Geral

Anestesia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Optando pela anestesia geral ou local

Texto: Sabrina Magalhães

A duração do procedimento é determinada conforme a evolução da cirurgia ou exame. Com a administração de doses suplementares, ela pode ser prolongada pelo tempo que for necessário

Existem dois tipos de anestesia: a chamada anestesia geral e os bloqueios regionais, conhecidos como anestesia local. A escolha entre uma e outra vai depender de uma série de fatores, como o local da intervenção, a duração da cirurgia e o estado físico e emocional do paciente. Todos esses itens serão avaliados pelo anestesiologista, em conjunto com o cirurgião.

Evidentemente que cirurgias longas e complexas exigem anestesia geral, até mesmo para o conforto do próprio paciente,

"porque acordado e consciente ele não conseguiria ficar mais do que três ou quatro horas deitado, numa mesma posição, com os braços abertos. Uma coisa

é você dormir oito horas na sua cama, com um travesseiro macio, mudando de posição toda hora. Outra é você ficar horas numa sala fria sem poder se mexer."

De acordo com o anestesiologista Newton Teruo Iutaka, a anestesia geral é a que causa mais pânico na população. Por muitos anos ela foi considerada um procedimento de alto risco, que poderia resultar em morte. "Mas hoje esse medo é infundado, pois a anestesia geral é uma das técnicas mais seguras que a gente tem à disposição."

Ele lembra que houve uma evolução muito grande tanto na qualidade de drogas e aparelhos, quanto na experiência médica, resultando em segurança. Com isso, os riscos de uma complicação letal durante uma cirurgia eletiva

- aquela que não é feita em situação de emergência - é praticamente desprezível

Procedimentos

Segundo Iutaka, cada tipo de anestesia pode ser feito com diferentes sub-técnicas e usando-se diferentes drogas, quase sempre com dosagens combinadas e complementares, conforme a necessidade do procedimento. Isso quer dizer que o paciente não vai receber uma superdose que vá durar horas. A droga vai sendo administrada conforme a evolução da cirurgia.

"Uma das técnicas de anestesia geral, por exemplo,

é a técnica de indução. Você vai injetar uma droga na veia do paciente para que ele perca a consciência. Mesmo assim, ele ainda tem reação muscular. Então, vamos usar outro anestésico com efeito relaxante para que ele não tenha reação muscular nenhuma. E assim por diante."

Iutaka explicou que essa droga endovenosa usada inicialmente dura poucos minutos, pois é rapidamente metabolizada pelo organismo. Com isso, o paciente poderia acordar. Mas isso não acontece porque ele está recebendo outra droga através do aparelho de respiração. Um anestésico inalatório que só será suspenso quando terminar a cirurgia. O mesmo é realizado com o relaxante muscular, que perde seu efeito em aproximadamente 40 minutos e precisa ser reaplicado.

"Com isso, mesmo numa cirurgia que estava programada para uma hora e que, por algum motivo, vai demorar três, eu consigo manter o paciente anestesiado pelo tempo que for necessário."

Anestesia local

Já com as técnicas de bloqueio, o anestésico geralmente é aplicado em dose única (veja exceção no boxe). É o caso, por exemplo, de uma cesariana. De acordo com o peso e altura da paciente, o anestesiologista vai calcular a dose necessária para uma sedação de aproximadamente três horas.

"Mas vamos imaginar que a cesárea tenha complicações, o tempo cirúrgico se prolongue e a paciente comece a demonstrar sinais de que a anestesia esteja perdendo o efeito. Imediatamente o anestesista vai mudar o procedimento e vai fazer anestesia geral. Porque ele não pode colocar a paciente sentada, com a barriga aberta, para fazer outra raquianestesia. E também não pode deixar a paciente sentir dor. Então, muda-se para uma anestesia geral, com a droga endovenosa."

Analgesia de parto

Existe uma situação em que a anestesia local pode ser prolongada. É a chamada peridural contínua, em que ao aplicar-se a primeira dose do anestésico, o profissional deixa um pequeno catéter fixado no local, de modo que, conforme o efeito vai passando o efeito da droga, outras doses são administradas. Esse procedimento é muito comum em analgesias de parto, o chamado parto normal sem dor.

História

A anestesia obstétrica teve início em 1847, na Inglaterra, quando a Rainha Vitória recebeu anestesia geral para seu primeiro parto normal. De lá para cá foi uma das especialidades médicas que mais evoluiu.

Por muito tempo, a anestesia geral foi a preferida para partos tanto normais como por cesariana. Nas décadas de 30 e 40, a anestesia condutiva (raquianestesia e peridural) começou a ser usada em obstetrícia, porém, com o predomínio da anestesia geral. Por muito tempo a raquianestesia foi usada para cesariana como opção depois da anestesia geral.

Nos anos 60 e 70, a anestesia peridural se desenvolveu muito e se tornou a preferência em obstetrícia, tanto para parto normal como para cesárea; a raquianestesia também se desenvolveu muito nos anos 80, com agulhas finíssimas e drogas menos agressivas. E voltou a ocupar uma posição de boa técnica para cesariana. São absolutamente indolores e não trazem qualquer prejuízo para a paciente e o bebê, pois aliviam a dor sem interferir nas contrações e no trabalho da mãe.

Fonte: www.merconet.com.br/piranest

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