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Obesidade infantil também pode ter causas emocionais, diz professora

Redação
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A professora da Unesp e doutora em saúde mental pela Unicamp Maria Alice de Azevedo, também participante da jornada, falou sobre os indicadores emocionais da criança que sofre de obesidade em função de fatores psicológicos. Na abordagem psicossomática dessa questão - que não incluiu as análises médicas sobre a obesidade decorrente de herança genética -, ela relatou estudos que realizou com crianças obesas e não obesas, de 7 a 12 anos de idade. Nesse estudo, Maria Alice analisa a personalidade de crianças através de uma técnica de exame psicológico - o desenho da figura humana feito por elas. O objetivo era obter e avaliar o auto-conceito dessas crianças. De acordo com a professora, através da análise dos desenhos de dois grupos de crianças, sendo 30 obesas e 30 não obesas, foi possível obter os indicadores emocionais que apontam as causas do peso acima do normal. Esses sinais (indicadores) também aparecem nos desenhos de crianças com peso normal. Porém, são bem mais freqüentes nos desenhos de crianças obesas. No grupo de obesos, 60% das crianças apresentaram de dois a seis indicadores emocionais. Já entre as crianças não obesas, apenas 36% delas apresentaram esses sinais - que indicam distúrbios emocionais - tendo dois indicadores ou mais, explica. De acordo com Maria Alice, com esse estudo seu objetivo foi mostrar que, por trás da obesidade infantil, existem distúrbios emocionais. A criança é obesa porque algo não está bem com ela, emocionalmente, afirma. Segundo a professora, quando a criança herda dos pais a pré-disposição para engordar, os fatores psicológicos é que irão determinar se ela se tornará obsesa ou não. Vai depender de fatores familiares, ambientais, sociais, culturais e, principalmente, psicológicos o desenvolvimento da obesidade. Em geral, as crianças obesas têm algum problema no relacionamento com a mãe. Ou a mãe é muito dominadora ou superprotetora. Acaba prendendo muito a criança dentro de casa e evita o contato dela com outras crianças, o que vai causar a inatividade física, além da falta de relacionamento social, analisa Maria Alice. De acordo com ela, no estudo realizado com as 60 crianças, três indicadores emocionais apareceram com mais freqüência nos desenhos entre as obesas: as figuras inclinadas (que segundo Maria Alice demonstram insegurança); braços curtos (indicativos da dificuldade de relacionamento com as pessoas e com o mundo à sua volta), e a omissão do nariz nas pessoas desenhadas (demonstrando timidez, retraimento e dificuldade de auto-afirmação). De acordo com a doutora, esses três indicadores também aparecem nos desenhos de figura humana feitos por pessoas com doenças psicossomáticas. Através do desenho obtém-se o auto-conceito da criança, porque ela se projeta no desenho que faz. Nesses estudos, o grupo das crianças obesas apresentou, de modo geral, um auto-conceito negativo, de um ser inseguro, retraído, reprimido, de uma pessoa que se sente inadequada. Porém, a criança não tem consciência disso, orienta Maria Alice. De acordo com ela, o problema, numa situação como essa, não está na criança, e sim, no relacionamento com os pais, mais especificamente com a mãe. Dentro da abordagem psicológica da obesidade infantil, em geral, a mãe de uma criança obesa é dominadora, controladora e superprotetora. Então, é preciso entender que obesidade não tem apenas causas físicas. Os pais precisam ter consciência da situação e entender que criança gorda não é sinônimo de criança forte e saudável. Eles é que terão que procurar orientação profissional que, nesse caso, é na área da psicologia, para ajudar seus filhos, orienta a doutora. Para saber se uma criança é obesa, basta fazer o cálculo do índice de massa corporal: a altura elevada ao quadrado e dividida pelo peso da criança resultará no número chamado ponto de corte. Segundo Maria Alice, Se o resultado dessa conta ficar entre 25 e 29,9, significa obesidade leve. De 30 a 39,9 é obesidade moderada. De 40 para cima, trata-se de obesidade severa ou mórbida. Números até 24 não indicam obesidade.

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