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Comércio tem faturamento anual menor que o de 99

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Em valores reais, as vendas do comércio durante o ano 2000 ficarão abaixo do total registrado em 1999. A informação é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista (SinComércio), Walace Sampaio. Segundo ele, o balanço oficial ficará pronto no final deste mês. Porém, numa análise prévia, Sampaio disse que já é possível chegar a essa conclusão.

De acordo com ele, nos últimos cinco anos consecutivos o comércio de Bauru vem registrando vendas decrescentes, não conseguindo superar o volume de comercialização do ano anterior.

De acordo com o presidente do SinComércio, novembro e dezembro foram os meses de melhor desempenho no comércio durante 2000. As vendas de Natal superaram em 5% as de 99, nesse mesmo período. Porém, essa performance não foi a mesma nos outros meses.

O comportamento do comércio registrado em novembro e dezembro, especificamente, não foi a tônica do ano todo. Se os resultados do ano forem somados, ainda será obtida a mesma tendência dos últimos cinco anos, quando foram registradas vendas decrescentes. O comércio não está conseguindo manter o mesmo nível de vendas do ano anterior, afirma o presidente do SinComércio.

De acordo com Sampaio, o crescimento de 5% registrado no final de 2000 leva à previsão de que, este ano, haja uma melhora no desempenho do comércio bauruense. Ou seja, existe, agora, a expectativa de alcançar um crescimento real sobre os resultados obtidos no ano passado.

Consultado pela reportagem, o economista Reinaldo Cafeo disse ter se surpreendido com os resultados informados pelo sindicato. Esse resultado me surpreende, já que em 2000 a economia prosperou. Em grandes cidades, os indicadores apontam para um crescimento de aproximadamente 3% no faturamento de 2000 em relação ao ano anterior, comenta Cafeo.

Para o economista, podem haver duas explicações para o fato, que deixaria Bauru fora do contexto nacional verificado em 2000 em relação ao comércio. Uma, seria a diminuição do número de empresas na cidade, o que poderia ter prejudicado o volume final de comercialização. Outra, seria a de que a concorrência está fazendo com que lojas e supermercados reduzam os preços unitários das mercadorias e vendam mais. Porém, isso não estaria refletindo no crescimento do faturamento global.

Homologações

A diretoria do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru divulgou um estudo que mostra, a partir de registros do próprio sindicato, um aumento no número de homologações de rescisões contratuais no comércio em 2000, na comparação com os dois anos anteriores. Os registros são referentes a trabalhadores com mais de um ano na mesma empresa.

De acordo com o diretor do sindicato, Antonio Pereira de Lima, no ano passado foram homologadas 2.206 rescisões (até 28/12). Em 99, esse número ficou em 1.829. Já em 98, os registros são de 1.863 homologações. Lima remete a situação verificada em 2000 à ampliação do horário de funcionamento do comércio.

É interessante notar que, em 2000, o horário do comércio foi liberado. Os defensores dessa liberação afirmavam que haveria, entre outras coisas, maior número de contratações no comércio. Passados sete meses da edição da Lei, o desemprego é que aumentou, diz Lima.

O diretor cita, também, a queda na quantidade de homologações registradas a partir de 97 em diante, até chegar no ano passado - quando os números teriam voltado a subir, segundo a pesquisa do sindicato. A Lei daquela época dava bons frutos, porque exigia negociações, convenções coletivas por segmento e salvaguardas para a prática de horários especiais de funcionamento. No ano passado, o setor que mais aumentou o horário de funcionamento, o supermercadista, foi o que apresentou o maior número de demissões. Em 98, o segmento demitiu 469 trabalhadores. Em 99, foram 493 demissões. No ano 2000, foram demitidas 672 pessoas, afirma Lima.

A afirmação de Walace Sampaio vai na direção totalmente inversa. Segundo ele, em 2000 o setor supermercadista registrou um aumento médio de 30% na contratação de funcionários após a ampliação do horário de funcionamento.

Em 2000 houve algumas migrações resultantes das aquisições de empresas do setor supermercadista, como a do Moreira para o Paulistão e a do Santo Antonio para Sé. Todos os contratos vigentes foram rescindidos para serem formulados novos contratos em função da troca de empresa. Ou seja, essas homologações não significam demissão e desemprego. No Sindicato dos Empregados, eles não têm os números de novas contratações, só de rescisões. Então, esses números divulgados não correspondem à realidade dos fatos, afirma Sampaio.

De acordo com ele, o SinComércio nunca afirmou que, com a ampliação do horário, a tendência seria de aumentar o número de contratações no comércio. Isso nunca foi dito porque não houve uma ampliação do horário de abertura do comércio. O que houve foi esporádico. O aumento de contratações foi pequeno, mas, foi revertida a tendência anterior que era de redução do quadro de funcionários, ressalta Sampaio.

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