Crianças com média de idade entre 3 e 12 anos são as principais vítimas de pais apavorados com o fantasma do desempregoO desemprego já é considerado a principal causa da prática de violência em crianças de famílias de baixa renda. A constatação foi feita pela formanda da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Samanta Francisca Marques. Durante um ano - de fevereiro de 99 a fevereiro de 2000 -, ela pesquisou, estudos e vivenciou com um grupo selecionado de famílias carentes, onde o desemprego se materializou e incorporou-se em pais que se transformaram em agentes agressores dos próprios filhos.O trabalho, orientado pela diretora da faculdade, Egle Muniz, arrebatou informações que traçam o perfil emocional e econômico de agressores e agredidos. Um dado revelador é de que do universo pesquisado - 12 famílias no total -, a mulher é o principal agente agressor contra crianças. Ela é a responsável por 75% dos registros de agressão doméstica praticada contra os filhos. Os homens estão enquadrados nos 25% restantes. Samanta também levantou a média de idade dos agentes: 59% estão na faixa dos 30 anos e 66% não concluíram o ensino fundamental.De acordo com a pesquisa, 42% das agressões são praticadas por mães que trabalham como empregadas domésticas e 25% como babás. Dezessete por cento são faxineiras, 8%, pedreiros, e 8% trabalham como auxiliar de serviços gerais. No ato da agressão, todos estavam desempregados. Dos entrevistados, 42% revelaram que praticaram a violência contra os filhos por desespero provocado pelo fantasma do desemprego; outros 17% por revolta. O nervosismo, a angústia e a baixo auto-estima figuram nos outros sentimentos revelados pelos pais. Sessenta e sete por cento das 12 famílias pesquisadas apontaram que a relação familiar piorou depois que ocorreu o desemprego.O trabalho revelou que 50% dos agressores estavam desempregados há mais de dois anos. A outra metade não conseguia um emprego fixo entre seis meses e dois anos.O Centro de Registros e Atenção aos Maus Tratos à Infância (Crami) - órgão vinculado a Faculdade de Serviço Social da ITE -, classifica a violência contra crianças em quatro tipos. A primeira é a física, que segundo Egle Muniz pode ser entendida como o emprego da força física de forma não acidental, causando-lhe diversos tipos de ferimentos e perpetrada por pais, mães, padrastos ou madrastas.A segunda violência mais identificada é a negligência e o abandono. São quando os responsáveis pelas crianças não lhes fornecem seus cuidados fundamentais, como alimentação, vestuário, segurança, saúde, higienem segurança, etc. A violência psicológica vem em seguida. Ela se revela no efeito severo causado sobre o comportamento e desenvolvimento emocional da criança, como conseqüência de uma rejeição ou de um problemático tratamento emocional. A violência sexual é uma realidade no contexto, embora no universo pesquisado pela formanda não tenha sido registrado nenhum caso.
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