüência ser obrigado a ouvir 'Ovelha Negra' ou 'Bem que se quis' cantada por uma menina que geralmente fica se esguelando no palco, quem quer fazer tributo deveria cantar no banheiro, sozinho, videokê é lugar de diversão e quem está no palco tem que divertir o público", define exaltado.
Apesar de reclamarem nenhum deles disse que vai desistir do canto nas noites bauruenses por causa disso, "é melhor cantar do que só ficar ouvindo", justificam.
Minuto de artista
O palco tem um papel fundamental para o cantor de videokê.
"Acho que ele me ajuda sentir segura e além disso dá aquela sensação de que naquele momento nada é mais importante", diz Karina Cordeiro. Angela Maria Lacerda acha que subir no palco é ser artista por cinco minutos, "me sinto muito bem, o melhor de tudo são os aplausos", diz ela, que nunca foi vaiada.
"As vaias acontecem de vez em quando mas mesmo assim não são de verdade, quem vai no videokê sabe que tudo não passa de uma brincadeira, ninguém quer ser profissional", diz Rogério Almeida.
Música na rede
É muito muito fácil transformar o seu computador pessoal num videokê, com letras na tela em destaque e tudo. Primeiro é preciso instalar um programa especial como o Real Orche, no micro - que precisa ter placa de som, caixas acústicas e microfone. Depois é só entrar na Internet atrás de sites com músicas. Segundo especialistas os arquivos são leves e fáceis de ser capturados.
Veja alguns sites:
www.brasil.terravista.pt/praiabrava/2455
www.geocities.com/sunsetstrip/birdland/5706
www.canteconosco.com.br
www.midikaraokê.com
www.geocities.com.broadway/3386