Não afirmo, interrogo, certo que muitos brasileiros estão surpresos com a batida do martelo que com 13 minutos de leilão, decidiu a venda da parcela leiloada, cerca de 60% do capital votante do banco Banespa. Este, vendido ao capital estrangeiro (Banco Santander), por R$ 7,050 bilhões, com ágio de 281,081% sobre o preço mínimo aberto pelo Banco Central em R$ 1,85 bilhão. Tanto como US$ 3,671 bilhões, ao câmbio do dia do leilão (20/11), na cotação de R$ 1,92/US$ 1. É bem verdade que a entrada de capital exterior no país provoca certa euforia (dentre os cidadãos menos céticos). Especialmente quando se busca desvencilhar-se dos problemas das empresas ou órgãos econômicos, em situação de ex-cessivos desmandos, gerados por más administrações públicas. O que talvez não seja (unicamente) o caso do Banespa. Isto é, no que diz respeito à sua longa vivência como empresa pública, atuando largamente no setor privado, porém, não imune às más administrações, ante os interesses de direção pública/majoritária. Contudo, não se pode descartar a importante atividade exercida pelo histórico Banespa. Um gigante, cuja sede impoluta aparece sobre os arranha-céus, no coração da capital paulista. Ali, em sua sede, o impoluto banco, sempre representou a maioria acionária de capital público. Contando com 572 agências espalhadas pelo Brasil e países vizinhos na América do Sul; com 22.511 funcionários (regiamente preparados); 771 postos de atendimentos, com cerca de 3 milhões de clientes. O gigante possui também (segundo dados publicados), patrimônio líquido de R$ 4,4 bilhões; R$ 28,9 bilhões de ativos financeiros e lucro de R$ 324, 2 bilhões. Histórico simplificado - Assim, o maior banco público de São Paulo (onde o Estado teve maioria acionista), já vivera tempos áureos que precederam às maculadas administrações a que estivera sujeito. Passou à má fase sofrendo crateras econômicas atribuídas a alguns dos governadores do Estado. Sucumbiu há alguns anos, foi vendido ao Governo Federal num acerto de contas, embora o governador Mário Covas, em vão o houvesse defendido com unhas e dentes. A partir daí, foi criada a ladainha das privatizações, que por sua vez gerou a guerra das liminares (produzindo incessantes ações jurídicas em vários foros da Justiça), seguidas de inúmeras manifestações públicas, complementadas com ataques de choro dos servidores: uns por tristeza, outros, na dúvida de manter-se no trabalho. Houve algo de estranho?...- Permitam-me os leitores amigos da coluna, quanto à interrogação apoiada no título de abertura e que volto a inserir. Tudo ocorreu tendo em vista a ultra, super e inédita velocidade com que foi o bater do martelo, em apenas 13 minutos da abertura do leilão, num piscar de olhos. Colírio para o leiloeiro Alexandre Runte, que abriu os trabalhos às 09h59 e às 10h12, homologou o vencedor; o banco Santander, por longa margem monetária em reais. O que me intriga - pensando neste fato - pode ser originário de três hipóteses: 1) Pela impoluta argúcia do reduzido número de bancos públicos, candidatos ao leilão arriscando na busca de um bom negócio interno com pouco gasto, segundo se esperava ocorrer. O reduzido número de candidatos ao leilão provocava incertezas; alguns dos bancos - como o Itaú - preferiram afastar-se a tempo, atitude que teria injetado mais dúvidas, embora pouco comentada na mídia. 2) O algo de estranho que alego, pode ser produto de uma combinada jogada de mestre. Esta - com número mínimo de bancos particulares brasileiros, o possante Bradesco seguido do Unibanco - mais o ministro da Economia e o presidente do Banco Central do Brasil (puxaram a brasa para nossa sardinha) contra apenas um banco do exterior, o Santander. Nossos representantes, certamente, correram em busca de boa colheita, na expectativa da entrada de capital estrangeiro no País. Fato que provocou surpresa geral pela grandeza inesperada. 3) Quem pode negar que os dois bancos brasileiros (assessorados por Malan e Armínio) tenham participado do leilão, apenas pró-forma, com ambas ofertas mínimas e irrisórias, sem forte razão para tal procedimento. O Bradesco com oferta de R$ 1,86 bilhões, contra o preço mínimo de R$ 1,85 bilhões (ágio de 0,54%), enquanto o Unibanco ofertou R$ 2,1 bilhões (ágio de 13,51%). Os dois bancos de casa (não levaram o leilão muito a sério) apostaram jogando pouco para ganhar muito em cima do custo baixo; se o Santander miasse...Fico por aqui. (*) José Almodova é professor-Mestre em Projeto, Arte e Sociedade. Foi professor da ITE e Unesp/Bauru. É jornalista e colaborador do JC. Escreve às quintas-feiras nesta coluna. E-mail: almodova@ig.com.br
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