O rádio em Bauru sempre teve seus altos e baixos. Tivemos pioneiros, gente empreendedora e muitos abnegados, com uma grande coragem e vitalidade diante do microfone. Por outro lado, também tivemos muita gente medrosa e comprometida com uma falsa informação. Nada muito diferente do que ocorre num todo, nesse nosso País continente.
Hoje, a programação de nossas rádios tem lá seus altos e baixos. Muita coisa a ser destacada e muita a ser repudiada. Porém, já tivemos piores momentos. Salutar, hoje, são os vários programas jornalísticos existentes, permitindo uma variação de opiniões. Isso sempre é muito bom.
Destaco dentro da atual programação local, tudo o que ouvimos na Band AM, no período das 8 às 12 horas, com a apresentação do jornalista Luiz Roberto Tizoco. A Band não apresenta nada de novidade no horário, o diferencial é que ela abre um espaço dos mais democráticos para a participação do ouvinte. Você pode ligar e falar ao vivo, sobre qualquer assunto, não passando por qualquer tipo de crivo ou censura. Poder colocar a boca no trombone, diretamente no ar, não é coisa que as rádios façam rotineiramente. Parece que existe aquele medo da possibilidade de surgir assuntos perigosos, que contrariem interesses maiores.
O programa do Tizoco é dos mais democráticos. No diálogo ao vivo, no debate de opiniões, quem sai ganhando é a população, que encontra aí um canal de denúncia e solução de problemas considerados insolúveis. Por tudo que já ouvi, a programação deve contrariar e descontentar muita gente, mas vai de encontro ao gosto popular. O telefone não pára de tocar e os assuntos são os mais variados possíveis.
Um programa tão simples (e tão necessário) é o que de melhor existe na programação de nossas rádios, primeiro pela coragem, e depois, pelo serviço prestado a uma parcela da população que não encontra outro canal para exposição de seus problemas. Vida longa a programas desse tipo, pois não existe coisa melhor do que ouvir a nossa própria voz, sem intermediários. (Henrique Perazzi de Aquino - RG: 9.710.205)