Geral

Losnak quer democratizar a cultura

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Secretário diz que, além do Município, sociedade também tem obrigação de colaborar no desenvolvimento cultural

Democratizar o acesso à cultura para que a população possa participar, sem preconceitos, de todos os movimentos culturais da cidade. Essa é a proposta do secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, que já está sendo colocada em prática pela sua equipe de trabalho. Com isso, ele pretende aumentar a potencialidade e o capital da produção cultural local. Losnak acha que a secretaria não pode caminhar sozinha nesse projeto.

O secretário diz que a sociedade também tem sua parcela de obrigação para conquistar esse objetivo. Vejo a Secretaria de Cultura como uma organização articuladora de ações, define. Para exemplificar melhor sua linha de raciocínio, ele cita o exemplo das campanhas desenvolvidas pelo Governo para combater a propagação da Aids.

O Estado tem recursos para fazer propaganda alertando sobre a aids. Eles investem dinheiro em rádio, em panfletos, e muitas vezes o objetivo deixa a desejar. Por quê não fazer uma extensão dos nossos alunos de artes, montando um espetáculo para refletir a situação da aids e levar isso para as escolas?, sugere. No seu ponto de vista, só assim será possível construir uma política cultural de fato.

Nossa intenção é fazer parcerias com a Secretaria de Educação, com quem já temos alguns projetos, com a Receita Federal, na questão de impostos e incentivos culturais. São ações que vão promover a reflexão cultural. Losnak não acha que só o Município tem a obrigação de traçar uma política cultural para a cidade. Isso deveria ser o papel de toda a sociedade. É preciso desmistificar isso porque se não vamos ficar no espaço lento em relação ao desenvolvimento cultural da cidade.

Censo

No segundo semestre deste ano, a secretaria vai realizar um censo para traçar o perfil cultural do Município. A idéia é identificar quem produz arte. Temos um cadastro muito grande de artistas, mas acreditamos que esses artistas representam um determinado segmento da nossa sociedade. Queremos descobrir o outro lado, conta Losnak.

O levantamento vai municiar a secretaria de informações que possibilitarão uma ação mais direcionada e eficaz no setor. O secretário lembrou que no ano passado foi realizado um seminário interno que discutiu as questões culturais da cidade e a própria organização da pasta. Nesse semestre, junto com as universidades e outras entidades que tenham papel cultural, nós vamos expandir essa discussão.

Ele afirma que a idéia é teorizar a questão cultural, no sentido de provocar uma reflexão ampla sobre a área. Esse seminário não será restrito a grupos intelectuais. Queremos a participação das associações de moradores, das universidades, dos grupos organizados de bairros.

Marketing

Um dos sustentáculos das atividades culturais são as parcerias com a iniciativa privada, que possibilitam o financiamento dos projetos. Na avaliação do secretário, falta mais visão de marketing ao empresariado bauruense. Ele diz que a secretaria está trabalhando para mostrar aos empresários da cidade que investir na área cultural é uma via de mão dupla.

Primeiro, o empresário estará contribuindo para que a sociedade na qual ele está inserido seja melhorada. Se hoje ele gasta R$ 50 mil com segurança, no futuro poderá gastar R$ 10 mil. Segundo, essa visão de ligar a marca a um evento, a uma manifestação cultural, é algo muito vantajoso. A marca fica bem vista na sociedade, opina.

A realidade em Bauru, no entanto, é diferente. Losnak diz que a secretaria consegue viabilizar permutas com restaurantes, com empresas de transporte e com hotéis. Mas investimentos em projetos mesmo é difícil. Um dos caminhos para reverter esse quadro é a solidificação da credibilidade da secretaria e a profissionalização dos projetos.

Enquanto o apoio empresarial não chega, o jeito é ir trabalhando com os recursos e equipamentos que são oferecidos e que estão disponíveis. Uma das propostas do secretário que deverá ser colocada em prática ainda neste ano é a transformação da divisão de ensino em uma escola livre de iniciação artística. Nossa intenção é fazer com que as crianças e jovens tenham acesso ao conhecimento das diferentes manifestações artísticas e culturais. O projeto prevê que elas tenham noção de musicalidade, de história da arte, de desenvolvimento de habilidades manuais. Queremos transformar essa escola livre em laboratório de práticas pedagógicas do ensino da arte.

Secretário caçula

Sérgio Losnak, 32 anos, é o secretário mais jovem do primeiro escalão da Administração. Por essa característica, ele diz que já se acostumou a ouvir frases prontas como ele é tão jovem; é um menino; chegou o nosso caçula. Formado em Geografia pela Universidade do Sagrado Coração (USC), Losnak é servidor de carreira da Prefeitura há 12 anos.

Iniciou suas atividades no projeto do Caminhão-Palco como técnico de som. Essa função fez com que o secretário conhecesse todas regiões da cidade, o que o permite ter um mapa da cidade gravado na memória. Ainda na Secretaria de Cultura, prestou concurso para a função de agente cultural, cargo do qual está afastado atualmente para ocupar o comando da pasta.

Depois de formado, conciliou com suas atividades de secretaria a profissão de professor. É docente afastado do Colégio Técnico da Unesp. Também deu aulas no Colégio Seta. Neto de croatas - seu avô, João Evangelista Losnak, chegou ao Brasil com o início da Primeira Guerra Mundial -, Losnak cresceu na região da Vila Falcão, acordando com o apito das oficinas da antiga Noroeste do Brasil chamando os ferroviários para mais um dia de trabalho.

Em 1995, participou em Havana, Cuba, do Congresso Latino-americano de Geografia. Encontrou uma juventude cubana politizada e muito bem informada do que se passa no mundo, uma característica do povo da ilha de Fidel Castro que o deixou fascinado.

Comentários

Comentários