Segundo Edson Aparecido, presidente estadual, prazo de oxigenação de partido será determinado por São Paulo
A direção estadual do PSDB deverá agir no partido em nível municipal. A afirmação é do deputado Edson Aparecido, presidente estadual tucano, que está descontente com a atuação da direção da legenda em Bauru e com sua visível disritmia em relação à realidade partidária no estado de São Paulo e no País.
Ou o PSDB de Bauru se adapta ao novo momento que o PSDB está vivendo e vai viver, e se prepara efetivamente para 2002, sendo um partido com inserção na sociedade, com representatividade, ou nós vamos mudar o partido em Bauru, garante Edson Aparecido.
Essa ameaça, afirma a liderança tucana, não implicará em intervenção da direção estadual sobre a municipal. Que nós queremos mudar o partido é evidente, como já fizemos em Araçatuba e vamos fazer em outras cidades de importância regional. O que não tem sentido é o PSDB de Bauru ter o tamanho que tem tendo o governador Mário Covas e o presidente da República. Não representa o tamanho do PSDB hoje, opina.
As mudanças do PSDB em solo local deverão vir antes da eleição do diretório municipal, marcada para o final de 2001. Segundo Edson Aparecido, as alterações devem acontecer concomitantemente ao processo de restruturação que o partido iniciou no Estado de São Paulo e que tem como base o lançamento de uma campanha de filiação.
Dentro desse processo, o parlamentar avalia que o PSDB de Bauru tem que sofrer uma oxigenação profunda pelo fato da cidade estar em uma posição de destaque na região. Nesse sentido, um fraco desempenho dos tucanos no cenário político bauruense pode atrapalhar os planos de crescimento do PSDB em outros municípios da região.
Nós vamos realmente fazer esse processo de oxigenar o partido, de abri-lo. Essas mudanças vão ocorrer a partir de fevereiro e, sem dúvida nenhuma, Bauru será uma cidades aonde o partido irá se debruçar com enorme atenção. Mas quem dirá o tempo desse encaminhamento somos nós, não é o partido em Bauru, sustenta.
Resposta
As declarações de Edson Aparecido são uma resposta às críticas feitas por Rubens Spíndola, presidente municipal do PSDB, em relação à direção estadual tucana, veiculada na edição de ontem do JC. De acordo com Spíndola, os dois lados não têm falado a mesma língua, o que dificultado a atuação do partido em Bauru.
Para o parlamentar, as declarações de Spíndola são isoladas e não refletem o real entrosamento entre as direções estadual e municipal tucanas. O partido em Bauru, nesta última eleição, de maneira organizada e de acordo com o diretório municipal, nunca recebeu tanto apoio das lideranças partidárias. Ao longo desse último período, estiveram em Bauru vários secretários estaduais e ministros de Estado. A direção estadual do partido, por várias vezes, esteve na cidade e o partido localmente não soube aproveitar o prestígio que foi dado. Ficaram divididos na eleição municipal, o que acabou acarretando no resultado que nós tivemos, critica.
O presidente estadual não aceita, em hipótese alguma, que seja culpabilizado pelos resultados do PSDB nas eleições municipais de Bauru. De acordo com ele, Spíndola não soube encaminhar as decisões tomadas em nível estadual em relação ao diretório bauruense e conduzir as crises internas.
O apoio ao Pedro Tobias na eleição municipal foi a atitude correta no momento. O que nós lutamos no primeiro instante foi para que o partido tivesse candidatura própria e depois acabou evoluindo para o apoio ao deputado, explica.
Nesse sentido, Edson Aparecido diz que o enfraquecimento do PSDB em Bauru é resultado das lutas travadas entre grupos internos. Todos os problemas são resultantes de uma divisão, são reflexos de um partido estreito, que sempre fechou suas portas para pessoas sérias da cidade e que podiam fazer com que o partido tivesse musculatura, analisa.
Para a liderança tucana, o PSDB bauruense tem integrantes valorosos e que podem propiciar o novo momento do partido da cidade. Eles podem garantir a oxigenação, trazer gente que tenha interlocução com a sociedade. O grande problema do PSDB na cidade é que ele nunca olhou para fora, sempre olhou para dentro, para o umbigo, e esse é o tamanho que está hoje, que não corresponde ao PSDB no Estado e em nível nacional, conclui.