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Redação
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Um dois três ponto quatro

Um dois três ponto quatro

Uma das principais companhias de dança contemporâneas do Estado, o Balé da Cidade de São Paulo, traz amanhã a Bauru "1,2,3.4", mais novo espetáculo do grupo que está completando 31 anos

O Balé da Cidade de São Paulo, considerada uma das principais companhias paulistas de dança contemporânea, traz amanhã a Bauru o espetáculo "1,2,3.4". Com direção artística de Ivonice Satie, coreografias de Luis Arrieta, Henrique Rodovalho e Olaf Schmidt, entre outros, a apresentação será no Sesc, às 20h30.

A diretora Ivonice Satie integra o Balé desde sua formação. Foi sob sua direção que o Cidade de São Paulo recebeu várias premiações, como o APCA 92 e 93 e o Prêmio Mambembe de Dança de 95, concedido pelo Ministério da Cultura. Também estreou internacionalmente, em 96, na França, fazendo três apresentações no Teatro L'Ópera de Lyon, na Bienal de Dança de Lyon.

De 97 a 99, a companhia passou a ser dirigida por José Possi Neto, que intensificou as turnês internacionais e incentivou a produção dos coreógrafos da própria casa.

A partir de junho deste ano, o Balé da Cidade de São Paulo voltou à direção de Ivonice Satie, com o espetáculo "Forró for All".

Em outubro, lançou o espetáculo "1-2-3-4", que agora mostram em Bauru (leia crítica nesta página). Para o próximo ano, já estão agendados espetáculos na Alemanha, Milão e Singapura.

Serviço

O Balé da Cidade de São Paulo apresenta o espetáculo

"1,2,3.4" amanhã, a partir das 20h30, no Sesc Bauru. Ingressos: R$ 6,00, R$ 3,00 (estudante com carteirinha e idosos) e R$ 2,00 (comerciários matriculados). Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: 235-1750.

Espetáculo mostra maturidade

Texto: Mônica Santos / Especial para o JC Cultura

O Balé da Cidade de São Paulo é, atualmente, a principal companhia contemporênea do Estado, que divide a preferência nacional com outras poucas - como a Quasar, de Goiânia, o Grupo Corpo, de Belo Horizonte, e o Balé Teatro Castro Alves, de Salvador. Este fato, isoladamente, já

é um bom motivo para ver o espetáculo. Mas não

é só. O grupo que dança amanhã, no Sesc, é a Cia. 2, que foi criada há poucos meses pela diretora Ivonice Satie e cuja estréia aconteceu na semana passada, no melhor palco paulistano, o do Theatro Municipal. Sendo assim, Bauru será a primeira apresentação da companhia fora de casa.

A Cia. 2 reúne um grupo experiente, entre 35 e 45 anos, com o objetivo de mostrar que a idade em absolutamente nada limita a capacidade física dos bailarinos. E, é justamente isso que o público verá no palco em "1,2,3.4", espetáculo de estréia da nova companhia.

O elenco de nove bailarinos - Armando Arich, Maurício Martins, Paulo Goulart Jr. (filho dos atores Nicete Bruno e Paulo Goulart), Beth Risoléu, Mônica Mion, Lilia Shaw, Lumena Macedo, Suzana Mafra e Laudiney Delgado - é competente o suficiente para dar brilho a um espetáculo que, no âmbito da criação coreográfica, traz poucas novidades. E mais: a cada apresentação, eles se revezam nos papéis, explorando e reforçado todas as suas possibilidades técnicas.

O espetáculo abre com "Spreding", de Luís Arrieta - coreógrafo argentino, radicado no Brasil, e que trabalha para as principais companhias do país. Trata-se de um solo ritualístico, que funciona para marcar o início, o processo de criação da própria Cia. 2.

É um trabalho curto, que em cerca de sete minutos condensa muita sensibilidade.

A seguir, vem "Óculos Azuis", do alemão Olav Schimidt, que esteve no Brasil especialmente para ensaiar a coreografia. Este é um dos melhores momentos do espetáculo. Embalados por um insistente dedilhar de piano da obra de Richard Wagner, um casal de bailarinos dança um delicioso jogo de conquista, que usa como elemento coreográfico apenas um banco. A peça exige muito esforço físico, mas não perde a sutileza. Nas apresentações paulistanas, os bailarinos sempre deixavam o palco sob calorosos aplausos.

A terceira coreografia, assinada por Anselmo Zolla, diretor artístico do Balé da Cidade, é um pouco mais fria. Em "Prati", o coreógrafo faz experimentações que, mais uma vez, reforçam a capacidade física do elenco. Há também inovações na entrada dos bailarinos, mas a obra acaba destoando um pouco do clima bem-humorado de todo o espetáculo.

O último trabalho, "Inacesso", é de Henrique Rodovalho, coreógrafo renomado que dirige a Quasar, que recentemente se apresentou em Bauru. No palco, dois casais encenam movimentos acompanhados por quatro canhões de luzes dispostos em diferentes alturas. O resultado é interessante, pois parece que os bailarinos demostram uma relação de paixão e dependência com tais luzes. Sem dúvida, mas um bom momento de Rodovalho, cujos melhores trabalhos são pontuados pelo humor.

Por fim, do espetáculo "1,2,3.4", ainda há o "ponto". Na verdade, são pequenas vinhetas, que costuram as coreografias. Curtinhas, as criações de Jorge Garcia divertem a platéia e fazem o espetáculo terminar em alto-astral, como uma grande festa, regada a música e bebida, na qual os bailarinos comemoram a existência da Cia.2, que, acima de tudo, marca a maturidade do próprio Balé da Cidade de São Paulo, companhia fundada há 31 anos.

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