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Dívida de R$ 56 mi assusta Sanzovo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Calculada em mais de R$ 56 milhões, dívida pode engessar atual administração por até um ano e meio, segundo o prefeito

Jaú - O novo prefeito de Jaú, João Sanzovo Neto (PDT), 42 anos, disse ter ficado surpreso com o tamanho da dívida que recebeu ao assumir o comando da Prefeitura. Para justificar sua surpresa, Sanzovo se defende alegando que não teve, em nenhum momento, informações a respeito da real situação financeira do município.

Somando as contas criadas e não pagas no exercício de 2000, último ano da administração de Paulo Sérgio de Almeida Leite (PSDB), mais as contas de anos anteriores, a dívida pública da cidade de Jaú chega aos R$ 56,5 milhões. Um valor que supera a arrecadação anual do município, hoje em torno de R$ 44 milhões.

Nós nos surpreendemos com o que encontramos. Os restos a pagar, deixados pelo ex-prefeito, durante seu último ano de mandato, chegou a soma de R$ 7,5 milhões, revelou Sanzovo. Ou seja, para zerar esse déficit, a Prefeitura teria que dispor integralmente de todo os recursos obtidos durante dois meses; destinando-os única e exclusivamente ao pagamento da dívida.

Sanzovo contestou ainda a atitude do ex-prefeito, durante a solenidade de transmissão de posse, quando Almeida Leite entregou ao atual prefeito um documento onde constava que os restos a pagar que ele estava deixando eram apenas R$ 307 mil e que este dinheiro estaria disponível em caixa. Constatamos, mais tarde, que esse valor representava apenas as despesas assumidas pelo ex-prefeito após o dia 20 de outubro, disse Sanzovo. A data refere-se ao dia em que foi promulgada a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe limites aos gastos públicos.

Segundo o prefeito, nem mesmo o dinheiro para pagar o salário de dezembro dos servidores municipais havia sido reservado por Almeida Leite. Essa falta de recursos para saldar as dívidas com a folha de pagamento do funcionalismo e com os fornecedores, obrigou o empresário Sanzovo a pedir aos seus colegas de profissão um tempo para regularizar as finanças do município antes de quitar os débitos com fornecedores, cujo valor aproxima-se dos R$ 3,2 milhões, segundo informações da Secretaria de Economia e Finanças. Fizemos todo o esforço possível para pagar, com os recursos que entraram este mês, a folha de pagamento de dezembro dos servidores, garantiu o prefeito. A despesa com o funcionalismo público, em torno de R$ 1,4 milhões, foi quitada na quinta-feira passada.

Quanto ao pagamento das dívidas com as empresas que fornecem produtos e serviços à Prefeitura, o assunto virou uma incógnita. De acordo as declarações do secretário das Finanças, Antônio Dias de Jesus, foi solicitada uma trégua, junto aos credores do município, de pelo menos 90 dias. Somente após esse prazo, prefeito e secretário pretendem retomar o assunto. Aliás, atitude semelhante foi tomada semana passada pelo prefeito de Lençóis Paulista, José Antônio Marise (PMDB), que suspendeu o pagamento das dívidas municipais com fornecedores por seis meses. Leia mais nas páginas 20 e 21.

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