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Nilson revive o romantismo político

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Taxado de comunista nos anos 60, prefeito visitou Cuba no auge da Revolução Castrista e foi cassado pelo Regime MilitarO resgate da política romântica, balizada nos anos 50 por adhemaristas e janistas, tomou conta do então nostálgico candidato a prefeito Nilson Costa (PPS) nos últimos dois meses de campanha à Prefeitura. Entusiasmado, como se tivesse sob o efeito de uma overdose de flash-back, ele diz que reviveu o idealismo e a fidelidade político-partidária nesse período, componentes ideológicos hoje considerados descartáveis no mundo globalizado.O que mais me agradou na campanha foi reviver a política romântica. Sem apoio do poder econômico, sem apoio político e sem apoio da mídia, conseguimos nos reeleger, acredita, completando que atingiu esse objetivo sem abrir mão de suas convicções e sem conspirar contra os interesses coletivos. O prefeito teve uma infância pobre. Seu pai, Joaquim Ferreira da Costa, era barbeiro, e a mãe, Etelvina Ferreira Cunha, cuidava de uma pensão. Barbearia e pensão estavam instalados no mesmo prédio, em frente à praça Rui Barbosa.Seu ingresso na política ocorreu aos 24 anos de idade, quando foi eleito vereador. Além de exercer o mandato, Nilson Costa trabalhava na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e, à noite, corria para os altos do Jardim Bela Vista, onde encarava os microfones da antiga PRG-8. Também já atuava como jornalista. No início dos anos 60, é eleito presidente da Associação dos Funcionários da Noroeste do Brasil. Antes, presidiu a cooperativa dos ferroviários.Esse mix de jornalista, vereador e sindicalista despertou a atenção dos militares, que assumiram o poder em 1964. Um ano antes, ele foi a Cuba, no auge da Revolução Castrista, com uma comitiva de sindicalistas. Suplente de deputado, ele assume uma vaga na Assembléia em 1964. Na eleição de 66, candidata-se novamente, mas não assume porque teve seus direitos políticos cassados por dez anos. É aposentado compulsoriamente da ferrovia.Fiquei meio cidadão. Podia depositar dinheiro no banco, mas estava proibido de contrair empréstimos, lembra. Nesse período de ausência na política, ajudou a fundar o Jornal da Cidade em parceria com um grupo de empresários, entre os quais Alcides Franciscato, de onde se afastou em 1996. Só retorna à vida pública em 1982, quando disputa e perde a Prefeitura. Na eleição de 88, tenta eleger-se, sem sucesso, à Câmara Municipal. Quatro anos depois, é lançado candidato a vice-prefeito, dobrando com o vereador Salvador Afonso. A dobradinha não vinga.DestinoFoi na eleição de 1996, na condição de vice de Antonio Izzo Filho, que Nilson é guindado ao poder. No dia 28 de agosto de 1998 é empossado prefeito, após a cassação de Izzo. Ele assume o comando de uma cidade desgastada política e economicamente. Precisou de alguns meses para desvincular sua imagem a do ex-prefeito, com quem cortou relações depois de fazer denúncias de cobrança de propina na administração municipal.Na última eleição municipal, seu nome não despontou como um provável finalista. O páreo, até a reta final, ficou entre Tuga Angerami (PSB) e Pedro Tobias (PDT). Os dois foram vencidos e a pecha de tartaruga, que ganhou durante sua administração, foi valorizada, prevalecendo o velho ditado devagar e sempre. Me chamam de tartaruga, mas qual outro dirigente conseguiria reverter esse quadro de caos e ruína pelo qual passou a cidade?, pergunta.Entre as grandes realizações dos primeiros dois anos de mandato, o prefeito destaca a federalização da dívida da Prefeitura, que possibilitou, segundo suas contas, uma economia aos cofres públicos de cerca de R$ 15 milhões só em 2000. Costa também lembra com entusiasmo a viabilização do megaempreendimento envolvendo o Bauru Shopping Center, o Grupo Savoy e a rede Wal-Mart.Pelo vigéssimo segundo mês consecutivo estamos pagando em dia o salário dos servidores públicos municipais. Recuperamos a auto-estima.DesafiosPara o próximo mandato, que se inicia amanhã, o prefeito Nilson Costa diz que pretende colocar em prática um pensamento finlandês. Melhor um presente pequeno do que uma grande promessa, conta. Ele diz que faz parte de seus planos terminar o viaduto que ligará as avenidas Nuno de Assis e Alfredo Maia, passando sobre os trilhos da Ferrovia Novoeste S/A.Dois outros grandes desafios esperam pelo prefeito. O primeiro é a viabilização das estações de tratamento de esgoto, cujo projeto final já está em fase de discussão. O segundo é devolver à cidade as condições de trafegabilidade. Vamos, em breve, iniciar um processo de recuperação asfáltica no Município, promete.Também faz parte de seus planos a implantação da gestão plena de saúde, municipalizando todo o processo de atendimento da população. Nilson pretende, ainda, viabilizar a municipalização do ensino, atraindo para a Prefeitura a responsabilidade na condução do destino de mais de 40 mil estudantes.Para prefeito, o caos faz parte do passadoO prefeito Nilson Costa (PPS) diz, com convicção, que a situação caótica do Município está afastada de vez. Ele lembrou que no final de 1998, logo após o ex-prefeito Antonio Izzo Filho ter retornado à Prefeitura, a situação era de ingovernabilidade.Os recursos da Prefeitura estavam bloqueados, os bairros sofriam com lama e 50 mil buracos e a arrecadação oriunda do IPTU e IPVA estava ameaçada por força de medida liminar. O atual prefeito relata que, até mesmo os vales-compras eram distribuídos com atraso e o pagamento do 13.º salário era uma incerteza.No rastro dos cofres públicos estavam os bancos BMG e BMC, que cobravam dívidas contraídas através de Antecipação de Receita Orçamentária (ARO). Para piorar a situação, os supermercados não aceitavam os vales-compra dos servidores. No dia 29 de dezembro de 98, a Prefeitura estava pagando a terceira parcela do salário de novembro, lembra.O prefeito faz um comparativo dessa situação de caos com o quadro atual da Prefeitura. Hoje, todos os supermercados, com exceção do Wal-Mart que não vende a prazo, aceitam os vales. A situação melhorou muito. Nilson destacou, ainda, que o servidor passou o final de ano já com o salário debitado em sua conta corrente.A categoria recebeu o 13.º salário no último dia 20, o vale-compra, no dia 15, e pagamos, no dia 22, o abono de Natal. O prefeito informou que até mesmo a dívida da Unimed, que chegou a casa dos R$ 2 milhões, está praticamente quitada. Só restaram cerca de R$ 500 mil que serão pagos em janeiro e fevereiro. Radiografia Nome: Nilson Ferreira CostaIdade: 71 anosProfissão: jornalistaPartido: PPSEstado civil: casado, quatro filhosEscolaridade: universitáriaReligião: católicaSonho político: não temSonho de consumo: não temLivro de cabeceira: Política e Coragem, de John KennedyTrilha sonora: Doutor JivagoFilme: Doutor JivagoÍdolo: Gandhi

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