Geral

Bauru tem 315 mil habitantes

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O Censo-2000 do IBGE revelou que Bauru tem 315.835 habitantes. A taxa de crescimento populacional está caindoA estimativa populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), que era de 313.670 habitantes, foi superada, mas Bauru não chegou aos 330 mil moradores que muitos arriscaram dizer que a cidade tinha. Números extra-oficiais preliminares do Censo-2000, divulgados ontem aos membros da comissão censitária na cidade, revelam que Bauru tem 315.835 habitantes.A cidade cresceu 7,9% desde a última contagem de população, feita pelo IBGE em 1996 e atualizada em 1997. A população saltou de 292.566, desde a última contagem, para 315.835 habitantes neste ano. Portanto, em quatro anos, a cidade ganhou 23.269 novos habitantes, incluindo aí os nascimentos e os imigrantes.Bauru, comparada a cidades da região, teve um crescimento dentro da média. Botucatu, por exemplo, cresceu 5,4% entre o último censo e o deste ano; Lençóis Paulista cresceu 8,1%; Barra Bonita cresceu 7,7%. A surpresa foi Areiópolis (cidade próxima a São Manuel), que cresceu 51%. No entanto, outras cidades da região tiveram a população reduzida. Agudos tinha 32.892 habitantes na última contagem populacional e agora está com 32.267 habitantes (-1,9%); Igaraçu do Tietê caiu de 23.077 para 22.605 habitantes (-2%) e Macatuba caiu de 16.024 para 15.716 (1,9%).A taxa de crescimento de Bauru, a exemplo do que vem ocorrendo em todo o Brasil, está caindo. Isso, talvez, explique o fato de a cidade ainda não ter chegado aos 330 mil habitantes em 2000, o que era esperado por muitos. A secretária municipal do Planejamento (Seplan), Maria Helena Rigitano, lembrou que a taxa de crescimento prevista para Bauru na década de 80 era de 3,17 ao ano. O censo de 1991 já registrou a queda na taxa de crescimento da cidade e os dados do censo deste ano mostram que a tendência continua. A cidade continua crescendo, mas em ritmo mais lento que na década de 80. Foram feitas pesquisas em favelas, inclusive, que mostraram que o número de pessoas por família ficava em torno de 4,1 e 4,3, disse Maria Helena. A taxa de crescimento entre 1996 e este ano foi de 1,97% ao ano, somando 7,9% em quatro anos. Mesmo com a taxa de crescimento em queda, Bauru, em quatro anos, cresceu quase o equivalente à população de Igaraçu do Tietê. Outra tendência, que o Censo-2000 deve confirmar, é do envelhecimento da população.O IBGE deve divulgar o resultado oficial do censo, com todos os dados, na próxima sexta-feira ou sábado. O JC obteve os números preliminares ontem com o vereador Leandro Martins (PPB), que representa a Câmara Municipal na comissão censitária - a comissão é formada por representantes de vários órgãos e setores da sociedade, incluindo Prefeitura e Polícia Militar. Os números preliminares divulgados ontem não incluem população por faixa etária e outros dados, que devem ser divulgados em breve. A coordenadora de área do Censo-2000, Matilde Tabanez dos Santos Pereira, disse que dificilmente os dados preliminares sofrerão alterações.Censo mostra que área central se esvaziouOs dados preliminares do Censo-2000 em Bauru mostram que a área central, abrangendo bairros mais antigos, como Vila Falcão, Bela Vista, Jardim Santana, Parque Vista Alegre, Vila Cardia e Altos da Cidade, sofreu um esvaziamento. Em contrapartida, o censo observou aumento da população em áreas periféricas e também a expansão do comércio em direção aos bairros.A fuga de moradores dos bairros mais centrais para outras regiões da cidade já havia sido constatada por diversos setores da sociedade, como a secretária do Planejamento, Maria Helena Rigitano, e o presidente do Sindicato do Comércio Varejista, Walace Sampaio. Na edição de domingo passado do JC, Sampaio defendeu o incentivo à volta dos moradores para a área central, como uma forma de revitalizar o comércio naquela região.A fuga dos moradores da área central para outras regiões é uma tendência atual das cidades em geral, segundo Maria Helena. À medida que o centro se transforma em área comercial, aumenta o custo da moradia e surgem problemas como barulho e falta de lugar para estacionar. No caso de Bauru, o centro já experimenta um desgaste, visto em prédios antigos e mal conservados.Com isso, conforme explicou Maria Helena, as classes médias e alta, buscando melhoria na qualidade de vida, mudam-se para bairros e condomínios onde possam ter residências maiores, com área verde e mais sossego. As classes mais baixas, por sua vez, acabam migrando para bairros periféricos, principalmente casas de núcleos habitacionais, que custam menos. A Seplan, preocupada com o esvaziamento da área central, está discutindo uma nova lei de zoneamento para a cidade. Uma das questões que vem sendo tratada é o incentivo a edifícios residenciais na área central de Bauru. Esse incentivo poderá ser dado através de autorização para construção de prédios residenciais mais altos e até uma possível isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).De acordo com a análise do Censo-2000, bairros como Parque Jaraguá, Fortunato Rocha Lima, Parque Real, Parque Roosevelt, Ferradura Mirim, Pousada da Esperança e Jardim Chapadão, estão superpovoados. São regiões onde os terrenos são mais baratos. O IBGE também verificou que em bairros distantes do centro a população vive em condições precárias, sem energia elétrica, saneamento básico, escola e saúde, como no Jardim Manchester, Pousada da Esperança, Parque das Nações, Jardim Samburá e Jardim Andorfato.

Comentários

Comentários