MST leva Prefeitura a fechar portas
MST leva Prefeitura a fechar portas
O expediente na Prefeiturade Guarantã ontem foi a portas fechadas e a partir de hoje foi decretado ponto facultativo
Guarantã - Receosos de que os sem-terra invadissem novamente o prédio da Prefeitura, funcionários trabalharam durante todo o dia de ontem de portas fechadas. O prefeito Antonio da Silva Rocha (PSDB) decretou ponto facultativo, com o expediente voltando ao normal apenas na quarta-feira. Mas os sem-terra, que anteontem já haviam ocupado a Prefeitura entre 9 e 19 horas não descartam nova invasão, como medida de pressionar o Incra a apressar a vistoria numa área pleiteada por eles para fins de reforma agrária.
Na terça-feira, um grupo de aproximadamente 200 sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocupou o prédio da Prefeitura Municipal de Guarantã por volta das 9 horas. Os funcionários não puderam trabalhar. O expediente, normalmente vai até às 17 horas, mas anteontem as portas não puderam ser fechadas no horário. Foi necessário a presença da polícia e de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para que os sem-terra deixassem o local pacificamente.
Representantes do Incra que estiveram conversando com os sem-terra disseram que a questão do acampamento de Guarantã está encaminhada. O problema é que os acampados pressionam e cobram soluções urgentes para a causa.
Desordem
Quando chegaram para trabalhar ontem de manhã, os funcionários municipais tiveram uma surpresa desagradável. O imóvel estava muito sujo por causa da invasão do dia anterior e praticamente todos os funcionários tiveram que ajudar na limpeza de banheiros, salas, cozinha e corredores. Uma funcionária que preferiu não se identificar disse que até o alimento de uma servidora que está com problemas de saúde foi consumido.
Portas fechadas
Para evitar nova invasão, ontem o expediente foi dado com as portas fechadas. Um funcionário ficou de plantão, fazendo uma triagem de quem entrava na Prefeitura. Hoje, não deve haver expediente, já que o prefeito Rocha decretou ponto facultativo. O atendimento ao público será retomado na quarta-feira.
Um pequeno grupo de sem-terra que foi até a Prefeitura ontem de manhã foi recebido pelo prefeito que, depois de um rápido diálogo, os acompanhou de volta ao acampamento.
Sem-terra
O objetivo segundo o integrante do MST Nivaldo Garcez Costa, é apressar a vistoria da Fazenda Coqueirão, que definirá se a área é ou não passível de reforma agrária. Os sem-terra reivindicam o assentamento na fazenda, de propriedade da família Ribas, invadida em novembro de 1997. Ao saírem da fazenda, os sem-terra montaram suas barracas às margens da SP-333, para onde não querem voltar. Alegam que ali ficam expostos a perigos e, além disso, querem voltar a cultivar hortaliças e desenvolver outras pequenas atividades de subsistência até que ocorra um possível assentamento.
O grupo que ocupou a Prefeitura é o mesmo que no mês passado promoveu manifestação junto ao fórum de Guarantã e por várias vezes fechou o tráfego em rodovias da região.