Geral

Um mundo para todos

(*) N. Serra
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Impõe-se uma mudança séria na ordem mundial? Sim, porque não pode a humanidade continuar, por mais tempo, debatendo-se no mar de desajustes e injustiças em que se embrenhou no século XX e no qual pode vir a ter o destino de um naufrágio inapelável como o do decantado Titanic. Daí a importância do fórum Social Mundial que se está programando para 25/30 deste mês, em Porto Alegre, com a participação de dez mil delegados de entidades civis, sindicatos, movimentos, igrejas e partidos progressistas do Brasil e de todo o mundo. Há esperança de que esse congresso possa ter o condão de pintar uma visão renovada acerca do papel dos portentosos organismos internacionais e de suas vinculações diretas e indiretas com as nações subdesenvolvidas, como também das relações entre os setores progressistas do mundo evoluído de um lado e da esfera subdesenvolvida de outro, pois é isso que está faltando à humanidade dos nossos dias. Realmente, é isso, sem dúvida, porquanto o que mais poderiam reclamar os povos dos cinco continentes para conseguirem passar a viver numa atmosfera de justiça plena, a não ser a oportunidade de discutirem formas reais e leais tendo em vista tornar sua existência realmente feliz mediante, fundamentalmente, melhor distribuição de suas riquezas e de suas culturas individuais e empresariais, em que os pratos de uns não fossem mais cheios que os dos outros? E o nosso País está incluso na gigantesca problemática, porque tem à sua frente, obstaculizando sua globalização, toda uma montanhesca somatória de embaraços que lhe cerceiam o pleno exercício de seus direitos sócio-democráticos, face aos quais submerge a maioria das classes na sua luta contra o horror econômico, que as coloca no fascínio da acumulação de mais dinheiro e, à maioria, na corrida contra os safanões da pobreza e da dissociação. Estultícia seria dizer que para nos desviar da tempestade seria necessário mesmo, como prega o economista Celso Furtado, mudar diametralmente o curso da civilização através da educação da sociedade para os autênticos rumos da solidariedade humana, em função dos quais todos dêem oportunidades paralelas a todos, abjurando a ganância, a ambição e a inveja.

Manchete do JC diz, repetimos, que o fórum busca uma nova ordem mundial. Muito bem! Então, enveredamos todos para esse sentido, como um grande sinal de esperança, desejada inclusive por algumas nações desenvolvidas e, por que não dizer-se, opulentas cultural e economicamente, naturalmente conscientes de que, como denuncia velho ditado, riqueza, beleza e status profissional nem sempre promovem a felicidade dos que as possuem. Há tantos exemplos comprovando-o, para despertamento dos descuidados, esquecidos e desalmados. Afinal, o mundo foi feito para todos, sendo imperioso, então, partilhá-lo entre todos, se possível em partes equivalentes, sem exclusões preconcebidas. É a nossa opinião.

(*) N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

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