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Reestruturação das polícias

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 6 min

Polícias terão metas a cumprir a partir de 2000

Polícias terão metas a cumprir a partir de 2000

Texto: Josefa Cunha

O secretário estadual da Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, em visita ontem a Bauru para o anúncio oficial dos novos comandos das Polícias Civil e Militar, disse que a partir do ano 2000 as seccionais e os batalhões de todo o Estado terão que produzir metas e informar os objetivos que pretendem alcançar em período pré-determinados. A novidade é uma entre as várias outras que serão instituídas no dia 1.º de janeiro, quando entra em ação efetiva a política de reformulação do setor.

A reestruturação está apresentando um modelo organizacional novo, pontuado pelo enxugamento administrativo, redução hierárquica e por uma filosofia muito parecida com a adotada pelos setores privados. Na prática, a mudança busca melhorar a qualidade do policiamento através da otimização das estruturas e, particularmente, identificar com precisão as responsabilidades - seja pelo sucesso ou não - de cada comando no Interior.

A SSP espera economia financeira sem prejuízo ao trabalho operacional das polícias. Ao contrário, Petrelluzzi garante que o efetivo ganhará reforço com a mudança, na medida em que ocorrer o remanejamento de policiais hoje ocupados com atividades administrativas burocráticas. Remanescentes do último concurso promovido pela Polícia Civil também deverão ser convocados para integrar o quadro funcional. O secretário não soube precisar quantos policiais serão deslocados para rua, nem dizer se Bauru ganhará um novo distrito em função desse acréscimo. Antes, destacou ele, será necessária a realização de um profundo estudo para o levantamento da criminalidade na região e a respectiva demanda de combate.

A reformulação proposta pelo Estado amplia o poder de atuação das polícias em Bauru, que passam a agregar novas e importantes regiões. A transformação da Delegacia Regional em Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter), confere mais autonomia

à Polícia Civil, tornando-a responsável por 11 Seccionais (antes eram apenas três). A descentralização também amplia expressivamente a atuação da Polícia Militar. Antes da alteração organizacional, Bauru, através do CPA/I-9, comandava somente as regiões de Lins e Jaú, compreendendo 39 municípios. Agora, sob a denominação de CPI/4, a abrangência salta para 143 cidades e as regiões de Marília e Presidente Prudente passam a ser subordinadas ao comando de Bauru.

Conforme o JC já havia anunciado na semana passada, o coronel Cid Monteiro de Barros ficou mesmo com o comando da CPI/4. Anivaldo Registro, que atuava na agora extinta Regional de Santos, assume a diretoria do Deinter 4. Registro retorna a Bauru em um posto muito acima do bacharelado em Direito conquistado na Instituição Toledo de Ensino.

Confira a seguir os principais trechos de entrevista concedida por Petrelluzzi logo após o anúncio oficial da reestruturação.

Imprensa - Por que a política de descentralização?

Petrelluzzi - Tínhamos muitas estruturas médias no Interior e não nos interessava mais. Quero ter gente a quem eu possa responsabilizar, pelo sucesso e pelo não sucesso. Quero saber quem são os responsáveis por cada região e chamá-los em meu gabinete quando necessário. A Polícia de cada região precisa, sobretudo, ter uma cara. Esse é o espírito. Estamos reaproveitando policiais que hoje atuam em áreas administrativas. Para se ter uma idéia, tínhamos três estruturas médias na região, que estão sendo substituídas por uma única, mas ninguém vai perder polícia.

Imprensa - Qual a prioridade da SSP para 2000?

Petrelluzzi - Dependerá muito da região, porque cada uma tem seu problema. Hoje em dia, não se consegue mais fazer polícia de uma forma global em uma região tão grande. Aqui, felizmente, ainda convivemos com índices muito baixos de criminalidade, principalmente da criminalidade violenta. A questão principal aqui envolve as drogas e

é isso que terá de ser atacado.

Jornal da Cidade - Existe a possibilidade de Bauru ganhar mais um distrito policial?

Petrelluzzi - Nesse momento, não estamos pensando nisso. A partir de agora, daremos início a um estudo aprofundado da criminalidade na região. Cada uma das seccionais e dos batalhões vão ter que produzir metas e nos informar quais são os objetivos a serem alcançados em períodos pré-estabelecidos. Ou seja, nós queremos adotar critérios de organização e métodos da iniciativa privada para o setor público. Isso não se faz da noite para o dia, mas a reorganização territorial já é o início.

Jornal da Cidade - O que motivou todas essas mudanças? Havia muitas falhas com esse modelo?

Petrelluzzi - A questão nem é com falhas e desorganização, mas com o advento do limiar de um novo século. Dispomos da informática, um instrumento que não existia no passado. Antes precisávamos de instituições mais pulverizadas, até para cuidar com mais eficácia de questões administrativas. Hoje, fazemos isso tudo on-line. A saída, portanto, é enxugar o nosso quadro administrativo e botar mais gente na rua. Para fazer isso, não adianta manter estruturas antigas.

É preferível ter uma estrutura mais atuante, com cara; quero que a região saiba quem é seu comandante da PM e o chefe da Polícia Civil. Como subproduto dessa mexida, teremos grande economia, principalmente com recursos humanos.

Jornal da Cidade - A economia poderá ser revertida em equipamentos e mais estrutura material?

Petrelluzzi - Temos sim planos para o reequipamento. É verdade que nos últimos quatro anos nunca se investiu tanto em equipamentos. Só de viaturas, foram mais de 8 mil. Esse

é um número nada desprezível, mas, de qualquer forma, a carência continua muito grande. Evidente que toda a otimização de recursos acaba em melhoria de qualidade.

Jornal da Cidade - Também pode haver reflexos na melhoria salarial dos policiais?

Petrelluzzi - Essa é uma reivindicação antiga e justa. É verdade que a diferença salarial entre quem ganhava mais e quem ganhava menos diminuiu bastante nestes últimos anos, e o governo Mário Covas se credita disso. Mas o problema existe e precisamos enfrentá-lo. De outra parte, 93% do que se gasta em segurança no Estado vão para os salários. Portanto, qualquer mexida em salários teria um grande impacto na folha. Gastamos aproximadamente R$ 3,5 bilhões por ano com salários. Reconhecemos a necessidade sim, mas temos a cautela de respeitar a prioridade número um do governo que é não gastar mais do que se arrecada.

Jornal da Cidade - Há alguma previsão de investimento para a construção de uma nova cadeia pública em Bauru?

Petrelluzzi - Os presos representam o maior problema do Estado hoje. Quando assumi a SSP, há menos de um ano, tínhamos 72.800 detentos; hoje já temos 85 mil, num aumento de 15%. Isso, obviamente, deve-se à grande ação da Polícia, mas o problema da acomodação carcerária cresce a cada dia. Estamos tentando investir na construção de novos presídios, só que a população também precisa colaborar. Todos querem que prendam, mas ninguém quer o presídio perto de si. Já estamos preparando um plano a ser apresentado ao governador nos próximos dias para fazer frente ao problema e, certamente, essa região será contemplada com novos equipamentos na área de cadeias e presídios.

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