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Eva Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

População preserva o hábito de visitar cemitérios

População preserva hábito de visitar cemitérios

Texto: Eva Rodrigues

Longe de se parecer com aquele lugar contemplativo e silencioso de sempre, no dia de Finados os cemitérios transformam-se em jardins coloridos e contagiados pela alegria dos encontros entre familiares que vem de todos os cantos para um objetivo comum: a reverência a seus mortos.

Em Bauru, todos os cemitérios receberam milhares de visitantes durante o dia de ontem. Momentos de oração, solidão e introspecção misturavam-se a animadas rodas de conversa embaladas pela surpresa do encontro casual. No ar, o aroma de velas e flores ressaltava a importância ainda dada pela população ao ritual de visitar os túmulos dos entes queridos na data.

Aos 71 anos, o aposentado José Joaquim Martins preserva o hábito de visitar o túmulo dos familiares de vez em quando. "Pelo menos para mim se trata de uma questão de respeito àqueles que tanto nos amaram. Se eles zelaram por nós em vida é fundamental que agora façamos essa reverência - não é porque morreram que a gente vai esquecer."

Roseli Iguchi Antonelli, 36 anos, costuma ir ao cemitério não só no dia de Finados mas sempre que sente saudades dos avós e da mãe já falecidos. "Com o passar do tempo as pessoas vão ficando mais acomodadas, mas eu procuro me esforçar e vir sempre que posso, independente de datas comemorativas, render homenagens aos mortos." E o marido, Laércio Antonelli, 41 anos, completa: "Se gostava da pessoa enquanto estava viva tem que vir aqui de vez em quando, voltar o pensamento pra ela, conversar um pouco...".

Para Rosana Pereira da Silva, 28 anos, a iniciativa de ir ao cemitério está diretamente ligada ao amor que se tem às pessoas queridas que se foram. "Tenho parentes e amigos aqui e isso me faz vir ao cemitério. Acho importante porque as pessoas não estão mais entre a gente mas precisam da nossa presença, oração e respeito."

Graça alcançada

Alguns túmulos estão entre os mais visitados do cemitério da Saudade, como os de Mara Lúcia Vieira, Maria Nunes, Mãe Preta e Malta. Para saber o porquê da alta frequência basta ficar pouco tempo em um deles para conhecer muitas histórias de pessoas que se dizem agraciadas por verdadeiros milagres do falecido.

Clarisse Pedro Cestari, 46 anos, oferecia flores ao túmulo de Maria Nunes, ontem pela manhã, e contou a história de uma graça recebida: "No ano passado, eu ia entrando no cemitério e vi muita gente no túmulo dela. Me disseram que ela era milagrosa e eu coloquei um vaso de flores no túmulo pedindo para que ela oferecesse a minha mãe que tinha morrido há um ano mas estava enterrada em outra cidade. Assim que cheguei em casa nesse dia tive uma vontade muito grande de ir a São Paulo, pois precisava resolver uns negócios. Viajei e resolvi fazer uma visita a minha irmã. Quando cheguei a encontrei completamente depressiva e querendo se matar. Conversamos muito e não fui embora enquanto ela não melhorou. Acabei não fazendo nada do que tinha planejado fazer em São Paulo, mas sei que ajudei minha irmã a se recuperar e atribuo tudo isso a uma interferência espiritual de Maria Nunes. Por isso estou aqui de volta neste ano".

Outro túmulo que merece ser lembrado é o de João Henrique Dix, o empresário bauruense que doou o terreno

à Prefeitura para a construção do cemitério da Saudade. Quando o cemitério já estava pronto Dix suicidou-se, aos 36 anos. Muitos acreditam que ele se matou para inaugurar o cemitério, porém a versão não é confirmada oficialmente.

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