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Consultas ao SPC têm redução de 20%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Levantamento dos últimos cinco anos mostrou uma variação no comportamento dos comerciantes para conceder crédito

As consultas realizadas por lojistas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), nos últimos cinco anos, tiveram grandes variações, com o pico sendo atingido em 1998, quando foram registradas 841.711 consultas. No ano passado, foram 631.532 consultas, que representaram uma queda de 20,6% em relação às 795.335, de 1999.

O número total de consultas realizadas pelo comércio aumentou bastante entre os anos de 1995 e 1998. Depois, houve queda, em comparação a esses três anos. Em 95, o total foi de 416,61 mil; em 96, ficou em 476,05 mil; em 97, 806,63 mil consultas foram feitas; em 98, foram 847,71 mil consultas; em 99 o total foi de 795,33 mil; e, no ano passado, fechou com 631,53 mil consultas (ver gráfico na matéria). Vale lembrar que as consultas gerais incluem todo o tipo de venda à prazo feita no comércio, como cheque, cartões, carnês etc.

De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, as consultas são termômetros de vendas, mas, também podem representar maior rigor na concessão de crédito. Por outro lado, podem, ainda, representar maior endividamento dos consumidores que, sem dinheiro, são atraídos pelas vendas à prazo.

O ano 2000 aperesentou uma queda de 20,6% sobre o nível de consultas de 1999. Todavia, no comparativo sobre 1995, esse volume cresceu 51,5%.

Vale destacar que, desde 95, o cenário nacional vem se alterando. Tivemos várias crises mundiais (mexicana, asiática, russa, argentina e brasileira) e, considerando que o modelo econômico brasileiro está alicerçado em poupança externa, é evidente que a política de juros elevados acabou forçando os consumidores a adiar pagamentos. A inadimplência cresceu assustadoramente nesse período. As empresas passaram a se preocupar mais com a concessão de crédito e as consultas ao SPC passaram a ser mais intensas. Isso justifica o crescimento de 95 a 2000, analisa Cafeo.

Por outro lado, o economista diz que, considerando que o mercado se torna mais seletivo e escaldado, é natural que haja uma acomodação. Isso pode ser percebido na redução do número de consultas em 99 sobre 98, e em 2000 sobre 99, aponta Cafeo. Devemos, ainda, considerar que outras empresas que fornecem informações cadastrais entraram no mercado, notadamente, o SCPC. As grandes redes optaram por esse serviço em detrimento do SPC. Isso força a queda do número de consultas. Mas, de qualquer maneira, o movimento verificado segue a tendência da economia: mais arrochado de 95 a 99 e mais frouxo em 2000", analisa.

Do total de consultas gerais, as consultas de cheques emitidos no comércio foram as seguintes: 45,65 mil no ano de 95; 114,98 mil em 96; 233,73 mil em 97; 284,54 mil em 98; 347,30 mil em 99, e 297,04 mil no ano passado.

Para esses casos, vale o mesmo raciocínio anterior, na opinião do economista. Porém, com um destaque: é a consulta preferida do lojista. Tanto é assim que a legislação se adaptou a essa prática, pois, de ordem de pagamento à vista, o cheque virou título de crédito. O crescimento observado em 99 e 2000 sobre os anos anteriores vai na esteira. Os devedores tendem a honrar mais o cheque do que outro título de crédito. Em 2000, praticamente 50% das consultas foram de cheques, observa Cafeo.

Os registros, ou ocorrências de débitos, são termômetros de inadimplência. Em 95, houve 81,33 mil registros; em 96, foram 60,66 mil; em 97, total de 106,66 mil registros; em 98, foram 124,61 mil; em 99, total de 78,89 mil, e, no ano passado, foram 53,48 mil registros.

Observamos um crescimento em 97 sobre 96, e em 98 sobre 97. Foram exatamente os piores anos do Plano Real. Seria normal a expansão. Com maior rigor na concessão de crédito, é natural uma queda no número de registros. Além do mais, o consumidor vai ficando escaldado e evita comprometer demasiadamente sua renda, analisa Cafeo.

Por fim, os números de registros de cheques. A partir do total de registros, esses números foram os seguintes: 4,95 mil registros de cheques em 95; 2,66 mil em 96; 9,71 mil em 97; 10,94 mil no ano de 98; 7,65 mil em 99 e, no ano passado, 14,50 mil registros de cheques.

A utilização do cheque cresceu muito. Os bancos, no afã de atrair correntistas, estão menos rigorosos na abertura de conta corrente. Também devemos considerar que os lojistas estão preferindo o cheque à duplicata ou nota promissória. Portanto, aumentando o número de operações com cheque, há uma tendência de aumentar os problemas com os mesmos, finaliza Cafeo.

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