Marketing social cresce e desperta interesse de empresas
Marketing social cresce e desperta interesse de empresas
Anualmente, são investidos no Brasil R$ 12 bilhões em projetos considerados como iniciativas de marketing social, e torna-se cada vez importante a iniciativa privada oferecer ao público seu balanço na área, com o registro das ações que contribuíram para o desenvolvimento social do País. Esse cenário positivo, que atesta a crescente preocupação de empresas com sua responsabilidade diante da sociedade, foi descrito na palestra promovida terça-feira pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Bauru.
Armando Tadeu Rossi, gerente da instituição em Jundiaí, destacou a relevância social do chamado Terceiro Setor, que reúne o conjunto de organizações da sociedade civil que desenvolvem projetos e iniciativas de interesse público em áreas como saúde, direitos humanos, educação e meio ambiente.
Rossi aponta a tendência de crescimento do Terceiro Setor no Brasil, que está em um nível de desenvolvimento que precisa ser ampliado. "O Brasil investe cerca de cem vezes menos que os Estados Unidos no Terceiro Setor", informa.
"A tendência vem dentro do que a sociedade espera do terceiro milênio, falando em sociedade participativa, abordagem holística, em não deixar a responsabilidade unicamente na mão do órgão público".
A ênfase, segundo Rossi, deve ser dada ao marketing social como forma de promover investimentos centrados em atingir objetivos comuns às diversas partes envolvidas, interessadas no desenvolvimento sustentado da sociedade e em prover qualidade de vida à população. Nesse sentido, ele aponta a superação da velha atitude de simplesmente sair de forma indiscriminada em busca de recursos financeiros para a execução de projetos de alcance social. "O marketing social não
é uma moda passageira, não é um mero artifício para consertar a imagem da empresa, não é uma estratégia oportunista nem prática assistencialista", sentencia.
"Não são ações que substituem o Estado, nem instrumento contábil para mascarar recursos ou mera tática de relações públicas".
O evento serviu também para divulgar informações sobre o Programa de Educação para o Trabalho, desenvolvido pelo Senac do Estado de São Paulo em sua rede de unidades. O investimento no programa é considerado pelo Senac como iniciativa de marketing social.
O Programa Educação para o Trabalho, destinado a jovens carentes entre 14 e 18 anos, difere dos cursos convencionais de profissionalização. Compõe-se ao todo de mais de 300 horas, distribuídas entre Núcleo Central, sete oficinas temáticas e uma Estação de Vivências, durante a qual os jovens exercitam, em ambientes empresariais, os conhecimentos adquiridos ao longo do curso. O Núcleo Central estimula a reflexão sobre as principais características e exigências da atual organização do trabalho. As oficinas têm os temas Infomática, Saúde, Apresentação pessoal, Higiene e organização nos serviços de alimentação, Organização de ambiente de venda, Tecnologia das transações comerciais, e Recepção e atendimento a clientes. O programa se propõe a preparar os jovens não mais para uma função específica, mas para os desafios de uma nova cultura do trabalho, substituindo a antiga ênfase ocupacional pelo reforço a um conjunto de atributos exigidos no trabalho.
Embora o Senac atualmente esteja financiando com recursos próprios 100 turmas em todo o Estado, atingindo 2.700 jovens, diversas empresas estão compondo parcerias com a instituição para sustentar novas turmas. O Senac cede sua infra-estrutura, toda a metodologia e a supervisão necessárias à condução das aulas, e espera contribuições para dar conta somente dos custos operacionais, como remuneração de docentes etc.
O Senac conta, inclusive, com o certificado e o selo "Empresa Que Educa", com os quais distingue instituições e empresas que aderirem ao movimento.
O programa foi destacado pelo Prêmio Especial ECO 99, concedido pela Câmara Americana de Comércio de São Paulo
(Amcham). Instituído em 1982, o prêmio divulga o trabalho de empresas que se destacam no campo social.
Presente na palestra, o empresário Evaristo Rodriguez Gonzales, diretor do Departamento de Indústria e Serviços da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico, diz que é preciso reforçar a importância de o País contar com mão-de-obra capacitada. "Eu acredito nesse tipo de trabalho educativo, porque os empregados preparados trazem o que o Brasil precisa. E as pessoas formadas em instituições de qualidade não estão desempregadas."
Também presente ao evento, o economista Reinaldo Cafeo, diretor da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), argumenta que o setor empresarial já percebe que gerar empregos não é suficiente para contribuir para o desenvolvimento social. "Empresas de maior porte estão buscando um diferencial que é a participação forte na sociedade, apoiando entidades existentes ou criando novas entidades", diz. "Talvez, no futuro, assim como a certificação ISO 9000 credencia o produto pela qualidade, quem tiver um balanço social positivo vai ter a preferência também dos consumidores. Além disso, a legislação vai se aprimorando, o que possibilita incentivos fiscais para as empresas, que estão se dando conta de que é muito melhor usar esses incentivos do que mandando recursos diretamente para o Governo Federal."