O alagoano Francisco Marcelino da Silva, 50 anos, chegou ainda menino em Pereira Barreto. Como qualquer nordestino que vem para São Paulo tinha sonhos para realizar. Constituiu família, mas o casamento desabou. Motorista há muitos anos, saiu pelo mundo a pé e encontrou nas estradas uma válvula de escape para afogar suas mágoas. Por um destino da vida, trocou o volante pelas pernas, mas o cenário de asfalto perdido no horizonte continuou o mesmo.Uma de suas aventuras mais eletrizantes foi caminhar a pé de Campo Grande-MS a Cuiabá-MT, uma façanha de 700 quilômetros. Foram mais de dois meses parando em cidadezinhas de beira de estrada, patrimônios, enfrentando chuvas e muito calor. Prefiro as estradas do que viver na cidade, revela, enquanto saboreia um cigarro de palha. Silva chegou a Bauru vindo de Osvaldo Cruz na última sexta-feira. Não sabe quanto tempo vai ficar e nem qual será sua próxima parada.Seu colega de estrada, Olício Cardoso, 38 anos, também viveu aventura semelhante entre Tupi Paulista e Dracena. Ele, no entanto, faz restrições a esse tipo de vida. Faço porque não tem outro jeito. Acho perigoso demais. A gente passa muita fome e nem sempre há água para beber, relata. Cardoso também é motorista, mas está desempregado há mais de um ano. Quero voltar a trabalhar. A situação está muito difícil, avaliou.
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