Lideranças dos sem-terra, acampados em Pederneiras, e militares reuniram-se ontem para tratar da desocupaçãoPederneiras - Lideranças da Federação da Agricultura Familiar, vinculada à Central Única dos Trabalhadores, e o comando da Polícia Militar de Bauru estiveram reunidos, ontem à tarde, na sede do 4º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4º BPM/I), em Bauru, para tratar de uma possível desocupação de terras marcada para a próxima segunda-feira, dia 11.Desde o dia 15 de julho, aproximadamente 104 famílias estão acampadas em uma parte do horto florestal, em Pederneiras, e, se nenhuma outra decisão for tomada num sentido contrário, eles terão de desarmar seus barracos de lona e procurar um novo acampamento, a partir da próxima semana.Uma liminar, ordenando a reintegração de posse, foi expedida pela Procuradoria Regional do Estado, logo após a ocupação do horto. Porém, o cumprimento da ordem judicial esteve suspenso até que fossem providenciados os meios necessários para a remoção de todos os integrantes do acampamento.Com esses meios (ônibus, caminhão e ambulância) disponíveis, só resta aos militares oferecer garantias de que a ordem será cumprida. No entanto, lideranças dos integrantes de sem-terra irão tentar, ainda esta semana, junto ao Governo do Estado, reverter essa decisão judicial. Se a tentativa fracassar e a decisão for mantida, a desocupação deverá começar na segunda-feira, logo de manhã, a partir das 7 horas.Durante a reunião de ontem, ficou decidido que os sem-terra não oferecerão nenhum tipo de resistência, caso a liminar tenha mesmo que ser cumprida. Eles saem, porém, sem saber ao certo para aonde irão. Segundo um dos integrantes do acampamento, presente à reunião, Dirceu Vaz Vieira, eles ainda não definiram o local de um suposto novo acampamento. Ainda não sabemos para aonde vamos. Na verdade, não temos para aonde ir.Vieira chegou, até mesmo, a chorar, diante dos participantes da reunião, ao questionar qual seria o futuro dos acampados, mas principalmente das crianças. O Governo dá mais valor a um assassino do que àqueles que querem trabalhar. O criminoso tem comida todo dia, e nós, que queremos apenas terra para plantar e colher, não temos nada, desabafou.O tenente-coronel Eliseu Ecler Teixeira Borges, comandante do 4º BPM/I, lamentou toda essa situação, porém deixou bem claro que, numa eventual desocupação, estaria apenas cumprindo sua obrigação. Se até segunda-feira eu receber uma nova ordem judicial dizendo que a reintegração está suspensa, essa ordem também será cumprida, afirmou o comandante. Segundo Borges, será usado o mínimo possível de policiais durante uma provável desocupação. Com o acordo firmado nesta reunião, não vejo razão para um grande aparato policial. Apenas o mínimo necessário para se cumprir as formalidades da ação, disse o tenente-coronel.De acordo com o advogado Marcos Fernando Alves Moreira, que estava representando os sem-terra no encontro, hoje deverá ser feita uma petição ao juiz Gilmar Ferraz Garmes, da 1ª Vara Cível de Pederneiras, requisitando uma prorrogação no cumprimento da decisão judicial até que sejam finalizadas as negociações com o Governo do Estado, que começaram no último dia 2 de agosto.Também participaram da reunião de ontem, o major Carlos Alberto Daffetti Fantini, o diretor de base do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru, Jair de Oliveira, o diretor estadual da Central Única dos Trabalhadores, Flávio de Souza Gomes, e uma das líderes do acampamento, em Pederneiras, Maria Teresinha Pereira.
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