CPI do Narcotráfico vai a Marília
CPI do Narcotráfico vai a Marília
Texto: Marcos Zibordi
Deputados vão investigar possíveis ligações de empresários da cidade com esquema comandado por William Sozza
Marília - Os deputados Celso Russomano (PPB) e Robson Tuma (PFL) vão a Marília para investigar ramificações do esquema de narcotráfico apurado pela Câmara dos Deputados através de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Na próxima segunda e terça-feira eles estarão em Ribeirão Preto e, depois, o destino
é Marília. Os deputados podem ir até Ribeirão novamente, depois dos dois dias previstos.
"Existem indícios de ligações com o crime organizado e com o narcotráfico", disse Russomano, para quem a cidade de Marília é rota do tráfico de drogas. Segundo ele, o município tem um poder aquisitivo alto, muitas universidades (portanto, muitos estudantes) e um público jovem.
Russomano, que é sub-relator da CPI do Narcotráfico para o Estado de São Paulo, e Robson Tuma, sub-relator para o tema lavagem de dinheiro, estarão investigando ligações entre empresários de Marília e a quadrilha comandada por William Sozza, que mora em Campinas e está foragido, desde que as investigações começaram a envolvê-lo. Sozza é acusado de chefiar uma quadrilha de roubo de cargas, envolvida também com o narcotráfico.
Existem nomes previamente definidos para serem investigados, mas o deputado não pôde adiantá-los, sob pena de atrapalhar a investigação.
Os deputados vão revisar todos os processos de roubo de carga que foram investigados e arquivados na cidade. "Até porque existem muitos roubos de carga na região". Além disso, presos, informantes e denunciados serão ouvidos pela CPI.
O deputado fez ontem um pedido de reconsideração de decisão judicial para o ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso Mello, cuja decisão permitia a interferência de um advogado, durante os depoimentos de seu cliente à CPI. "O advogado não pode falar, segundo o regimento interno. Até porque é um processo investigatório, e isso não tem defesa, é unilateral". Sua expectativa, ontem, era de que até sexta-feira o pedido seja julgado.