Cortar o cabelo é fogo
Cortar o cabelo é fogo
Texto: Gustavo Cândido
Uma nova opção para mudar o visual dos cabelos e ainda por cima reforçá-los é cortar com fogo. Não, isso não é uma brincadeira. Existe em Bauru um cabeleireiro que corta o cabelo de seus clientes com um maçarico, numa técnica toda especial, desenvolvida por ele mesmo, que fortalece os fios e evita a queda. Tudo isso sem oferecer o menor risco para o cliente.
A opção do corte a fogo na realidade não
é novidade, a prática de separar os fios com o fogo das velas é antiga e ainda hoje continua sendo usada. Foi baseado nessa prática que o cabeleireiro Antonio José Gomes, o Tólle, criou o corte a maçarico em 1976.
"Cortar com vela faz uma fumaça muito grande, que eu acho que faz mal, além dos pingos de parafina, que incomodam e grudam", conta.
No princípio Tólle, que acredita ser o pioneiro da técnica no País, cortava o cabelo dos clientes com um maçarico de ourives, que tinha um tanque do lado. Mais tarde conseguiu através de um amigo, dois pequenos maçaricos importados, que em suas mãos parecem bisturis ou pequenas armas laser de filmes de ficção.
Segundo Tólle, o corte a maçarico não oferece risco algum para os clientes, "ninguém nunca reclamou do meu tipo de corte, se o fogo for atingir alguém, esse alguém sou eu, que vou estar segurando os fios com os dedos", garante. Mesmo porque o corte com fogo não aposenta a tesoura, os dois trabalham em conjunto, se complementando.
O cabeleireiro manuseia o maçarico assim como a tesoura, com movimentos rápidos, resultados dos 45 de profissão na cidade.
Embora a maioria dos clientes de Tólle sejam homens, ele também corta cabelos femininos, "faço qualquer tipo de corte, com o maçarico ou não", diz. Ele conta que suas clientes, geralmente aparecem sempre, nem que seja para "acertar as pontas" dos cabelos, depois de terem feito o corte principal.
O benefícios do fogo
O corte com o maçarico não é apenas uma maneira de diferente de cortar o cabelo, como no corte com a vela, mas com mais eficiência, o fogo do maçarico, segundo o cabeleireiro e seus clientes, ajuda a evitar queda de cabelo e caspa. "Não sei qual a razão explicação científica para isso mas o fato é que o fogo não só evita a queda como faz com que o cabelo nasça mais forte, se ele for fino, engrossa", diz Tólle,
"se não voltar a crescer é porque a pessoa tem problemas hormonais", desafia.
Para as mulheres o fogo tem ainda uma função especial, acaba com as pontas duplas, provocadas, na maioria dos casos pelo ressecamento, banhos quentes e pelo uso de produtos impróprios.
"As mulheres usam muita química no cabelo, como tinturas, alisantes, descolorantes, o fogo elimina as pontas duplas que essas substâncias causam de uma vez e não permite que elas aconteçam de novo", afirma.
Embora atenda seus clientes todos os dias, o cabeleireiro diz que os melhores dias para ter seus fios "podados" são os dias de Lua Minguante, "o cabelo demora mais para crescer nessa fase mas em compensação fica mais forte do em qualquer outra", ensina.
Cheiro de churrasco
O único incômodo do corte com fogo, como já era de se esperar, é o cheiro forte que fica no ar, "cheiro de churrasco", como brinca um dos clientes de Tólle. Isso é inevitável. O cabelo após ter sido aparado com o maçarico deve, de preferência, ser lavado no dia seguinte, ou no mínimo, depois de 4 horas do corte, "para que o calor do fogo faça o efeito até a raiz", diz o cabeleireiro, que pretende montar um curso para ensinar sua técnica exclusiva.
Serviço
O salão do cabeleireiro Antonio José Gomes, o Tólle, fica na rua Araújo Leite 3-23. O telefone (ele atende com hora marcada), é 222-6252.