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Política dá o tom a discursos da posse

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Durante a solenidade, o reitor cessante, Antonio Manoel dos Santos Silva, criticou as tentativas de privatizar a universidade

A cerimônia de posse dos novos reitor e vice-reitor da Unesp, José Carlos de Souza Trindade e Paulo Cezar Razuk, acabou por receber, em função dos discursos proferidos na tribuna, tom eminentemente político. O esboço do que se tornaria a solenidade pôde ser percebido na composição da mesa. De seus 15 componentes, sete eram da área acadêmica, os restantes representavam setores dos Poderes Executivo e Legislativo.

Primeiro a discursar, Antonio Manoel dos Santos Silva, reitor cessante, criticou a tentativa da sociedade e do Estado de transformar as universidades em centros qualificadores de mão-de-obra. A política financeira, em contraste com as demandas do Estado e da sociedade, acaba por criar o impasse de que a universidade não corresponde ao seu destino, deixando de atender a comunidade por incompetência e elitismo, discursou.

Para Santos Silva, os reflexos dessa profanação da imagem institucional da universidade podem ser percebidos pelo balizamento dos ideais universitários a partir das oposições adestramento e informação, teoria e prática, conhecimento exemplar e funcionalidade, vestibular e avaliação progressiva e hierarquização e rankings.

Esses conflitos, aparentemente inconciliáveis, trazem como risco a produção acrítica da ciência e da tecnologia. Por isso, é preciso defender o caráter público da universidade sem aceitar a privatização de seus serviços. A privatização é a fissura mais grave de sua natureza, caso da avaliação de desempenho, que prefere os resultados quantificadores aos qualificadores, criticou.

Na opinião do reitor cessante, a Unesp tem demonstrado resistência ativa à simples redução de ser um lugar de produção acrítica do conhecimento, assim como a USP e a Unicamp. O desenvolvimento do Estado de São Paulo tem se observado graças à contribuição generosa dessas universidades e a Unesp trabalha em pé de igualdade com as outras duas. Retorno, após 15 anos de tarefas administrativas, para o câmpus ao qual pertenço e não tenho dúvidas em dizer que valeu a pena a viagem porque a Unesp vale a pena, concluiu.

Em respostas às críticas, José Aníbal, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, lembrou que o governador Mário Covas tem apreço pela comunidade acadêmica estadual e sabe que os avanços feitos pelos pesquisadores paulistas tem garantido a manutenção de São Paulo no posto de vanguarda e inovação tecnológica. Em razão disso, adiantou que o governador está avaliando a ampliação de recursos para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), hoje fixados em 1% do ICMS.

Na opinião de José Aníbal, as universidades devem ter atitudes mais agressivas diante dos problemas, garantindo uma prestação de serviço de qualidade para quem mais precisa. Não faltará abertura por parte do governo para realizar parcerias com as instituições, garantiu. Nesse sentido, o secretário considera importante que prefeitos participem de solenidades como a da posse do reitor e estejam atentos aos potenciais de suas regiões. O fato da Unesp ser multicâmpus é algo menos para lamentar e mais para atuar, afirmou.

Também presente ao evento, João Caramez, chefe da Casa Civil, lembrou que o governo Mário Covas já investiu US$ 101 bilhões nas áreas de ciência e tecnologia, o que, segundo ele, trouxe melhora significativa para o Estado de São Paulo e contribuiu para aprimorar as universidades.

No papel de propagandista do governo, Caramez citou que o Estado de São Paulo realizou o melhor programa de ajuste fiscal da União, garantindo um superávit da ordem de R$ 1 bilhão e reduzindo as despesas com pessoal para 58,96% de seu orçamento anual. Isso foi possível, de acordo com o chefe da Casa Civil, em razão da diminuição do endividamento estadual de R$ 88 bilhões para R$ 81 bilhões. Se não tivéssemos negociado, essa dívida chegaria a R$ 134 bilhões, informou, para reivindicar, ao final do discurso, uma unidade avançada da Unesp na região metropolitana de São Paulo.

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