Taxista é usado por ladrões para roubo
Taxista é usado por ladrões para roubo
Texto: Ieda Rodrigues
Não contentes em assaltar o taxista Deocleciano de Oliveira Barbosa, 36 anos, dois ladrões, não identificados, resolveram usá-lo para roubar um posto de gasolina, de onde levaram R$ 100,00, na madrugada de segunda-feira. O taxista ficou cerca de quatro horas em poder dos ladrões, período que, ameaçado de morte, teve que se deslocar de Bauru para Iacanga e depois retornar, rodando por vários bairros.
Ele só foi liberado, com o carro, após os ladrões roubarem um posto de gasolina na avenida Castelo Branco, na altura do Parque dos Sabiás. Por volta das 22 horas do domingo, um homem telefonou para o ponto de táxi do Terminal Rodoviário pedindo uma corrida da Vila Dutra para o Recinto Mello Moraes.
O taxista que atendeu a ligação não quis fazer a corrida, que a passou para Deocleciano. Antes de sair do ponto, ele ainda confirmou o pedido de corrida, através de um telefone deixado pelo rapaz. Deocleciano contou que, então, seguiu para a Vila Dutra, para pegar os passageiros no lugar combinado por eles.
No entanto, antes de achar o endereço combinado, o taxista foi surpreendido por dois rapazes, um armado de faca e o outro com uma arma que ele acha ser revólver, que anunciaram que se tratava de um assalto. Um dos ladrões acomodou-se no banco do passageiro dianteiro e, o outro, no banco traseiro do táxi, um Gol placas BVS 5008, de Bauru.
De acordo com o taxista, os ladrões exigiram sua carteira e subtraíram os cerca de R$ 50,00 existentes. Sempre tendo armas apontadas para si, Deocleciano disse que foi obrigado a colocar o carro em movimento e seguir pela rodovia Bauru-Marília, passando pelo Núcleo Gasparini, onde os ladrões deram ordem de parada e lhe orientaram a ligar para o ponto de táxi informando que ia demorar para retornar.
De um telefone público, Deocleciano informou um colega do ponto de táxi que iria fazer outra corrida, com saída da Expo. Os ladrões, segundo o taxista, o acompanharam até o telefone, sempre apontando para si uma arma. Voltando para o carro, os ladrões ocuparam o banco de trás do carro e ordenaram o taxista a seguir pela rodovia Bauru-Iacanga.
Sempre sendo ameaçado de morte, Deocleciano disse que foi obrigado a entrar em Iacanga, onde deu várias voltas pelo centro da cidade. Em determinado momento, os ladrões determinaram que podiam voltar para Bauru, quando passaram por vários bairros, parando, novamente, num telefone público, na Vila Industrial.
Pela segunda vez, os ladrões fizeram o taxista ligar para o ponto para justificar a demora. Deocleciano, numa tentativa de alertar os colegas sobre o que estava acontecendo, disse que estava demorando porque um dos pneus do carro havia furado. De volta ao carro, o taxista seguiu até o Parque dos Sabiás, passando por um posto de gasolina.
Os ladrões, então, disseram para que ele parasse e abastecesse o veículo, colocando R$ 1,00. Quando era atendido pelo frentista Cleuber Cândido de Souza, 26 anos, a dupla, usando a faca, e anunciou o assalto. Eles pegaram R$ 100,00 do frentista e mandaram o taxista fazer o caminho de volta, alertando que se ouvissem uma sirena de viatura policial o matariam.
No trevo de acesso à Vila Dutra e Núcleo Leão XIII, os ladrões desembarcaram, levando, além do dinheiro, o break light do carro. Os assaltantes fugiram a pé. O taxista disse que assim que se livrou dos ladrões ligou para a Polícia Militar, através do 190, mas não foi atendido porque o sistema estaria em pane.
Ainda na madrugada, ele procurou o plantão da Delegacia Seccional, onde registrou boletim de ocorrência por roubo. O taxista não soube descrever os ladrões porque, segundo ele, escondiam os rostos em camisetas.
Na delegacia, Deocleciano foi reconhecido pelo frentista do posto como um dos autores do assalto. Taxista há dois anos, Deocleciano disse que está com medo e, se tiver oportunidade, mudará de profissão.