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Hotel Central sai de cena após 80 anos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Tradicional hotel fecha suas portas depois de servir como palco por décadas para reuniões da sociedade bauruenseUma parte da história de Bauru ficou mais pobre com o fechamento das portas do Hotel Central, estabelecimento que funcionou por cerca de 80 anos na quadra 5 da rua 1º de Agosto. Segundo informações do jornalista e historiador Luciano Dias Pires, coordenador do Instituto Histórico Antônio Eufrásio de Toledo, o Hotel Central foi construído e inaugurado no início da década de 20, provavelmente em 1921. Seu idealizador foi o italiano Fernando Zucchi, que chegou ao Brasil vindo de Ferrara. Trouxe na bagagem o sonho de ter um hotel. Seus irmãos, José e Jacob, já tinham um negócio no setor, em Amparo. Os dois eram especialistas na direção de hotéis de primeira categoria.O irmão recém-chegado da Itália aprendeu rápido as lições de como se dirige um hotel. Procurou uma cidade em fase de crescimento e descobriu Bauru, na fronteira do oeste do Estado com o sertão da noroeste. A única referência da cidade eram as ferrovias. Se havia trem, havia viajantes. E viajantes precisam de pouso e comida. Fernando Zucchi partiu para Bauru decidido a montar um hotel. E conseguiu. Para a época, a construção era um colosso: 60 quartos e 14 apartamentos.Por mais de quatro décadas o Hotel Central foi ponto de referência para os viajantes quando o assunto era atendimento de qualidade. Reuniões de todos os setores da sociedade bauruense eram realizadas no salão de jantar do estabelecimento. Era uma fase de banquetes fartos. A primeira reunião do Rotary Club de Bauru, fundado em 1936 pelo engenheiro Alfredo Castilho, diretor da antiga Noroeste do Brasil, foi realizada no hotel.Zucchi morreu em 1949, aos 70 anos de idade. A família continuou tocando o negócio. Na década de 60, com o surgimento de outros hotéis mais modernos, o Central foi perdendo aquele ar nostálgico que o cercou desde a sua fundação. Mas o velho prédio, no qual foi edificado os sonhos de Zucchi, continuou imponente na quadra 5 da 1.º de Agosto.Fora da lista do CodepacO prédio do Hotel Central não faz parte da lista de imóveis que foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Bauru (Codepac). A informação é do presidente do órgão, arquiteto Nilson Ghirardello, professor do Departamento de Arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp).Segundo ele, o prédio do hotel sofreu alterações em suas características primárias durante os últimos anos. A plastibanda - parede que encobre o telhado - foi alterada, sua ornamentação e revestimentos externos foram retirados, justificou.O arquiteto informou que os prédios de hotéis mais importantes para o Codepac já foram tombados, como os situados no quadrilátero da Praça Machado de Mello, entre os quais o Cariani. Mas acho importante conservarmos o prédio do Hotel Central. O Codepac está à disposição dos proprietários para ajudar no que for preciso, sugeriu.Ghirardello explicou que o prédio do Central tem características de arquitetura eclética, cujo auge pôde ser observado na Europa do final do século passado e início deste. Os prédios de arquitetura eclética têm ornamentações rebuscadas, baseadas em períodos históricos, entre os quais o Barroco e o Neoclássico.

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