Com a prisão de dois homens com 100 quilos de fios, ontem, a polícia descobriu que existe fornecedor de ferramentas
O furto de fios de cobre - tanto os usados na rede telefônica, na rede elétrica quanto os da ferrovia - realmente está sendo o novo filão de mercado dos ladrões. Desde o ano passado, vem sendo registrados vários casos de furtos e ontem, com a prisão de duas pessoas com cerca de cem quilos de fios de cobre retirados da Ferroban, a polícia descobriu que existe até uma espécie de empreiteiro, que fornece ferramentas para a retirada dos fios e depois compra o produto.
O tratorista J.S., 46 anos, e o motorista W.S.S., 32 anos, ambos desempregados, foram pegos por policias do 4.º Distrito Policial com mais de cem quilos de fios. Eles confessaram que tiveram a ajuda de uma pessoa, que teria a função de empreiteiro, e aceitaram fazer o furto porque precisavam de dinheiro.
A dupla de desempregados, cujos nomes completos não serão divulgados por enquanto para não atrapalhar as investigações, entregou à polícia o nome da pessoa que forneceria as ferramentas para que eles retirarem as peças contendo os fios de cobre das locomotivas. O fornecedor das ferramentas ficaria com um terço do valor das vendas, segundo apurou a polícia.
Agora, os policiais do 4.º DP estão tentando localizar quem é a pessoa que forneceu as ferramentas aos dois homens presos ontem. Ele fornece as ferramentas e nós dois praticamos o furto. Vendemos o material e o dinheiro recebido é dividido em três partes, uma é dele, contou um dos homens detidos ontem.
Os acusados também contaram ao delegado do 4.º DP, Durvalino Corrêa da Silva, como vendiam os fios furtados. Ele (o empreiteiro) nos paga R$ 1,50 por quilo de cobre ou metal. Como tínhamos 100 quilos, a venda iria render R$ 150,00 e cada uma ficaria com R$ 50,00, revelou.
Além do risco de ser preso, ao retirar fios das locomotivas e da rede aérea da ferrovia, há o risco de descarga elétrica. Em Bauru, há pouco mais de um ano, uma pessoa morreu eletrocutada quando cortava os fios de alta tensão das margens da linha da Ferroban no Distrito Industrial. Mesmo paradas, as locomotivas mantêm carga elétrica.
Furto de fios é crime
O delegado do 4.º DP, Durvalino Corrêa, ressaltou que o furto de fios é crime, passível de punição com prisão. É furto qualificado e gera prisões, disse. Corrêa lembra que as equipes de investigações estão intensificando o combate a este tipo de crime, que já virou moda na cidade. Os furtos estão provocando prejuízos às empresas e nós estamos empenhados no combate, disse. A apreensão de ontem foi feita pela equipe Águia I, que investiga o caso.