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Advogados são um terço da Câmara

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Para os eleitos, experiência profissional contribui para atuação no Legislativo; conhecimento de leis é visto como secundárioUm terço das cadeiras da Câmara Municipal para o mandato de 2001-2004 serão ocupadas por bacharéis em direito. Apesar da maioria não ter atuado na advocacia, muitos concordam que o conhecimento das leis contribui ou ajudará no trabalho legislativo, uma vez que são áreas comuns.Esse é o entendimento de José Walter Lelo Rodrigues (PTB). A carreira legislativa chama quem está ligado à área jurídica. Como são áreas correlatas, acredito que o advogado se sinta atraído por atuar no Poder Legislativo. É como se a Câmara fosse um chamariz para a vida pública, acredita.Apesar de contar com a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lelo nunca exerceu a profissão. Em seu currículo constam funções como comerciário, escriturário, faturista e servidor público, que foi como se aposentou pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOB-USP), após anos de serviços.E foi do trabalho na biblioteca da instituição que o petebista diz ter tirado a maior parte das experiências para atuar no Legislativo. O contato com o público é algo enriquecedor. Aprendi muito e utilizo isso na vida pública, garante.Também bacharel em Direito, Faria Neto (PDT) afirma que a maior contribuição para sua atuação como político tem vindo do rádio e da TV, veículos nos quais atua desde a década de 60. Por meio dos programas, conheço muita gente e muitas realidades também. No caso da televisão, outro benefício é a visibilidade, que ajuda muito politicamente, como aconteceu na última eleição, reconhece.O grupo de vereadores formados em Direito inclui ainda José Carlos Pereira Batata (PT), Toninho Garmes (PSDB), Milton Dota Junior (PPS), José Clemente Rezende (PPS), José Eduardo Ávila (PPB), Roberto Bueno (PTB) e Paulo Eduardo Martins Neto (PFL), mas nem todos atuam na área. Em breve, a turma deverá receber outro agregado: Rodrigo Agostinho (PMDB), que faz o curso na Instituição Toledo de Ensino (ITE).Entre os bacharéis, Garmes é o parlamentar com a mais ampla experiência em Direito. O tucano já teve escritório de advocacia, foi delegado de polícia, consultor jurídico da Câmara Municipal e juiz. Atualmente, prefere se dedicar integralmente à vereança.Não tenho condições de ser vereador e advogado ao mesmo tempo, porque me dedico demais a tudo que faço e a carga de trabalho de parlamentar é estafante. Como sou muito requisitado para consultas e encaminhamentos, prefiro me empenhar como vereador, assume Garmes.Apesar de avaliar que a sua formação jurídica contribui para a atividade parlamentar, Garmes afirma que a profissão que mais o enriqueceu como ser humano foi o magistério. O tucano foi professor da rede estadual de ensino entre os anos de 1962 e 1969, período no qual ministrou aulas a crianças de 7 a 10 anos. Ser professor é um cargo dignificante, um verdadeiro sacerdócio. Você leva saber, dá luzes às pessoas e encaminha as crianças à honestidade. Tive professores que reconheço como ídolos até hoje, comenta Garmes, que diz agradecer a Deus por tê-los colocado em sua vida, assim como seus pais.Apesar da formação ampla, que inclui o antigo curso Normal (hoje Magistério) e a faculdade de Direito, Garmes avalia que não é necessário ser muito letrado para atuar na vereança. Um vereador não pode ser analfabeto, mas a inteligência não é privilégio dos letrados. Já fui surpreendido com idéias muito boas passadas por gente simples. Para atuar na Câmara Municipal é preciso bom senso e humildade, como forma a favorecer o diálogo e o questionamento, ensina, como bom professor.Novo Legislativo de Bauru tem perfil profissional tradicionalO perfil profissional do novo Legislativo bauruense é amplo. Apesar disso, a maior parte dos vereadores eleitos está ligada a setores tradicionais da sociedade, como comércio, advocacia e funcionalismo público (veja quadro nesta página).A novidade é a presença de um apresentador de televisão entre os novos vereadores, o pedetista Faria Neto. Há ainda um microempresário, o petebista Roberto Bueno, dois corretores de imóveis (o pedetista João Parreira de Miranda e o pefelista Osvaldo Paquito) e dois estudantes universitários (Renato Purini, do PDT, e Rodrigo Agostinho, do PMDB).Nessa nova legislatura, aumentou para dois o número de vereadores-pastores. Esse é o caso de Luiz de Jesus (PDT), que atua como pastor da Universal do Reino de Deus. Com 1.º grau, o pedetista acredita que sua atividade junto á área social da igreja o ajudará na atividade parlamentar.Tenho muito contato com as pessoas e sei quais são as necessidades da população. Estou atento à voz da povo, garante o pastor Luiz de Jesus, que contará com a assessoria de um advogado ligado à igreja para atuar na Câmara Municipal.Engenheiro civil com especialização em ferrovias e pastor da Igreja Quadrangular Independente, Luiz Carlos Valle (PDT) avalia que suas duas atividades auxiliam no trabalho de vereador.Como engenheiro, tenho facilidade para analisar peças orçamentárias e projetos técnicos do Executivo. Já por ser pastor e ter contato com milhares de pessoas, desenvolvi carisma e técnicas de comunicação para atuar na parte de assistência social. Entendo, no entanto, que qualquer um pode ser vereador, desde que seja sensível à vontade e às necessidades da população, pondera.

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