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Consumidores desconfiam de cartel

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

A maioria dos postos de combustíveis de Pederneiras cobra preços iguais, gerando desconfiança dos consumidoresPederneiras - Os consumidores de Pederneiras estão revoltados com a falta de opção de preços nos postos de combustíveis. Dos nove estabelecimentos existentes na cidade, pelo menos seis estão cobrando o mesmo valor pelo litro do álcool: R$ 1,05. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Bauru e Região (Sincopetro) não entra no mérito da questão. O presidente da entidade, Sebastião Homero, destaca que o sindicato não discute valores dos produtos, já que os empresários são livres para estipular quanto vão cobrar pelo combustível. Ele também ressalta que desconhece essa atitude dos postos de Pederneiras e que não existe nenhuma denúncia nesse sentido. Estou sabendo disso agora. Não tenho conhecimento de que exista esse tabelamento, disse.Wilson Ricardo Fávero, proprietário de um dos postos que cobra R$ 1,05 pelo litro do álcool, negou que haja um tabelamento por parte dos empresários. Ele disse que paga R$ 0,928 pelo litro do álcool e que esse é o valor mínimo que pode cobrar pelo produto para atrair a atenção dos consumidores. Se eu vender com uma margem de lucro de R$ 0,10, eu apenas empato custos. Agora, se esse valor que eu pratico também é fixado em outros postos, isto pode ser uma coincidência. Assim como a cerveja tem o mesmo preço em vários bares, isso também pode acontecer com os combustíveis, destacou.Fávero disse que, numa economia moderna, a tendência é que todos os preços se alinhem. Se eu conseguisse comprar álcool por um preço mais barato, com certeza eu venderia mais em conta, disse.Os consumidores, no entanto, reclamam da falta de opção. A comerciante S.S. (ela preferiu não divulgar o nome), que tem um carro a álcool, diz que muitas vezes prefere abastecer em Bauru (onde o preço médio do álcool é de R$ 0,90), para tentar economizar um pouco. Aqui em Pederneiras não tem condições. Praticamente em toda a cidade o preço é o mesmo. Quem trabalha em cidades vizinhas, acaba enchendo o tanque por lá, como é o caso do meu cunhado, que trabalha em Lençóis Paulista, salientou.S.S. diz que, no caso dela, que viaja para Bauru com freqüência, compensa abastecer antes de chegar em casa. Mas não são todas as pessoas que tem essa disposição.O também comerciante J.N.L. (que preferiu não ter o nome revelado), reclama que sempre encontra em todos os postos o mesmo preço. Não adianta pesquisar, tentar achar um lugar mais barato. Dentro da cidade, é sempre o mesmo preço, disse.Ele também aproveita as viagens para encher o tanque. Ou então, quando pode, procura um estabelecimento localizado na estrada que liga Pederneiras a Macatuba, um dos únicos a ter preço diferenciado. Eu rodo uns 10 quilômetros, mas acabo economizando no final das contas, garantiu.O comerciante acredita que, se os postos de combustíveis mantivessem a concorrência, conseguiriam atrair bem mais a clientela. Um ou dois centavos a menos seria um grande chamariz, disse.Ele contou que o que acaba diferenciando um posto do outro é o preço praticado a prazo. Alguns dão prazos menores, mas preços mais em conta; outros oferecem grande elasticidade para pagamento, com valores mais altos.O posto que oferece o menor preço no álcool e na gasolina fica a algumas dezenas de quilômetros do centro da cidade, praticamente na Zona Rural. Lá, antes do reajuste anunciado dia 22, o litro da gasolina valia R$ 1,43 e o do álcool, R$ 0,899. O proprietário do estabelecimento, José Álvaro Santiago, disse que consegue essa diferença por trabalhar em um local diferenciado. Meu posto tem um sistema de trabalho diferente dos que ficam na zona urbana. Aqui eu gasto menos com funcionários, com energia elétrica e água. Também levo vantagem ao adquirir o petróleo. Compro de uma companhia que é ao mesmo tempo confiável e barateira, disse.Ele não acredita que os donos de postos da cidade possam estar combinando preço para manter o mercado equilibrado. São pessoas muito sérias e que não arriscariam sua idoneidade dessa maneira. Eu acredito que o que está ocorrendo é um equilíbrio dos preços nas distribuidoras, disse.Para o empresário, os donos de postos estariam comprando o combustível por um preço efetivamente caro das companhias e repassando um lucro mínimo para o valor final, o que acabaria padronizando o mercado.

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