Assaltos e pedágios preocupam Fetcesp
Setor de transportes discute alternativas para pedágio e roubos
Texto: Sabrina Magalhães
A Federação das Empresas de Transporte do Estado de São Paulo (Fetcesp) realizou ontem sua reunião mensal de diretoria para discutir os problemas do setor. Cerca de 30 pessoas vieram até Bauru, representando sindicatos de várias regiões do Estado. Entre os principais tópicos, foram abordados o alto custo dos pedágios nas rodovias de maior movimento do País e o incessante aumento na incidência de roubos de carga. Em entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade, o presidente da Federação, Flávio Benatti, falou sobre as sugestões que vêm sendo analisadas e sobre a dificuldade de se executar algumas destas propostas.
Jornal da Cidade: Um dos grandes entraves para o setor
é o alto custo dos pedágios. O que a Federação propõe para minimizar o problema?
Flávio Benatti: A Federação participa de uma comissão criada pela própria Secretaria de Transportes para discutir esse tema. Porque o pedágio, quando foi instituído, foi determinada uma cobrança assim: enquanto o automóvel paga R$ 4,80, o caminhão paga R$ 4,80 por eixo em cada praça (posto) de pedágio. Então, um caminhão de cinco eixos paga aproximadamente R$ 26,00 em cada praça. Isso realmente é um absurdo. Nós temos discutido uma mudança desses critérios, como por exemplo classificar o caminhão em três categorias
- o leve, o médio e o pesado - e fazer uma cobrança unificada.
Mas veja bem, nós não somos contra o pedágio em hipótese alguma. Nós queremos que se pague pelo pedágio um preço justo. É lógico que nós sabemos que quando uma empresa entra num sistema de privatização, logicamente ela vai querer tirar dali seu lucro. O que tem que se discutir é até que ponto se suporta pagar isso. Porque indiretamente, mais cedo ou mais tarde isso acaba refletindo no preço final dos produtos. Quando houve a privatização nós não sabíamos e não tínhamos com muita clareza quantas praças de pedágio iriam ser implantadas. A sociedade só tomou conhecimento depois (...) Não podemos ir contra o pedágio, em qualquer país que tenha boas rodovias no mundo você vai encontrar também pagamento de pedágio. Então nós temos que pagar a conta, mas tem que ser uma conta suportável e de uma forma justa.
JC: E quanto ao roubo de cargas? O que vem sendo feito para impedir isso?
Benatti: Nós temos dentro da Federação um grupo de trabalho que levanta estatísticas de todos os roubos de carga que acontecem com o setor. As informações de como o roubo vem acontecendo, em que locais é mais freqüente, os horários, nós passamos para as delegacias especializadas. Isso é o que nos cabe fazer, levantar dados estatísticos. Agora, o que estamos observando é que o roubo de carga
é uma coisa estarrecedora. Por mais que se procure combater você vê, por exemplo, através da CPI do Narcotráfico, que o roubo de carga tem sido usado como alternativa para lavagem de dinheiro, com o envolvimento do poder judiciário, da polícia, de empresários. Somos reféns dessa situação. O que podemos fazer? Só mostrar o que está acontecendo com o setor e dizer que não estamos suportando mais, que somos vítimas de uma trama extremamente complicada.
JC: O sr. acredita em alguma forma de coibir isso?
Benatti: A Federação tem proposto várias alternativas. Somos a favor do Procarga, por exemplo, uma ação conjunta de todas as polícias junto com a atuação da Secretaria da Fazenda. Porque as polícias chegam até determinado ponto. Elas não podem entrar num depósito, por exemplo. Então tem que ter uma ação conjunta com a Secretaria da Fazenda, que pode entrar num depósito, exigir notas fiscais dos produtos e eventualmente estourar um depósito de carga roubada. Nós apoiamos esse Procarga, temos até sugerido que isso aconteça. Mas a única coisa que podemos fazer é propor, dar idéias. E isso tem sido feito.
JC: Também tem-se falado na questão do aproveitamento do crédito de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para o setor de transporte...
Benatti: Que é um pleito nosso de que você possa fazer um aproveitamento de uma maneira natural, sem os critérios que se adotam até hoje, em que você tem que pedir autorização para isso. Então que se estabeleça, por exemplo, quais os produtos nós podemos adquirir utilizando os créditos do ICMS, se é combustível, se a aquisição de veículos, se peças.
Se discute também a participação do setor na implantação de terminais em torno do rodoanel que está sendo criado na cidade de São Paulo, para que nós não tenhamos, no futuro, um caos como hoje nós vemos nas marginais. Porque as marginais, quando foram projetadas, eram magníficas, ficavam totalmente isoladas do grande centro. Mas a especulação imobiliária foi chegando e hoje a marginal está dentro do contexto da cidade e nós acabamos atrapalhando o tráfego. Então que nesse projeto do rodoanel haja um planejamento para que haja um aproveitamento racional para as empresas ali se instalarem, os veículos de carga transportarem e os veículos pequenos circularem
JC: Porque os caminhões acabam sendo vistos como vilões no trânsito...
Benatti: É. O setor é visto pela sociedade como um setor que atrapalha. Mas o pessoal tem que compreender que nós levamos 75% da economia do país nas costas. O setor representa um faturamento de 3,5% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, quer dizer, é um setor de muita importância que está convivendo com muitos problemas. Problemas que deveriam ser visto pelas autoridades com mais seriedade e tentar procurar resolvê-los.
Sindbru inaugura sede própria
O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Bauru (Sindbru) inaugurou na noite de ontem sua sede própria. Para o presidente da Federação das empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Fetcesp), Flávio Benatti, um momento que mostra o esforço das empresas de transporte da região: "Porque esse setor jamais recebe benécias de qualquer órgão público. Ele se organiza por si próprio e pelo esforço pessoal dos empresários que o compõem".