O Brasil precisa de um programa efetivo de conservação de energia para evitar investimentos na construção de unidades geradoras. O jornalista Washington Novaes, especialista na área, destaca que estudos internacionais mostram que custa cinco vezes menos economizar um quiloWatt (KW) de energia do que produzir esse mesmo KW novo.Novaes diz que é possível realizar trabalhos para evitar o crescimento do consumo de energia elétrica. Ele cita o exemplo dos Estados Unidos que, entre 1973 e 1988, depois do choque do petróleo, desenvolveram um grande programa de conservação de energia. Naquele período, embora a economia norte-americana tivesse crescido quase 40% e o número de residências tivesse aumentado significativamente, não houve acréscimo de um só KW no consumo de energia.O jornalista prega que o País deveria incentivar a produção e o uso de aparelhos mais eficientes, para redução de consumo, como TVs e lâmpadas que gastem menos energia, como é o caso das fluorescentes compactas que têm um investimento inicial mais alto, mas proporcionam grande economia no consumo. Além disso, Novaes diz que a troca de horários de atividades das empresas, por exemplo, poderia ser adotada, já que o horário de ponta está restrito a três horas por dia, entre 18 e 21 horas, enquanto na madrugada há sobra de energia. Poderia colocar algumas atividades para funcionar nesses horários, afirmou.A implantação de tarifas diferenciadas - mais caras - para quem utiliza chuveiro elétrico no horário de ponta, segundo ele, seria outra forma de reduzir o consumo no horário crítico.Novaes diz que o orçamento do Programa de Conservação de Energia Elétrica (Procel) é reduzido. Para ele, seria interessante que houvesse um gasto maior, pois é uma aposta na educação e na formação de cidadãos mais conscientes.LobbyNovaes ironiza que há cerca de 20 anos se anuncia que haverá blecaute e apagão, pela falta de energia, mas a situação não se consolida, sempre com a justificativa de que de que a economia não cresceu o previsto ou que as chuvas foram boas e o nível dos reservatórios ficou acima do esperado. Porém, ele atribui essas notícias a um lobby dos grupos interessados na construção de usinas, que ele chama de lobby das barrageiras. O jornalista chama a atenção para os problemas ambientais trazidos pela introdução de uma usina em uma região, seja hidrelétrica ou termelétrica. Novaes diz que o aproveitamento da energia solar ou da eólica é pouco difundido em razão do custo mais alto. Mas, lembra que, é preciso computar o custo em outros formatos, como a poluição provocada pela queima de derivados de petróleo. Então, é preciso fazer essa contabilidade de custos para saber qual é a competição real, afirmou.Novaes denuncia que o Brasil ainda subsidia a produção dos chamados eletro-intensivos, como alumínio, silício e ferro gusa, que são produtos que exigem uma alta carga de energia para transformação. O subsídio, dependendo da empresa, varia entre 25% e 66% do custo. No alumínio, por exemplo, a energia representa 47% do custo final. Segundo ele, a Eletronorte chegou a ter prejuízo de R$ 300 milhões em um ano, por conta desses subsídios. Países do Primeiro Mundo, como o Japão, estão evitando fazer esse tipo de produto, já que o custo ambiental é muito alto. É o custo da energia elétrica e o ambiental. Nós, não só ficamos com esse custo, como subsidiamos, afirmou. O que é o ProcelO Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) é um programa de governo voltado para o combate ao desperdício de energia elétrica. Instituído em dezembro de 1985 e implantado no ano seguinte, o Procel é coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, cabendo à Eletrobrás o controle de sua execução.O principal objetivo do é combater o desperdício de energia elétrica, tanto no lado da produção como no do consumo, concorrendo para a melhoria da qualidade de produtos e serviços, reduzindo os impactos ambientais e fomentando à criação de empregos. Para isso, o Procel está desenvolvendo projetos nas mais diversas áreas.As metas de longo prazo do Procel estão consignadas no Plano 2015. Prevêem uma redução de demanda da ordem de 130 bilhões de KWh em 2015, evitando a instalação de 25.000MW (cerca de duas usinas de Itaipu). O ganho líquido para o País será de R$ 34 bilhões.
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