O novo ano foi recebido com festas realizadas em todos os cantos da cidade, que comemoraram de diversas maneiras
Muita alegria e descontração marcou a união de amigos e parentes na chegada do novo ano, do novo século e do novo milênio. A divisão de despesas, conhecida como vaquinha foi a característica de boa parte das festas que comemoraram a chegada do novo milênio.
Uma festa democrática envolvendo mais de 50 pessoas foi realizada na residência do médico neurologista Pedro Hortense e da médica ginecologista Marilene Alícia Souza. O casal, que pretendia reunir poucas pessoas, acabou recebendo a adesão de amigos e parentes. A festa ganhou proporções e decidimos democratizá-la, explica a dona da casa.
Todos os participantes da festa puderam dar opiniões sobre o cardápio e a decoração da casa. Por isso, batizamos a festa de democrática. A união dos amigos permitiu uma certa sofisticação. Contratamos um DJ para cuidar da parte musical e garçon para servir a ceia.
A comemoração mereceu queima de fogos e decoração ao redor da piscina. No cardápio, a lentilha e a romã não ficaram de fora para contentar os supersticiosos. Muitas frutas, saladas e carnes não faltaram na mesa. Cada um trouxe um prato pronto.
As bebidas, cerveja, água, refrigerante, uísque e champagne foram compradas por um dos participantes da festa. A despesa foi dividida entre todos para não pesar para ninguém. Na opinião da ginecologista, fazer a festa em casa é uma maneira de poder reunir só as pessoas mais chegadas. Fica mais íntimo. Só foram convidados aqueles com que a gente mantém um relacionamento mais próximo.
Fim de ano da classe trabalhadora
O final de um ano marcado pela recessão para a classe trabalhadora mereceu comemoração. Mesmo sem muita sofisticação, o novo ano foi recebido de braços abertos e cheio de esperança de ser melhor, com mais fartura e menos sofrimentos.
A doméstica Regina Aparecida de Oliveira, por exemplo, aproveitou o domingo para comprar macarrão, frango e os ingredientes para a maionese. Ela, o marido e o filho curtiram o réveillon com um cardápio simples, porém cheio de amor e esperança.Eu espero em Deus que o novo milênio traga muita paz e amor para nós.
Moradora da favela do Ferradura Mirim, a doméstica diz que a chegada do novo milênio também mereceu muitas frutas. Comprei banana, laranja, abacaxi e uva para a sobremesa.
A festa de Naiara de Souza Primo e seus parentes, na mesma favela, teve um cardápio mais variado. Pernil, frango e carne de vaca para churrasco. O mesmo clima de divisão de despesas também vigorou entre os familiares dela. Nós dividimos as despesas e cada um traz um prato.
Cética, ela diz que não fez simpatias para garantir um ano melhor. À meia noite, pensei em Deus. Não fiz pedido algum. Ouvi umas músicas e dancei para espantar o astral negativo.
Mais de 15 pessoas participaram da ceia da casa de Naiara. Ficamos até duas horas festejando o novo ano. Eu espero arrumar um emprego, estou desempregada. A irmã de Naiara, Evanir Costa Rocha, foi quem temperou as carnes da ceia. As bebidas, cerveja, refrigerante e Martini foram levadas pelos participantes da festa.
Venda de fogos foi normal
A chegada do novo milênio não aumentou as vendas de fogos em Bauru. Na avaliação do comerciante João de Oliveira Carvalho, a população está sem dinheiro para este tipo de comemoração.
O comerciante diz que não tem muito o que comemorar. Ele achou que as vendas de fogos iriam aumentar em função da chegada do novo milênio, mas se enganou. A quantidade vendida é a mesma dos anos anteriores. Ninguém investiu neste setor, todos estão sem dinheiro.
De acordo com ele, o rojão de três tiros foi o mais procurado. Seguido de bombas e estalos. Os pais compram fogos de menor potência para as crianças.
O corretor de seguros Miguel Flores veio para Bauru para passar o réveillon com a família e resolveu comemorar a entrada do novo ano com alguns fogos. Eu acho que este ano a comemoração é em dobro. Além da entrada do novo ano é entrado do novo milênio. Merece fogos.
Ele comprou rojões e estalinhos para as crianças comemorarem o início do ano 2001. Eu espero que, no novo milênio, os políticos parem de fazer tantas falcatruas e fiquem com menos dinheiro do povo. Que invistam mais na Saúde, Educação, Segurança e Social. Em Bauru, que eles mandem tapar os buracos das ruas.