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Ações de despejo têm queda de 5,91%

Texto: Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

As ações de despejo estão caindo em Bauru, comparando-se este ano com 1999. Em outubro, a queda foi de 26,03%O número de ações de despejo por falta de pagamento de aluguel teve uma queda de 5,91%, em 2000, em relação ao período de janeiro a outubro de 99, baixando de 575 para 541. No mês de outubro, a queda foi maior, de 26,03%, passando de 73 ações para 54 (veja quadro), segundo levantamentos do diretor do Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, Claudemir Jair da Silva.De janeiro a outubro, ocorrerem oscilações de alta e queda no número de ações, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior. Na comparação das 54 ações de outubro com as 58 ações de setembro, há uma queda de 6,9%.Fernando César Pegorin, presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), destaca que a amenização da crise econômica refletiu na redução das ações. Além disso, o maior rigor adotado pelas imobiliárias na hora de fazer a contratação fez com que a inadimplência se reduzisse. Estamos aplicando critérios rígidos. Antes de alugar, consultamos o Serasa e analisamos a ficha da pessoa, para que tenhamos um contrato realizado da forma mais segura possível, o que reduz a possibilidade de inadimplência, afirmou.Wânia Pôrto, diretora da Aciba, diz que a média de inadimplência em locação é baixa em Bauru, ficando em torno de 3%. Porém, ela diz que, muitos casos, são de pessoas que perderam o emprego e passaram por dificuldades.De acordo com Pegorin, as administradoras de imóveis estão buscando a negociação ao máximo, para evitar as ações de despejo. Segundo ele, os proprietários e as administradoras estão abertas à negociação. Apesar dessa disposição, o presidente da Aciba alerta aos inadimplentes que, caso não ocorra uma negociação em relação aos aluguéis atrasados, as ações de despejo podem ocorrer. 13.º salárioO delegado regional do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci), Giasone Albuquerque Cândia, destaca que a redução das ações de despejo está ligada à recuperação econômica pela qual o País passou no primeiro semestre. Ele destaca que o pagamento do aluguel está diretamente ligado à questão do emprego e o aumento de contratações detectado nas pesquisas favoreceu que muitos casos de atraso fossem acertados.Para Cândia, a aproximação do pagamento do 13.º salário está levando muitos inquilinos a procurar as imobiliárias para acertar débitos que foram acumulados ao longo do ano, como aluguel atrasado, contas de água e energia elétrica e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). O delegado do Creci diz que o fôlego proporcionado pelo 13.º salário será muito importante para que as pessoas coloquem sua vida em ordem, em relação ao aluguel.Cândia destaca que os inquilinos já começaram a procurar as imobiliárias para negociação dos débitos, deixando cheques pré-datados para dezembro, quando vão receber o 13.º. Com isso, destaca, muitas pendências estão sendo resolvidas.O delegado do Creci destaca que a maioria dos inquilinos busca sempre cumprir seus compromissos, evitando atrasar o pagamento de aluguel e de contas de água e energia elétrica. Para ele, o normal é que essas pessoas paguem em dia seus compromissos, mas, por problemas financeiros enfrentados acabaram sendo obrigadas a não honrar os pagamentos nas datas corretas.O crescimento da procura pelo pagamento de contas, aluguéis e tributos atrasados deve se intensificar nos próximos dias, com a aproximação do 13.º salário. O delegado do Creci diz que, de certa forma, isso é um alívio para as administradoras, já que nenhuma imobiliária gosta de promover ações de despejo, preferindo as negociações para que o proprietário e o inquilino possam chegar a um consenso, bom para ambas as partes.O economista e professor universitário Said Yusuf Abu Lawi acredita que a oferta de imóveis em Bauru, que ajustou o preço dos aluguéis na cidade, também colaborou para a queda nas ações de despejo por falta de pagamento.Said Yusuf disse que tem percebido um grande movimento de acordos entre inquilinos e imobiliárias, no sentido de evitar que se chegue às ações de despejo. Para ele, um acerto para pagamento ou desocupação rápida do imóvel é melhor do que os trâmites de uma ação. Faz o acerto para não passar pela Justiça, pois não compensa a dor de cabeça para o locador e o locatário, afirmou.

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