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Peregrinação à Terra Santa

José e Marisa Brazoloto
| Tempo de leitura: 6 min

Visitar Israel, que é o berço das religiões cristãs, judaicas e muçulmana, é surpreendente e emocionante. Em Israel, a combinação entre o antigo e o contemporâneo enseja refazer o trajeto da história de volta há milhares de anos no tempo, como sítios arqueológicos que revelam tesouros, como ruínas romanas, turcas e bizantinas. Tomando-se a religião como referência, a sensação de se estar refazendo o caminho da história é ainda maior. A viagem de volta ao passado é de cerca de mil anos até o tempo das cruzadas, dois mil até o nascimento de Jesus, três mil até o reino de Davi ou mesmo quatro mil anos, época de Abraão.

A visita à Terra Santa, para os cristãos, se resume em visitar os locais sagrados onde Jesus Cristo nasceu, viveu e morreu, sentindo em cada local suas energias e orando, lendo os trechos da Bíblia Sagrada referente a cada lugar visitado, confirmando, assim, a passagem de Jesus Cristo por aqueles lugares. É recomendado estar vestido de forma condizente, não usando roupas com grandes decotes, shorts ou saias curtas e, principalmente, respeitar os costumes de cada religião, pois visita-se também templos judaicos e muçulmanos.

A peregrinação começa com o desembarque em Tel-Aviv e, seguindo em direção a Jerusalém, a menos de uma hora de viagem, chega-se aos arredores da Cidade Santa, parando-se na parte alta para admirar a paisagem, rezar e brindar com vinho, num cálice feito de oliveira, o início da peregrinação. A emoção de visitar Jerusalém em toda sua extensão, a brancura das edificações e relembrando que Jesus contemplou assim a cidade em sua última chegada, emociona profundamente, e a lembrança fica inesquecível em nossa mente e coração.

Mas vamos começar por Nazaré, que ostenta a maior população de cristãos árabes de toda a Terra Santa. O ponto mais importante de Nazaré é a Basílica de Anunciação, uma igreja que recorda aos fiéis que o anjo Gabriel anunciou a Maria a vinda de Jesus. A Basílica foi edificada sobre antigas casas de Nazaré cuidadosamente escavadas, e que atualmente se encontram abertas aos visitantes. Segundo a tradição, diz-se ter sido aí o local da anunciação angelical. Também faz parte da Basílica a Igreja de São José, onde foi a casa e oficina de José, pai de Jesus.

Continuando, chega-se em Belém, famosa no mundo todo pelo nascimento de Jesus e importância em várias histórias da Bíblia. Mencionada pela primeira vez no livro de Rute, em Hebraico a palavra Belém significa a casa do pão. Aí se encontra a Igreja da Natividade, onde uma pequena gruta, dentro da Igreja, marca o local que recorda o Nascimento de Jesus. A gruta inclui dois pequenos ressaltos, um com uma estrela, para assinalar o local do nascimento de Jesus, e a outra, a localização da Manjedoura e o local de repouso da Sagrada Família.

Outra igreja de Belém é a Igreja de S. Catarina, onde existem três grutas, uma delas abriga a Capela de S. Jerônimo, que viveu nas grutas enquanto traduzia o velho e novo testamento para Latim; outra, a Capela dos Inocentes, recorda o terror de Herodes, o Grande, que ordenou a matança dos bebês varões de Belém; a capela de Gruta do Leite é consagrada ao aleitamento de Jesus por Maria.

Jerusalém, a emoção de estar na cidade velha, nos caminhos e lugares trilhados por Jesus, é indescritível. A cidade velha é cercada por enorme muralha. Dentro de seus limites estão quatro bairros divididos segundo a religião: o cristão, o muçulmano, o judeu e o armênio.

Para caminhar pelas pequenas ruelas cercadas pelas muralhas é interessante refazer o caminho percorrido por Cristo na Via Dolorosa, também conhecida como Via Sacra ou Via Crucis. Quatorze estações marcam o trajeto de Jesus, desde o local do julgamento até o lugar onde foi crucificado. Suas últimas cinco estações estão no Calvário, onde está a Basílica do Santo Sepulcro, que abriga a tumba de Jesus e capelas de seis ritos diferentes.

Também no interior da muralha não faltam lugares Sagrados e Santuários, como o famoso dourado Domo da Roca, que é o local mais sagrado para o Islão.

Nas redondezas das muralhas existem mais de 50 sinagogas, e mais de uma dúzia de minaretes em mesquitas, onde se fazem ouvir cinco vezes por dia as orações dos muçulmanos.

Atualmente, existem sete portas de entrada na Grande Muralha: Porta do Leão, Porta de Damasco, Porta de Sião, Porta do Esterco, Porta de Herodes, Porta Dourada e a Porta de Jafa.

Nos arredores da cidade está o famoso Monte das Oliveiras, onde fica o Jardim em que Jesus foi traído e preso, e também se localiza a Igreja da Agonia, construída em 1924. A decoração recorda a traição de Judas e a oração agonizante de Jesus antes da sua prisão.

Na Capela da Ascensão, nos arredores do Monte das Oliveiras, é recordado o local onde Jesus reuniu, abençoou e instruiu seus discípulos, e depois ascendeu aos céus após a ressurreição.

O Muro Ocidental ou o Muro das Lamentações é o local de oração mais sagrado dos judeus, o muro serve de local central de celebração sagrada judaica.

O batismo de Jesus foi no rio Jordão. Segundo os quatro Evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João, começa a história do ministério público de Jesus com João a batizá-lo no rio Jordão. O ministério de João incluía o arrependimento perante Deus e a purificação simbólica no rio. Jesus esteve presente numa dessas reuniões e pediu a João que o batizasse na água. Portanto, Jesus iria, no futuro, dar aos seus seguidores instruções para cumprirem este ritual que se perpetua até nos dias de hoje.

A paisagem das margens do Mar da Galiléia registra muitos acontecimentos como: curas, milagres e ensino. A igreja de maior projeção é a Igreja de Tabgha, onde ocorreu a alimentação de milhares de pessoas a partir dos cinco pães e dois peixes.

Em Israel está o ponto mais baixo da Terra, onde se localiza o Mar Morto, que há de 300 metros abaixo do nível do mar. Este mar contém entre cinco e sete vezes mais minerais do que outros mares e é dez vezes mais salgado do que o mediterrâneo; nele você bóia sem afundar-se, podendo até mesmo ler uma revista boiando.

Finalizando nossa viagem tão especial e emocionante a Terra de Jesus Cristo, rezamos em hebraico o Pai Nosso, a oração ensinada por Jesus, reconstituída a partir da versão grega que aparece no Evangelho de Mateus: Avínu shebashamáim itqadash shemekha. Tavô malkhutekha, ieassé retsonekha caasher bashamáimgam baárets. Et Iéhem huquêinu ten lánu haiôm. Umehal lánu al hovotêinu caasher mahálnu gam anáhnu lehaiavêinu. Veal teviêinu lidêi nissaiôn ki im tehaltsêinu min hará. (Ki lekhá hamamlakhá vehagvurá vehatiféret leolmêi olamim. Amén).

Traduzindo

Pai Nosso que nos céus, santificado teu nome. Venha teu reino, faça-se tua vontade como nos céus também na terra. O pão cotidiano dá a nós hoje. E perdoa a nós nossas dívidas como perdoamos também nós aos que nos devem. E não nos faça ir para as mãos da tentação, mas livra-nos do mal. (Pois a ti a realiza, o poder e a glória pelos séculos dos séculos. Amém).

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