Em Confiança
Em Confiança Leonardo de Brito CHEGOU A HORA Depois de uma disputa nos tribunais, onde a FIA devolveu a Ferrari os pontos do Grande Prêmio da Malásia, o Campeonato Mundial de Fórmula-1 chega ao seu final, na pista de Suzuka, onde na madrugada brasileira deste domingo, Eddie Irvine e Mika Hakkinem decidirão quem será o campeão de 99. Além do título de pilotos, que há Ferrari não conquista há duas décadas, está em jogo o título de construtores, longe da escuderia italiana desde 1982. A guerra de nervos entre os postulantes ao título
é outra atração do Grande Prêmio do Japão. A McLaren ainda não digeriu a decisão da FIA, de confirmar a vitória da Ferrari, alegando que a Casa de Maranello usou defletores ilegais na Malásia. Mas o título já poderia estar na mão da equipe inglesa, caso Hakkinen não tivesse falhado no GP de Monza e o carro não o tivesse traído na Alemanha. No entanto, o finlandês está confiante em conquistar o bicampeonato no mesmo autódromo onde sagrou-se campeão de 98. Na Ferrari, o sonho do fim de um longo jejum de conquistas embala todos os membros da equipe. Irvine, que correu três anos na F-3 japonesa, deve conhecer Suzuka como a palma da mão. Seu maior trunfo, além do bom desempenho do carro, está em Michael Schumacher, indiscutivelmente o melhor piloto do planeta, que só saiu da luta pelo título por causa do acidente que sofreu em Silverstone. O alemão voltou no GP da Malásia com uma exibição de gala e dando a vitória ao seu companheiro de equipe, Irvine. Além do mais, "Schummy" prometeu dar o título de presente a Ferrari e ao piloto irlandês. ALTA TENSÃO Um clima extremo de tensão reina no circuito de Suzuka. A McLaren e Mika Hakkinen não esqueceram a atitude de Schumacher, diminuindo voluntariamente seu ritmo para bloquear o atual campeão mundial e favorecer a fuga de Irvine. E, principalmente, a questão dos defletores. Com quatro pontos de vantagem sobre Hakkinen, Irvine está em posição de força. Além disso, a perspectiva de um primeiro título para Irvine aguça o apetite da escuderia, que levantou o Mundial de Pilotos pela última vez em 1979, com o sul-africano Jody Scheckter. DESCONFIANÇA A Ferrari desconfia que a McLaren usará recursos ilegais na corrida deste domingo. Motivos: a superioridade flagrante da equipe inglesa no primeiro treino livre ontem em Suzuka. Mika Hakkinen fez o melhor tempo, seguido do companheiro de escuderia, David Coulthard. Outra coisa: Michael Schumacher, o terceiro mais rápido da sessão, ficou a 0s469 do escocês, diferença que soou "estranha à Ferrari, em meio a toda a desconfiança que marca a decisão do Mundial. Eddie Irvine foi mal e acabou apenas em décimo lugar. Uma notícia que vazou Suzuka serviu para municiar ainda mais a Ferrari: durante a semana, a McLaren pediu à FIA permissão para usar um sistema de "gerenciamento de largada. A entidade negou o pedido, alegando que o mecanismo tiraria dos pilotos o controle sobre a embreagem. Na Ferrari, ninguém acredita que a McLaren tenha seguido a ordem oficial e retirado o equipamento do carro. GOSTOS CRUZADOS Para a surpresa geral, a eliminação do Corinthians da Copa Mercosul não chegou a ser lamentada pelo técnico Oswaldo de Oliveira e seus jogadores. O Alvinegro argumenta que o mais importante é a conquista do bicampeonato brasileiro. Já o Palmeiras, acho que sempre priorizou a Copa Mercosul. Quer o bicampeonato e o prêmio de US$ 2 milhões.
CASTIGO Os "gatos", que estão dando uma tremenda dor de cabeça, podem até ser eliminados do futebol. A CBF cancelou os registros dos jogadores Sandro Hiroshi e Henrique
(São Paulo) e Bell, do Botafogo de Ribeirão, por falsificação de documentos. A entidade vai enviar os processos dos três atletas ao Tribunal de Justiça Desportiva, ao Comitê Disciplinar da Fifa e ao Ministério Público, uma vez que trata-se de crime de falsidade ideológica e adulteração de documentos. Eles estão proibidos de jogar preventivamente até que o TJD defina a punição.
É GUERRA Sete clubes disputam as três últimas vagas para os playoffs do Campeonato Brasileiro da Série B - Avaí, XV de Piracicaba, Ceará, CRB, ABC, Santa Cruz e Londrina
-, que, em última análise, representam a possibilidade de continuar sonhando com o grupo de elite no ano 2000. Para garantir a igualdade de condições, a CBF marcou toda a rodada
- a última da primeira fase - para hoje às 16 horas. Nessa rodada, seis equipes também farão jogos cruciais, porque lutam para não passar o vexame de serem rebaixadas para a Série B. CARAS NOVAS Em termos de Seleção Brasileira, o goleiro Sílvio Luís (São Caetano), o zagueiro Fábio Bilica
(Venezia) o meia Mozart (Coritiba) são nomes poucos conhecidos da massa torcedora. Os três foram convocados por Luxemburgo para a equipe sub-23 que fará dois amistosos na Austrália em novembro. A Seleção Pré-Olímpica promove ainda o retorno de alguns atletas, como Denílson, do Betis, e Warley, da Udinese. A Seleção principal também teve algumas novidades. O volante Zé Elias, cujo passe pertence à Internazionale de Milão, mas está emprestado ao Bologna, vai vestir a camisa verde-e- amarela, depois de um longo período afastado da mídia. Jardel, o "matador" do Porto, foi lembrado, a exemplo do jauense Anderson, que trocou o Barcelona pelo francês Lyon. TRIVIAL O Amador de Bauru melhorou no aspecto técnico e disciplinar, mas a fórmula de disputa deixou muito a desejar, principalmente nas quartas-de-final e semifinais. Precisa melhorar em 2000 e não há mistério: é só fazer as coisas com simplicidade, pois evita a má interpretação.