30% da Unesp exageram na bebida
30% da Unesp exageram na bebida
Texto: Adriana Amorim
Cerca de 30% dos alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) ingerem bebida alcoólica em quantidade superior à considerada normal pelos especialistas. O número consta de um levantamento feito pelo Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Unesp de Botucatu com base em informações prestadas por 63% dos estudantes de todos os campus da universidade.
A pesquisa foi feita no ano passado a pedido do Conselho de Vice-Diretoria da Unesp e Pró-reitoria de Extensão e originou o projeto "Viver Bem 2000", aplicado ontem pela primeira vez em todos os campus da Unesp (ver matéria). A idéia
é conscientizar os jovens sobre o problema do álcool e iniciar programas de redução de danos.
A professora do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Unesp de Botucatu, Florence Kerr-Corrêa, explica que 70% dos estudantes ingerem bebida alcoólica socialmente, o que significa que bebem dentro dos limites considerados aceitáveis.
É tida como "aceitável" a quantidade de 14 doses semanais. "Uma dose é a quantidade de álcool presente em uma latinha de bebida, um caneco de cerveja, um taça pequena de vinho ou uma medida de 37 ml de pinga ou vodca vendidas nos estabelecimentos comerciais", explica a professora.
Não é com relação a eles que a Unesp se preocupa, mas com os outros 30% que ingerem mais de uma vez por semana e geralmente cinco doses por vez. Entre eles, estão os que bebem todo o dia: representam cerca de 3% do total de estudantes pesquisados.
"O problema não é alcoolismo porque ele dificilmente já se manifesta na faixa etária dos estudantes, mas devido a acidentes de trânsito provocados pelo alto teor de álcool e outros procedimentos, como fazer relação sexual sem proteção", explica Florence. Na pesquisa, 5% dos estudantes disseram ter sofrido acidentes de trânsito devido ao uso de bebidas alcoólicas.
A professora explica que o álcool se torna mais problemático porque muitas vezes aparece acompanhado pelas drogas denominadas ilícitas, como maconha, anfetamina e cocaína. "As outras drogas são perfumaria perto do álcool", afirma Florence.
A pesquisa feita pela Unesp de Botucatu também investigou o uso das drogas ilícitas pelos estudantes. Maconha e solvente são as mais usadas. O perfil do usuários é o jovem solteiro, que mora longe da família e não segue nenhum tipo de religião.
Bauru entra no projeto "viver Bem 2000"
O câmpus da Unesp de Bauru começou ontem a integrar o projeto "Viver Bem 2000", uma iniciativa inédita que pretende transmitir informações sobre os perigos do uso exagerado de bebidas alcoólicas e fornecer programas para recuperação dos estudantes. O projeto foi aplicado em todos os campus da faculdade
Palestras, vídeos educativos e CD-ROMs educativos foram alguns dos recursos utilizados para conscientizar os alunos sobre as consequências do álcool para o organismo. A organização do evento em Bauru contou ainda com o "audit", uma espécie de questionário aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) através do qual a pessoa pode avaliar o seu grau de envolvimento com a bebida alcoólica.
Além desse evento inaugural, o projeto "Viver Bem 2000" inclui também o desenvolvimento de programas para atendimento dos estudantes que queiram ajuda para se livrar do vício do álcool. A professora Vera da Rocha Resende, presidente da comissão local do projeto, explica que cada câmpus irá oferecer o serviço de acordo com os recursos disponíveis. Em Bauru, o Departamento de Psicologia vai assumir a tarefa.
A intenção é que os programas de redução de danos se reflitam no maior aproveitamento das aulas por parte dos estudantes que costuma ingerir bebidas e evitar que eles atinjam alto grau de dependência. "Não vamos resolver todos os problemas de alcoolismo, mas pelo menos mostrar que o problema existe e que estamos à disposição para oferecer auxílio", explica Vera. Projetos parecidos já são desenvolvidos por faculdades como Universidade de Campinas (Unicamp) e Universidade de São Paulo (USP).
(AA)