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Derrotados reiniciam caminho de volta

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Políticos que perderam eleição afirmam que encaram última sessão do mandato como o fim de uma etapaA Câmara Municipal realiza amanhã a última sessão do atual Legislativo bauruense. Depois de quatro anos de mandato, 11 vereadores dizem adeus à tribuna e aos holofotes da TV Câmara de olho, em sua maioria, em continuar na política. Alguns não negam o interesse em voltar a se candidatar à vereança, outros, atentos à idade, dizem preferir a vida política dos bastidores.Esse é o caso de Futaro Sato (PMDB). Com 63 anos, o vereador acredita que já cumpriu o seu papel no Legislativo e entende que o momento é de descansar. Politicamente, quero continuar atuando dentro do partido, mas não penso em voltar à vereança. Meu ciclo terminou, é a hora de começar outro, afirma.Há 12 anos no Legislativo, Sato preocupa-se agora com a representatividade da colônia japonesa na Câmara. Depois de dez legislaturas, a de 2001-2004 será a primeira a não contar com um membro que represente as famílias nipônicas de Bauru. O momento é de pensar em lançar um candidato jovem e que garanta a representatividade da colônia, defende.Luiz Roberto Relvas (PDT) também planeja trabalhar com a juventude, mas investindo na carreira de professor e autor de livros. Tenho projetos interessantes voltados à cidadania e à educação sexual e quero aproveitar o fim do mandato para acelerá-los, conta.Apesar de não esconder seu descontentamento com o PDT e com o cenário político - de acordo com o vereador, hoje, para ser candidato, é preciso ter fiéis e não eleitores -, Relvas não quer sair da política. Gosto de política e quero me candidatar de novo, mas não pretendo fazer disso uma profissão. Se um dia voltar à Câmara, continuarei dando aulas, garante o vereador, que inicia curso de mestrado em 2001.Tranqüilo com a confiança de quem nunca usou a vereança como profissão, Salvador Afonso (PDT) afirma que termina o mandato com dignidade. Ser vereador é uma vida passageira. Não me sinto perdedor porque tive mais votos do que sete vereadores que entraram. Estou bem, contente com minha votação, tive apenas a infelicidade do partido, avalia.Apesar disso, Afonso garante que continua no PDT e que irá trabalhar para seu fortalecimento. Da mesma maneira, pretende utilizar os próximos quatro anos para se dedicar mais à família e as suas empresas. Vou me dedicar mais aos negócios. Esperar o que vai acontecer com o PDT e, claro, voltar a me candidatar, garante.Já Erlon Junqueira (PDT) sai do Legislativo sem a certeza de que um dia voltará a disputar uma cadeira na Câmara Municipal. O momento, analisa, é de esperar os resultados da reforma político-partidária, acompanhar os trabalhos do novo Legislativo e encarar a última sessão com naturalidade.Fiz a minha parte. Cumpri o mandato com dignidade. Trabalhei sempre com o objetivo de contribuir e para isso mantive posturas firmes. Houve muitos momentos difíceis mas, sobretudo, gratificantes. É muito triste sair, sem dúvida, mas faz parte do processo e estou feliz por ter podido atuar, afirma Junqueira.Sem saber se um dia voltará a ocupar uma cadeira na Câmara, a única certeza de Erlon Junqueira são os planos de retomar a pós-graduação. Sobre isso, o vereador planeja se matricular em um curso de mar-keting, interrompido em razão da vereança. A vida não pára e, como gosto, voltarei a estudar para me aperfeiçoar, comenta.Já Rubens Spíndola (PSDB) planeja se concentrar no seu escritório de advocacia e nos projetos políticos do partido para 2002. Presidente do diretório municipal tucano, o vereador garante que, depois da sessão da amanhã, não deixará de cuidar dos interesses da cidade. Quantos começam e quantos terminam a cada legislatura? Estou consciente do que aconteceu comigo. Não obtive votos necessários para eleger-me porque dividi a minha base. Cometi equívocos e, como é natural em política, estou recebendo pelo resultando disso. Portanto, amanhã não será dia de choradeira. Vou usar a tribuna para falar de interesses factuais. Me dedicarei à pauta de votação, assegura.Rogério Medina (PTB) ainda não sabe se usará a tribuna em sua última sessão como vereador. Da mesma maneira, avalia ser cedo dizer se voltará a se candidatar. O que sei é que estou muito feliz por ter sido vereador e contente em retornar ao meu trabalho original, na Prefeitura, conclui.Pauta da última sessãoA pauta da última sessão da Câmara Municipal, que será realizada amanhã, contém 27 projetos de lei e duas moções de aplauso. Esta será a 40.ª sessão ordinária e a 26.ª sessão extraordinária do Legislativo bauruense em 2000.Entre os projetos de lei, os vereadores avaliarão a polêmica proposta que dispõe sobre as atividades dos ambulantes e permissionários; a instalação de equipamentos urbanos com exploração de publicidade e outra que facilita a aquisição de passes a título de vale-transporte.A pauta da sessão inclui ainda seis projetos de lei referentes à doação de terrenos e 12 propostas de denominação de logradouros públicos e escolas municipais. Os vereadores votam também duas moções de aplauso, sendo uma para o judoca Mário Sabino e outra à Liga de Futebol Amador de Bauru.

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