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De bike pelo mundo

André Tomazela
| Tempo de leitura: 5 min

A viagem, iniciada em Nogent e Nancy, cidades do Noroeste da França, em setembro deste ano, tem previsão de término em outubro de 2001. O objetivo dos ciclistas é publicar um livro contando a experiência e com fotos dos lugares e pessoas dos locais visitadosFredéric Nedelec, 26 anos, Marc Boesch, 18 anos, e Salem Farah, 22 anos, saíram da cidade Nogent, que fica no Noroeste da França, a cerca de 300 km de Paris, e seguiram viagem pelo mundo de bicicleta. No útimo domingo, foram encontrados pela reportagem do AutoMercado & Cia em Bauru, um dos pontos do roteiro estabelecido por eles. Os franceses estavam hospedados na casa do advogado José do Carmo, que os conheceu, por acaso, numa viagem feita a Piracicaba (SP). Eu encontrei com eles num posto de gasolina e fiz amizade. Eu fui para Campinas e eles vieram para Bauru. Então, eu ofereci minha casa, caso eles passassem por Bauru, como um lugar para descansar, para comer e para dormir, contou Carmo, que quando jovem chegou a conhecer cerca de 30 países viajando de forma itinerante, através de caronas.Quando o advogado voltava para Bauru, encontrou, por coincidência, os três franceses ciclistas no trevo de entrada da cidade e os levou para sua casa, localizada na Vila Universitária. Quando eu encontro pessoas que viajam dessa forma eu gosto de travar amizade e de oferecer ajuda, afirma.Os três franceses são provenientes de cidades próximas, na França, Nogent e Nancy, que tem cerca de 120 km de distância uma da outra. Fredéric, que é engenheiro químico, Marc e Salem, que são estudantes, se conheceram e ficaram amigos em clubes, em função da prática de esportes. Os três tinham idéias em comum, gostavam de viajar e tinham vontade de conhecer o mundo de modo itinerário. Começaram a conversar sobre o assunto e resolveram se aventurar pelo mundo. Segundo Nedelec, a viagem tem vários motivos e objetivos, entre eles o esportivo, travar conhecimentos com o povo de cada região e conhecer a cultura e o clima e entrar em contato com a natureza. Tudo isso é possível com a bicicleta, que apresenta, ainda, a vantagem de ser um meio de transporte muito econômico.TrajetóriaEm setembro deste ano, Fredéric, Marc e Salem saíram de Nancy e Nogent, percorreram o sul da França, seguindo pela Costa Mediterrânea e entraram na Espanha. Em seguida, desceram a costa espanhola, incluindo as cidades de Barcelona, Valência, Córdoba e foram para Península do Gibraltar que liga o continente europeu ao continente africano. Na África, passaram por Marrocos, onde atravessaram um deserto de cerca de 500 km de extensão, chegando até a cidade de Marrakesh. A dificuldade de encontrar vôos para o Brasil os fizeram seguir para Londres, de onde embarcaram para o Brasil, descendo no Rio de Janeiro. Percorreram a costa, passando pela cidade do Rio de Janeiro, e seguiram para São Paulo, passando por Campinas, Piracicaba, São Pedro e Bauru. Daqui, no último domingo, seguiram viagem para Três Lagoas (MS). Pretendem passar por Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT), de onde seguirão para a La Paz, capital da Bolívia. Os próximos itinerários serão o Peru e, em seguida, a Ásia. A previsão de chegada na França é outubro de 2001.ObjetivosA viagem, bancada com recursos próprios dos três, tem como objetivo, segundo Nedelec, conhecer os países do mundo, as pessoas e as diferentes culturas. Tudo está sendo registrado e documentado num diário. No final da viagem, a intenção do grupo é escrever e publicar um livro, registrando todas as experiências e mostrando lugares, pessoas e acontecimentos, através das fotos tiradas durante o percurso. O livro pretende, também, funcionar como um guia para as pessoas que quiserem se embrenhar em aventura semelhante.BagagemNa bagagem, que tem cerca de 45 quilos, em cada bicicleta, há só o necessário: pouca quantidade de roupa, saco e barraca de dormir, peças para reposição e conserto das bicicletas, uma pequena farmácia, livros, o diário com as informações sobre a viagem e água. Em função das mudanças de temperatura e de clima, já chegaram a beber 6 litros de água por dia. Passamos a apreciar muito mais a água em função do calor com o qual não estávamos acostumados. Comida não é o mais importante no momento, afirma Nedelec, que revelou muita expressividade ao utilizar um misto de francês, espanhol e português.O grupo segue viagem parando por maior tempo nos lugares mais interessantes e agradáveis. Para se proteger do sol, usam apenas chapéus. Quanto a tomar banho, dependendo do local onde se encontram, as vezes não é possível. Já passaram cerca de 15 dias sem tomar banho durante a viagem. Se for possível, tomamos banho todos os dias. Do contrário, deixamos isso de lado porque a nossa prioridade é a viagem. Fizemos a opção por abdicar da questão conforto quando idealizamos essa viagem, afirma Nedelec.Do início da aventura até a parada em Bauru, os franceses tiveram pequenos problemas. Um deles foi a dificuldade de embarcar a bicicleta na viagem da Espanha para o Marrocos. No Brasil, a maior dificuldade encontrada foi com relação ao pouco espaço para as bicicletas nas rodovias, situação que é agravada com a presença dos caminhões. Uma situação engraçada aconteceu na passagem pelos pedágios, nos quais conseguiram passar sem pagar somente após uma conversa com o policial rodoviário.Os três franceses deixaram as famílias na França preocupadas com a aventura da viagem. Para a comunicação com os parentes, o modo mais rápido e eficaz, tem sido a Internet. Mesmo assim, nunca conseguem ser encontrados, porque não permanecem por muito tempo nos locais por onde passam. Não dá para fornecer um número de telefone para a família entrar em contato. Quando eles resolvessem telefonar, estaríamos em outro local, conta Nedelec.

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