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Trindade (de branco) e o ex-reitor Antonio Silva

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Em solenidade de posse realizada anteontem, em São Paulo, Trindade voltou a defender a interiorização da Reitoria

A proposta de organização das 15 unidades da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em uma rede de estruturas flexíveis e articuláveis com a Reitoria foi defendida, anteontem, pelo médico José Carlos de Souza Trindade, durante solenidade em que foi empossado como novo reitor da instituição. O evento foi realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, e contou com a presença de secretários de Estado, deputados, membros da Academia e dos reitores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Professor do câmpus de Botucatu, onde ocupou diversos cargos, entre eles a direção do Hospital das Clínicas da Unesp, Trindade foi o candidato mais votado nos três segmentos da comunidade (docentes, alunos e funcionários), nas eleições ocorridas entre 2 e 4 de outubro do ano passado. Com a vitória, encabeçou a lista tríplice enviada ao governador Mário Covas (PSDB), que aprovou seu nome para dirigir a Reitoria. Apesar da posse ter sido realizada anteontem, Trindade apenas iniciará seu mandato na terça-feira, a partir da meia-noite, quando oficialmente se encerra o exercício do atual reitor, o professor Antonio Manoel dos Santos Silva.

Em seu discurso de posse, o novo reitor afirmou que a Unesp precisa superar a configuração de confederação a partir da implantação de uma reforma acadêmica. Isso passa pela reorganização das unidades da Unesp por áreas de conhecimento; pelo intercâmbio permanente entre as unidades; e pela organização a partir de uma concepção em rede de estruturas flexíveis e articuláveis com a Reitoria, defendeu.

Dentro dessa proposta, Trindade comentou que os coordenadores das 15 unidades terão como tarefas otimizar a utilização da infra-estrutura e gerenciar a mão-de-obra acadêmica, estimulando-a a galgar a qualidade científica das pesquisas, transformando quantidade em qualidade. Essa nova agenda de trabalho da Unesp, avalia o reitor empossado, é uma resposta crítica ao isolamento da universidade em relação à sociedade e ao Estado.

Essa renovação de ideário, comenta, é necessária frente ao novo objetivo a que se propõe a Reitoria: a interiorização de sua sede. É chegado o momento da Reitoria se integrar ao seu destino histórico, que é estar no Interior, permitindo, assim, a redução dos gastos excessivos com a administração. Alocando a sede na região central do Estado, em um ponto eqüidistante entre suas unidades, reduziremos os custos administrativos e colocaremos a administração no centro das expectativas e angústias de suas unidades, frisou Trindade.

Nesse sentido, o novo reitor cobrou a mobilização e sensibilização de alunos, docentes e servidores, para que juntos possam melhorar a qualidade de ensino, pesquisa e extensão da Unesp. Para tanto, Trindade garante que valorizará a mão-de-obra da comunidade universitária, por meio da aliança de ideais de prudência e inconformismo, como forma a rejeitar atitudes mobilizantes e que dificultem o relacionamento entre a humanidade e a ciência.

A autonomia competente e austera e a excelência e o mérito acadêmico devem prevalecer. Da minha parte, garanto que tudo faremos para transformar a Unesp em um exemplo para o Estado de São Paulo e para o País, concluiu.

Vice-reitor

Durante o evento realizado no Memorial da América Latina, também tomou posse o engenheiro bauruense Paulo Cezar Razuk. Ele assumirá a vice-Reitoria, cargo antes ocupado pelo professor Luís Roberto de Toledo Ramalho.

Enquanto vice-reitor, Razuk terá a função de dirigir o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, além de coordenar o programa permanente de gestão de qualidade da Unesp. No contexto de novo mandato, ele diz que Bauru tem papel importante. Pelo fato de ser o câmpus de maior porte dentro da universidade e também por ser o câmpus do vice-reitor, explica.

Outra tarefa de Razuk será apoiar os projetos a serem desenvolvidos pelo reitor José Carlos de Souza Trindade, caso da interiorização da sede da Reitoria. Sobre esta questão, ele adianta que o primeiro ato do reitor empossado será nomear uma comissão para realizar estudos oficiais sobre a descentralização, os quais serão submetidos à análise da comunidade universitária.

Na opinião do vice-reitor, a descentralização física e orçamentária é a principal e mais importante proposta dos novos administradores da Unesp. Isto dará mais poder para a unidade universitária e, ao mesmo tempo, muito mais responsabilidade, avalia Razuk.

Com 25 anos de existência, a Unesp é a segunda maior universidade pública do País, abrigando 31 mil alunos e 3.400 professores, distribuídos em 82 cursos de graduação e 103 de pós-graduação. A instituição também é considerada a mais bem sucedida experiência multicâmpus brasileira, com 24 institutos e faculdades localizados entre 15 unidades paulistas, caso de Bauru.

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