Cicloturismo, passeios ciclísticos ou competições. Essas atividades já são tradição em Bauru. Cerca de 40 pessoas dos mais variados ramos profissionais encontram na bike, um modo para sair do estresse causado pelo dia-a-dia
As atividades de cicloturismo, promovidas pela Radical Bike, em Bauru, nasceram de uma necessidade de buscar novos locais, novas trilhas, saindo da cidade de Bauru e da região. Nós já organizamos vários passeios em trilhas de Bauru e região. Como começou a ficar muito monótono pedalar sempre nos mesmos lugares, resolvemos promover viagens para locais fora da cidade, comenta o organizador das viagens e passeios, Reinaldo Crescione. Em 1997, a empresa começou a realizar passeios para locais como a Juréia, em Peruíbe e Brotas, região rica em belezas naturais, com as famosas quedas dágua.
De acordo com Crescione, as viagens para Brotas são muito requisitadas pelos ciclistas. Numa das viagens para o local a equipe, além do passeio pelas trilhas, realizou a atividade de rapel.
Outras viagens já realizadas fora de Bauru foram para São Roque, região montanhosa perto de Sorocaba e Serra da Cuesta, em Botucatu.
Todos os locais visitados já foram mapeados e todas as informações sobre as condições dos locais das trilhas estão disponíveis para os que quiserem começar a participar das atividades de cicloturismo, incluindo informações sobre restaurantes mais baratos. Nós fazemos o serviço de reconhecimento dos locais que visitamos. Na primeira viagem, contratamos guias terceirizados para realizar o mapeamento. Quando voltamos ao mesmo local, não precisamos contratar mais os guias, comenta.
As atividades de cicloturismo, segundo Crescione, visam a conciliação entre o homem e a natureza, através do meio de transporte bicicleta.
Mountain Bike: onde o homem e a natureza se irmanam. Esta é a frase adotada como lema de todos os passeios ciclísticos realizados pelo grupo, que conta com a participação de cerca de 30 a 40 ciclistas de todas as idades e dos mais diversos tipos de atividades profissionais. Nós temos ciclistas que participam dos passeios que são médicos, empresários, outros profissionais liberais e jovens estudantes, comenta.
As viagens organizadas pelo grupo são realizadas de ônibus até o local do passeio ou trilha e exigem preparo pessoal.
Planejamento
Para cada viagem marcada, um grupo de ciclistas é responsável por levar material para os primeiros socorros. Dos ciclistas é exigido o uso de capacetes e luvas, que são itens de segurança indispensáveis. O equipamento também tem que estar em dia, ou seja, a bicicleta precisa estar devidamente revisada.
De acordo com Crescione, quatro monitores acompanham os ciclistas, que são divididos em duas equipes. Os mais jovens, por terem mais energia, andam numa velocidade mais intensa. Não dá para segura-los. É muita adrenalina, comenta. Já a segunda equipe, percorre a trilha numa velocidade menor, sendo constantemente monitorada. Nós realizamos paradas constantes para saber se está tudo bem com o pessoal um pouco mais velho.
A idade mínima para o ciclista começar a participar das atividades de cicloturismo é de 16 anos e a idade máxima não é pré-fixada. Há casos no grupo da Radical Bike de pessoas com 65 anos em plena forma física e que participam dos passeios.
Quanto ao ciclista, para poder participar de um passeio cicloturístico, necessita estar fisicamente preparado. O ideal, segundo Crescione, é que a pessoa passe por um condicionamento físico de, no mínimo, 90 dias antes da viagem, para adquirir resistência. Como a viagem é muito desgastante, se o ciclista não estiver fisicamente preparado, pode vir a sofrer um enfarte, explica.
Adotando a bicicleta e a liberdade que ela proporciona como filosofia de vida, os cicloturistas se divertem, esquecem dos problemas cotidianos e entram em contato com a natureza aliviando o estresse diário. Nesse mundo de muito barulho, estresse e poluição, os nossos passeios servem para extravasar e para colocar o homem em contato com a natureza, comenta o organizador.
A bicicleta não é só um meio de manter o corpo em forma, mas também promover uma boa saúde. Para quem gosta e pratica este tipo de esporte, a bicicleta é uma filosofia de vida.
Próxima atividade será o Intercity
A próxima atividade agendada será um misto de passeio cicloturístico e competição e já tem data definida
Na segunda quinzena de março, a Radical Bike estará promovendo Intercity, passeio que vai de Bauru até Águas de Santa Bárbara, com 100 quilômetros de percurso de bicicleta. O Intercity será uma prova de regularidade. Os ciclistas serão divididos em equipes de, no máximo, cinco pessoas cada. Essa prova terá um regulamento específico. A equipe que apresentar integrante feminino já sai com 10 pontos na frente, por exemplo, comenta Crescione.
De acordo com ele, o percurso de 100 quilômetros entre as duas cidades será de terra e com nível médio de dificuldade, que apresenta estrada de terra, chão batido e com algumas subidas.
Na agenda deste ano estão programados, também, passeios para Brotas, São Roque e Delfinópolis. Para encerrar este ano, está programado o passeio ciclístico na Juréia.
Os ciclistas que estiverem interessados em participar dessa atividade já podem entrar em contato com o organizador Reinaldo Crescione, na Radical Bike, através do telefone 223-5588. Para o Intercity já estão formadas e inscritas cerca de cinco equipes.
Revisão e manutenção de bikes
Usando a bicicleta para passeios descompromissados ou sendo um ciclista aficionado, daqueles que participam de competições, passeios ciclísticos e de atividades de cicloturismo, não dá para esquecer de que a bicicleta, como qualquer outro meio de transporte precisa de manutenção e revisão periódicas para funcionar de modo adequado e não causar riscos à integridade física e à segurança do condutor.
De acordo com Reinaldo Crescione para uma pessoa que pedala constantemente, a bicicleta necessita passar por uma revisão geral de seis em seis meses e por uma revisão simples, a cada dois meses.
Na revisão geral procede-se a troca de esferas, a lubrificação total do sistema de cubos dianteiro e traseiro, movimento central e caixa de direção. A bicicleta é totalmente desmontada e revisada.
O mais importante na revisão, tanto na simples como na geral, é a qualidade da graxa utilizada na lubrificação. O material atualmente usado por empresas especializadas e autorizadas é uma graxa com silicone e teflon, que suporta altas temperaturas e não esfarela com o tempo. Além disso, as graxas de primeira linha não são removidas com a água, permanecendo no interior do cubo mesmo em situações em que o ciclista entre em contato com poças dágua.
A falta ou esfarelamento da graxa é responsável pelo desgaste da esfera que fica no interior do cubo e, conseqüentemente, causa o famoso jogo na roda. Quando a bicicleta começa a apresentar o jogo é sinal de necessidade da troca do sistema de esferas do equipamento.
Já na revisão simples, faz-se o ajuste do sistema de marchas e do breque. Além disso, lava-se a corrente com querosene para depois lubrifica-la.
Para quem usa a bicicleta somente para passeios, a periodicidade das revisões é menor: a completa precisa ser feita de ano em ano e, a simples, sempre que o condutor sentir dificuldade na troca de marchas ou o sistema de freios frouxo.
De acordo com Crescione, a revisão também significa economia. O proprietário de bike pode ter uma economia de mais de 50% se fizer a manutenção adequada e com a periodicidade correta, de acordo com o tipo de uso que se faz do veículo.
Um item de segurança é fundamental quando se fala de segurança e de evitar a ocorrência de acidentes fatais: o capacete. Quase nunca é usado pelo ciclista comum, mas pode salvar muitas vidas. Cair de uma bicicleta a 20 km/h parece pouco mas, se a pessoa estiver sem o capacete e bater a cabeça, pode morrer, adverte Crescione.