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Tecnologia e lazer serão destaques no séc. XXI

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 7 min

Atualmente, novas carreiras e oportunidades têm surgido da noite para o dia, num ritmo inédito na História da humanidade. Diante desse quadro, uma pergunta se torna inevitável: que surpresas o século XXI reserva para o mercado de trabalho? 2001 está quase chegando mas as tendências de profissões no futuro já podem ser vistas atualmente. Em linhas gerais, as atividades que lidarem com trabalhos manuais e habilidades muito específicas tendem a desaparecer ou se alterar profundamente no próximo milênio, enquanto aos setores de alta tecnologia, lazer e biotecnologia devem ser os grandes geradores de empregos e novas profissões.De acordo com a consultora em recursos humanos Maria José Conde Cortez, o futuro deve ser bastante favorável para os setores que lidam com informática e lazer, em especial o turismo, ao mesmo tempo em que deve ser cruel com atividades muito específicas, como as funções de secretária ou recepcionista, por exemplo.A informática ainda é a grande tendência para o novo século, diz a consultora. Segundo ela, dentro desse filão, a Internet ainda é a maior vedete, mesmo após o insucesso de muitas pessoas que acreditaram que fariam fortuna na rede de uma hora para outra, nos últimos anos. Foram pessoas despreparadas que acharam que iriam enriquecer, mas não tinha experiência no meio, explica. Para Cortez, hoje as pessoas já estão cientes dos riscos da Internet e bem mais preparadas para enfrentar o mercado nessa área, que deve continuar se expandindo com o avanço da tecnologia. O administrador de empresas e especialista em marketing Paulo Araújo confirma a tendência de expansão nas áreas de alta tecnologia e aponta uma fusão da biologia com a tecnologia como um novo setor que deve gerar muitos empregos. É também o que diz o economista norte-americano Jeremy Rifkin, no livro O Século da Biotecnologia, no qual afirma que o próximo século será dominado por uma união da biologia com a informação, uma união que deve ser bombástica e alterar a vida de pessoas no mundo todo, de diversas maneiras. Um exemplo da bioeconomia em ação vai poder visto quando a Celera Genomics, empresa norte-americana que tenta decifrar o código genético humano, terminar o seu trabalho por completo. Isso possibilitará o desenvolvimento e a aplicação de remédios contra doenças até agora incuráveis ou difíceis de combater, o que movimentará bastante o mercado de química e medicamentos, dominado por algumas multinacionais. Mas, mais do que a área de medicamentos, a bioeconomia, segundo Rifkin, deve agitar o setor de alimentos (com os transgênicos) e a agricultura (muitas espécies de vegetais poderão ser feitas em laboratório), entre outras. A aposta é que surjam os bioprofissionais, pessoas que englobem conhecimentos técnicos e também uma série de outras habilidades, além de uma visão estratégica e de uma predisposição para o aprendizado. Tempo para relaxarO setor do lazer e do entretenimento também deve ampliar bastante sua área de atuação no próximo século, garante Maria José Conde Cortez. Segundo ela, a tendência é que, no futuro próximo, exista uma preocupação maior com a qualidade de vida do trabalhador. A rapidez e a evolução das coisas atualmente mexem com o conteúdo interno das pessoas que acabam ficando estressadas. Até 2005, essa pressão, essa corrida do dia-a-dia deve diminuir e as pessoas vão começar a pensar em gastar mais com lazer porque vão precisar, afirma a psicóloga. Além da preocupação com o estresse, as áreas que envolvem lazer e entretenimento, como a hotelaria, a gastronomia e o turismo sofrem com uma carência de profissionais. Faltam pessoas para gerenciar e planejar o turismo no País e nas cidades. Paulo Araújo aponta o setor do turismo no Brasil como um dos grandes filões para o próximo século, porque o País ainda também não tem infra-estrutura para valorizar o seu potencial turístico, mas está começando criar isso agora. Até 2002, devem ser criadas 500 mil vagas na área de turismo no Brasil, diz. Essa expansão não é um fenômeno nacional. Segundo John Nasbitt, autor do livro Paradoxo Global, setor turístico já produz 10,2% do produto nacional bruto mundial e emprega 204 milhões de pessoas (uma em cada nove). De tudo o que se consome no mundo, 10,9% são consumidos com turismo.Outras habilidadesO século XXI também deverá marcar o fim de certas atividades ou, pelo menos, provocar alterações nos seus conceitos. As profissões que envolvam trabalho manual devem acabar por causa da tecnologia, afirma Paulo Araújo. É um processo que pôde ser sentido nas linhas de montagem das indústrias automotivas e de eletrônicos nas décadas de 80 e 90 e que deve se intensificar a partir de 2001. Outras profissões com os dias contados são as específicas, na qual a pessoa desenvolve apenas algumas funções básicas. As empresas estão enxugando os seus quadros e, com isso, eliminando os cargos menos importantes e interessantes, diz Maria José Conde Cortez. Para ela, profissões como secretária, recepcionista e cargos de chefia média tendem a desaparecer. A explicação é a exigência do mercado por pessoas que sejam polivalentes e não desenvolvam uma função apenas. Uma recepcionista, por exemplo, não vai mais poder apenas atender as pessoas, ela deve saber desempenhar também as atividades de secretária e entender de informática e outras línguas. Na realidade a função não acaba, mas se transforma, e as pessoas vão ter que acompanhar essa transformação se quiserem se manter no emprego, diz Paulo Araújo. Ele cita o setor do turismo também como exemplo: No futuro, os hotéis devem ser self-service, ninguém vai estacionar o seu carro, carregar suas malas ou passar sua roupa, mas um recepcionista vai existir e ele deve ser poliglota, entender de turismo na região e ser capaz de suprir o hóspede com todas as informações que ele precisar. Ou seja, serão menos funcionários, mas os que estarão trabalhando vão ser muito bem preparados, explica.E as profissões convencionais?A Internet e a bioeconomia estão cercados de otimismo, mas e as profissões tradicionais? Atividades como médico, engenheiro ou administrador de empresas vão continuar existindo, claro, mas os profissionais terão de mudar o seu perfil para sobreviverem às mudanças do novo milênio.Engenharia - Até alguns anos atrás o engenheiro precisava de uma especialização. Seu título exigia um complemento: civil, elétrico, mecânico, naval, químico, etc. Atualmente existe uma grande demanda por engenheiros de produção (que cuidam da gestão da produção industrial) e dos engenheiros eletroeletrônico (por causa do avanço das telecomunicações e Internet). Esses segmentos devem continuar valorizados, mas o que deve mudar a formação do profissional. As universidades não terão mais o papel de formar pessoas altamente especilizadas. As empresas farão isso. O resultado é que o perfil do engenheiro valorizado e requisitado no futuro será o do profissional generalista, que possua uma boa base científica e humanista e conhecimentos de cidadania.Direito - Como na engenharia, a especialização é fundamental nessa área. A novidade é que, ao contrário das outras profissões, nas quais o profissional vai buscar ser mais amplo, o advogado vai ter de se especializar cada vez mais em uma área. A culpa é da quantidade de conhecimento que é exigido porque o mercado se ampliou muito. Nenhum advogado no futuro vai poder se gabar de defender casos de todos os tipos. A demanda deve ser muito grande por profissionais especialistas em comércio exterior e direito internacional, por causa da globalização da economia e da formação dos grandes blocos econômicos.Medicina - Esse setor será muito influenciado pelos avanços tecnológicos e científicos e os profissionais que vão estar em vantagem são os que conseguirem acompanhar o ritmo. A atualização e a reciclagem profissional, que antes funcionavam como um diferencial competitivo entre os médicos, vai se tornar uma obrigação para o profissional que não quiser ficar para trás.Administração - Como se aplica em vários segmentos (todos precisam de alguém para comandar), o segredo para o administrador do próximo milênio sobreviver bem no mercado será não buscar uma especialização, mas, sim, uma atualização constante, como na Medicina. O profissional ideal deverá unir uma boa formação cultural; visão estratégica, que una formação técnica com habilidades de relacionamento interpessoal; capacidade de analisar situações; preocupação com o meio ambiente e com a melhoria das condições sócioeconômicas das pessoas e capacidade de antever o que está por acontecer. Fonte: Você S.A.

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