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Daniela Bochembuzo
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Justiça Eleitoral conclui testes em urna

Texto: Daniela Bochembuzo

A maior parte das dúvidas do eleitorado refere-se a votar em branco ou anular o voto; eleição será totalmente informatizada

A Justiça Eleitoral encerrou nesta última semana, na Universidade do Sagrado Coração (USC), o período de testes com as urnas eletrônicas itinerantes. Agora, os eleitores que quiserem aprender a votar eletronicamente deverão se dirigir aos cartórios eleitorais da 23.ª e da 300.ª Zona Eleitoral. Na USC, a urna eletrônica ficou disponível aos alunos, professores e funcionários no período das 9 horas às 21 horas. O Jornal da Cidade acompanhou parte dos testes, na manhã de ontem, e constatou que a maioria das dúvidas refere-se a votar em branco ou anular o voto.

De acordo com Eliana Aparecida Siqueira de Araújo, funcionária pública estadual a serviço da Justiça Eleitoral, as mesmas dúvidas foram constatadas em outros pontos da cidade onde a urna eletrônica foi instalada para aprendizado do eleitorado, desde o início de agosto.

"Dá impressão que os eleitores não estão interessados em votar. Infelizmente, é um comportamento generalizado e que atinge várias classes sociais", afirma. Moradora de Macatuba, a universitária Andréa Badaró foi uma das eleitoras que quiseram aprender como votar em branco. "Não tenho candidatos e nenhum preenche o perfil que desejo para assumir a Prefeitura. Quem se candidatou quer saber de receber salário, mais nada. Eles não pensam no bem-estar do povo", diz, indignada. Pela segunda vez na história eleitoral do País, o voto em branco não será computado, assim como os votos nulos. A mudança foi instituída a partir da Lei Eleitoral 9.504/97, portanto, em 1996 os votos em brancos eram considerados válidos para determinação do quociente eleitoral. Facilidade

Outra constatação feita pelos eleitores que testaram a urna eletrônica, na USC, é que o equipamento é fácil de manusear. "É muito mais tranqüilo do que votar em papel. Apesar de confiar mais nesse sistema, ainda tenho dúvidas em relação a fraudes", diz Thaís Giorgeto Pereira, universitária. A Justiça Eleitoral garante que não há possibilidade de ocorrer fraude. A afirmação é baseada no sistema de segurança do equipamento, que utiliza o método de criptografia. Além disso, o sistema de totalização de votos conta com mecanismos de segurança que registrarão e vincularão o usuário e todas as operações nele realizadas. Para a universitária Laura Mendonça, a facilidade em votar na urna eletrônica se deve ao fato do teclado do equipamento ser similar ao do telefone. "Tinha dúvida em relação à correção do voto e já sei como fazer caso errar", contou. As colegas Corina Dias do Prado e Mara da Silva, ambas universitárias, foram juntas aprender a votar na urna eletrônica. "Foi tranqüilo, da maneira como imaginava", constatou Corina. "Pretendo repassar as informações para os amigos e para minha mãe", garantiu Mara. Luciana Silva Zanelato, universitária, foi conhecer a urna eletrônica e acabou recebendo informações sobre como justificar o voto. Nesta eleição, ao contrário das anteriores, as justificativas poderão ser efetuadas em qualquer seção eleitoral. "Não vou precisar ir à agência dos Correios. Vai facilitar bastante", comemorou. Apesar de estar encerrado o período de testes com as urnas itinerantes, os eleitores de Bauru ainda podem treinar o voto eletronicamente. Para isso, eles deverão ir aos cartórios eleitorais, onde o equipamento ficará disponível até dias antes da eleição, marcada para 1.º de outubro. Se preferir, o eleitor pode treinar o voto on line. No site www.eleicoes2000.gov.br, clicando o ícone 'urna eletrônica', o internauta terá acesso a uma urna virtual. O programa de testes poderá ser gravado no winchester do computador a partir de download. Oriente-se

23.º Cartório Eleitoral: rua Afonso Pena, quadra 6. Telefone 232-1855. 300.º Cartório Eleitoral: rua Afonso Pena, quadra 9. Telefone 222-5585. Veja como votar na urna eletrônica

* Ordem de votação

Você vai votar em dois candidatos: 1.º) Vereador 2.º) Prefeito

* Como usar as teclas

O teclado da urna é como de um telefone. Para votar, aperte os números do candidato de sua preferência (cinco dígitos para vereador e dois para prefeito). Em seguida, aparecerão a foto, o número, o nome e o partido do candidato. Se estiver tudo certo, aperte a tecla verde CONFIRMA.

Depois de votar para os dois cargos, aparecerá na tela a palavra FIM.

* Para corrigir o voto

Caso não apareça na tela as informações do candidato escolhido, aperte a tecla laranja CORRIGE e repita o voto.

* Voto no partido

Caso você queira votar na legenda, aperte somente o número do partido (dois dígitos). Depois, confirme o seu voto apertando a tecla verde CONFIRMA.

* Voto em branco

Para votar em branco, aperte a tecla BRANCO.

Confirme o seu voto apertando a tecla verde CONFIRMA.

* Cuidados

Seu voto poderá ser nulo se for apertado um número inexistente de candidato e depois a tecla verde CONFIRMA.

* Recomendação

Para facilitar a votação, leve anotado os números de seus candidatos. A cola é permitida.

Fonte: TSE

Disciplina discute voto consciente

A USC requisitou a urna eletrônica itinerante a partir do pedido dos próprios estudantes, em especial, alunos matriculados na disciplina "Programas de Cidadania". Parte do currículo obrigatório, a disciplina visa promover o debate a respeito de questões ligadas à cidadania. Neste semestre, grande parte das discussões foi centrada nas eleições.

"Decidimos utilizar o tempo das aulas para refletirmos sobre a política e a cidadania. A partir de muitos debates, os alunos passaram a perceber que a política é importante e uma necessidade. Todos nós somos seres políticos e o acesso à informação é o que diferente o eleitor consciente do analfabeto político", explica o professor Rafael Mazzoni, coordenador da disciplina "Programas de Cidadania". Para Mazzoni, as dúvidas sobre votar em branco ou anular o voto refletem a falta de informação e a ausência do envolvimento dos jovens com as questões políticas, as quais, na sua opinião, deveriam ter sido suscitadas no período escolar.

"As escolas individualizam muito o estudante, a começar pela competição pela maior nota. É preciso incentivar os debates sobre o coletivo, é assim que formamos o cidadão político. Caso contrário, os jovens continuarão a enxergar a política de maneira desmotivada e negativa", conclui.

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