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50% dos feirantes são revendedores

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 5 min

Os lucros são baixos para os feirantes-produtores e diminuem ainda mais para os feirantes-revendedores. Secretaria da Agricultura dá incentivo para quem produz a mercadoriaConcorrer com os preços dos supermercados e sacolões não é uma tarefa fácil para os feirantes. Ainda mais quando se é feirante-revendedor. Cerca de 50% dos feirantes de Bauru são revendedores, ou seja, compram a mercadoria da Central de Abastecimento e Serviços Gerais (Ceasa). O restante é feirante-produtor, produz o que vende nas feiras. Esse é um dos fatores que fazem com que o número de feirantes diminua. O maior problema é que 50% dos feirantes são revendedores. Então, os produtos nas feiras acabam sendo vendidos mais caros do que nos supermercados, disse Nicinha Zanotto, diretora de Abastecimento da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento.O feirante-produtor planta, cuida, colhe e leva o produto até a feira para ser vendido. Os revendedores compram as mercadorias no Ceasa e revendem na feira. Como forma de incentivo, o feirante-produtor não paga alvará de funcionamento. Somente produtores recebem esse incentivo, os revendedores, não.O diretor de Varejo da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, Ezequiel Zanetta, disse que muitas pessoas tentam ser feirante, mas não conseguem sobreviver no mercado. A pessoa vem até a Secretaria e retira uma licença de funcionamento válida por um mês. Nesse período, ela tem que retirar o alvará de funcionamento, mas a maioria não fica nem um mês trabalhando como feirante. Isso é reflexo da competição entre feirante e supermercado, completou o diretor de Varejo da Secretaria de Agricultura.Atualmente, são realizadas 26 feiras livres em Bauru, de terça-feira a domingo. Por semana, cerca de 10 mil pessoas passam em todas as feiras realizadas na cidade. Esse número já foi muito maior. Há quatro anos, os clientes das feiras chegavam a 25 mil.Há alguns anos, não havia espaço para barracas na feira. Os caminhões chegavam lotados e não sobrava nada. Hoje, o feirante vem com uma perua e leva boa parte da mercadoria de volta, contou Zanetta.O motivo é sempre o mesmo: a concorrência. Hoje, sacolões e supermercados são os concorrentes fortes dos feirantes. Muitas pessoas trocaram as compras na feira por dois motivos: comodidade e preços. Os supermercados oferecem a comodidade do horário e, normalmente, preços mais baixos. É difícil o feirante concorrer com o supermercado, que, muitas vezes, tem preços menores do que na feira porque ele tira o lucro em outro produto, explicou Nilton de Jesus Tayano, presidente da Associação dos Feirantes. Para Nicinha Zanotto, as pessoas trocam a feira pelo supermercado não só pelos preços, mas também pela organização. As barracas das feiras poderiam ser mais organizadas, com coberturas padronizadas. Tentamos regularizar as feiras em Bauru, mas o projeto de lei foi retirado da Câmara e está sendo estudado porque algumas exigências dos feirantes não seriam possíveis de serem cumpridas, como a instalação de banheiros móveis pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). Hoje, isso não é possível para a Secretaria de Agricultura, porque são realizadas quatro feiras por dia. Então, precisaríamos de caminhões muck para levar dois banheiros em cada feira. Não temos nem os banheiros, nem os caminhões e nem pessoas para montá-los e desmontá-los, justificou a diretora de abastecimento. Feira do roloA tradição das feiras em Bauru não se deve apenas pelo tempo de sua atividade, mas também por suas particularidades. Aos domingos, a feira do Centro, na rua Gustavo Maciel, divide seu espaço com a Feira do Rolo. Essa feira começou na avenida Nações Unidas, em 1975, segundo Zanetta, com feirantes vendendo relógios. E o número e espécie de mercadorias foram aumentando. Hoje, tudo, ou praticamente tudo, pode ser encontrado na Feira do Rolo. É um dos locais preferidos de colecionadores, que podem encontrar desde discos antigos até panelas, roupas, sapatos, peças de carros e eletrodomésticos e eletrônicos. O problema é que alguns produtos são de procedência duvidosa. Não temos como cadastrar os feirantes da Feira do Rolo porque a rotatividade é muito grande, afirmou Zanetta. Feiras livres: sim e nãoAs feiras livres fazem parte da vida bauruense há mais de 70 anos, mas ainda provocam muita polêmica. Como consumidores, todos querem a feira, mas não em frente de sua casa. Declarada de utilidade pública pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, as feiras atualmente são espaços de diversidade, onde se compra desde uma peça de fogão até fitas-cassete importadas do Paraguai. É claro que as verduras, frutas e legumes continuam fresquinhos e vendidos com boa dose de camaradagem, mas há quem ache que essa organização comercial mais atrapalha que ajuda. Muitos moradores compreendem o funcionamento da feira. Outros querem que ela fique bem longe de seus portões. Uma moradora da rua Floriano Peixoto, nos Altos da Cidade, que preferiu não se identificar para não criar confusão com as vizinhas que não gostam da feira, disse que não se incomoda com as barracas em frente a sua casa. Eu até gosto. E mesmo porque é apenas um dia da semana que temos que retirar o carro mais cedo da garagem, afirmou a moradora. Outra, mais radical, que também não quis se identificar, quer que a feira seja realizada bem longe de seu portão. Acho que já está na hora da feira mudar de lugar. Essa rotatividade poderia ser num espaço menor de tempo, completou. Vale lembrar que os imóveis localizados em ruas onde funcionam as feiras têm desconto de 50% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Zanetta disse que as principais reclamações são o tempo de permanência da feira em um determinado local e a sujeira. Mas as reclamações diminuíram muito, porque as Regionais Administrativas fazem a limpeza assim que a feira acaba e a Emdurb (Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru) recolhe o lixo, contou.

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