Dissidência interna do PMDB tenta ressuscitar o antigo MDB
Texto: Daniela Bochembuzo
No final do período ditatorial brasileiro, o MDB (Movimento Democrático de Base) ficou conhecido por fazer oposição
à direita e trabalhar pelo retorno das eleições diretas. Dele saíram nomes como Tancredo Neves, Franco Montoro e Ulisses Guimarães e o embrião para a formação daquele que seria um dos principais partidos pós-ditadura, o PMDB.
Muitos anos depois, sem tanta representatividade no cenário político nacional, nomes de peso do PMDB querem resgatar os alicerces do partido por meio da refundação do MDB. A idéia é que o ressuscitado Movimento Democrático de Base venha congregar uma força política interna de oposição à direita do partido e ao governo Fernando Henrique Cardoso.
O manifesto de fundação do MDB já ganhou as assinaturas do senador Roberto Requião, dos deputados Cezar Schirmer (RS) e Zeire Rezende (MG), e, recentemente, do senador Pedro Simon, que já sonha em disputar a presidência pela nova sigla.
Na região, o ex-prefeito e ex-deputado Tidei de Lima é quem responde pelo movimento de refundação do antigo partido. Nas últimas semanas, o hoje pré-candidato
à Prefeitura pelo PMDB tem feito contatos telefônicos com políticos da região e apresentado a idéia.
"As pessoas têm se mostrado simpáticas à refundação do MDB. O partido representa o anseio pela construção de um projeto de nação que não seja xiita ou esteja isolado do mundo", diz Tidei de Lima.
O ex-deputado avalia que o MDB representa uma oxigenação. Para ele, a nova sigla pode trazer novas lideranças que, somadas às antigas, podem fortalecer o PMDB. Sim, eles sonham em reconquistar o espaço político que tinham na década de 80.
"O projeto do MDB pode congregar nomes importantes e trazer de volta a força política que o PMDB tinha antes", afirma.
Por enquanto, Tidei de Lima já entrou em contato com políticos de Bauru, Jaú, Pirajuí, Tupã, Parapuã, Ibitinga e Ourinhos, consideradas por ele como cidades-chave na região.
O comando partidário do PMDB não reconhece oficialmente a existência do MDB, embora incentive lideranças partidárias a realizar seminários, comícios e manifestações para a ressurreição da antiga sigla.
Um dos políticos que tem trabalhado ativamente nisso é Pedro Simon. Ele já visitou várias cidades brasileiras para falar sobre o projeto e semear sua candidatura à Presidência em 2002. Se não for candidato, Simon cogita ter José Sarney disputando a presidência.
Com Simon discursando a favor do MDB, abre-se espaço para que candidatos do PMDB disputem as próximas eleições municipais dissociados da imagem de Fernando Henrique Cardoso. O partido quer voltar a ter conotação de oposição, embora tenha muitos integrantes que trabalham em favor da direita, como em São Paulo, onde parte da bancada apóia Celso Pitta (PPB).
Para Tidei de Lima, a refundação do MDB vem com atraso. "Se tivéssemos iniciado esse trabalho antes, talvez não tivéssemos perdido Itamar Franco", conclui.