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Moti alimenta esperanças no Ano Novo

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Em um ritual que acontece há mais de 40 anos, cerca de 50 japoneses da Igreja Budista de Bauru se reuniram, ontem, para produzir o moti, bolinho de arroz cozido, servido como primeira refeição do dia 1 de janeiro. No total, 60 quilos de arroz foram preparados para atender a demanda de pedidos da colônia japonesa.Segundo a tradição milenar, o moti deve ser comido logo ao acordar. Para amolecê-lo, os japoneses o colocam dentro de um prato de sopa, o ozzonin, feito de algas marinhas. É uma sopa da sorte, boa para comer no Ano Novo, diz a dona de casa Mirian Akemi, 35 anos, voluntária da Igreja Budista.Mirian não é budista, mas participou pela primeira vez da produção do moti para substituir a mãe, que estava doente, e acompanhar o pai, o agricultor aposentado Tokio Yanase. É importante manter a tradição para os descendentes não esquecerem a história da colônia japonesa, afirma.Yanase, por sua vez, já esqueceu o número de vezes que produziu o moti. Ele aprendeu a fazer o bolinho de arroz com seus pais, que receberam ensinamentos de seus avós, e eles de seus antepassados. Calcula-se que o alimento tem mais de 2.000 anos de existência, sendo original da China e da Coréia.Antes, os japoneses utilizavam uma vara ou um pilão para amassar o arroz cozido. Há alguns anos, no entanto, os membros da colônia japonesa substituíram a vara por um moderno processador, importado do Japão, capaz de processar cinco quilos de arroz de uma só vez.Comandando cada etapa da produção está o farmacêutico aposentado Kiuroku Sasaki, 80 anos. Enérgico, Sasaki exige silêncio e higiene para se manipular a massa. Todas as orientações são passadas em língua japonesa.Por falar pouco o idioma, a dona de casa Yassuko Matsumoto, 67 anos, fica atenta aos gestos para poder ajudar na produção do moti. Católica, Yassuko participa do ritual por respeito à memória da sogra, uma das fundadoras do atual templo da Igreja Budista. Para não tirar o nome da família, venho todos os anos, conta.Apesar de ser uma obrigação familiar, Yassuko garante que produz o moti por prazer. É uma tradição japonesa e é importante mantê-la. Além disso, não cansa porque fazemos tudo em mutirão, explica.ProduçãoTodos os anos, os cerca de 50 voluntários chegam cedo à Igreja Budista, localizada na Vila Independência. Ontem, por volta das 5 horas, eles já haviam iniciado o cozimento do moticome, arroz específico para a produção do moti. O cereal é levado ao fogo por 45 minutos, depois de ter permanecido de molho durante a noite.Em razão do fogo sob as panelas, o calor nos fundos da igreja, onde é produzido o moti, é intenso. Mesmo assim, cerca de 30 pessoas aguardam impassíveis o final do cozimento e posterior processamento da massa, por oito minutos, para moldar os bolinhos.Cada 5 quilos de massa são retirados do processador ainda quentes e colocados em uma grande mesa, onde são abertos sobre o amido, ganhando em seguida a forma de bolinhas chatas. Depois, os bolinhos seguem para a parte da frente da igreja, onde são ensacados.Cada quilo de moti custa R$ 6,00 e é disputado com dias de antecedência por membros de famílias da colônia japonesas. Dificilmente se consegue comprar os bolinhos sem antes tê-los encomendado. Ontem, às 15 horas, os 60 quilos do alimento já haviam sido comercializados.Por ser um alimento sagrado, uma oferenda a Deus, as famílias não deixam faltar moti no Ano Novo. Além disso, por ser difícil fazê-los, elas preferem comprar os bolinhos logo cedo. Não sobra nada, afirma Kiuroku Sasaki.

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