No Flamengo, jogadores estrangeiros fazem greve. Já no atual campeão Vasco, o armador Demétrius quer sair: destino pode ser Tilibra-Copimax
Um péssimo momento para atrasar salários - o Flamengo, do cestinha Oscar, entra na disputa do Campeonato Nacional Masculino de Basquete, no domingo, com os jogadores sem receber há quase quatro meses.
O Flamengo vai estrear na competição contra o novato Universo/Ajax, de Goiás, sem os norte-americanos Robyn Davis e Anthony Douglas, que já voltaram para os Estados Unidos depois de uma greve por causa do atraso. "Vamos jogar sem eles, mas mesmo assim temos um time bom", disse Oscar, que também está sem ver o salário há quase quatro meses.
O curioso é que foram justamente os altos salários que atraíram a maioria dos jogadores da seleção brasileira e os principais nomes do basquete, como Oscar, para o Rio. As contratações de Vasco e Flamengo desmontaram equipes do interior de São Paulo, como as de Franca e Barueri, respectivamente. Times tradicionais como o francano Marathon, com investimentos mais modestos e a política dos "pés no chão", conseguiram manter-se competitivos - Franca acaba de ser a campeã paulista da temporada. Barueri, que era a equipe de Oscar, depois de três temporadas em São Paulo, simplesmente mudou-se para o Flamengo.
Se os times do Rio têm hoje os melhores jogadores, os seus rivais têm a vantagem de encontrar equipes desestabilizadas pelo atraso nos salários - o Vasco também vem enfrentando o problema -, embora os técnicos não admitam a dificuldade. "A crise no Flamengo não é só no basquete, é geral", disse o treinador Cláudio Mortari, referindo-se ao fato de o clube estar, inclusive, dispensando atletas de outras modalidades - no remo 20 foram demitidos. "Mas o clube está tentando administrar a crise e os jogadores estão treinando sem nenhuma rebeldia, com exceção dos norte-americanos que já foram embora."
DEMÉTRIUS - Faltou a liberação do presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, para o armador Demétrius Conrado Ferraciu, também da seleção brasileira, defender o Tilibra-Copimax nos próximos 12 meses. Mesmo devendo salários, Eurico, obriga Demétrius, contra sua vontade, a permanecer no Vasco.
O armador de 27 anos e 1m94 que iniciou a carreira na ALBB - Associação Luso Brasileira de Bauru, tem o desejo de retornar à cidade, onde tem amigos e a segurança da diretoria do Tilibra-Copimax que não paga salários milionários, mas os mantém, desde a criação da equipe, há três anos, absolutamente em dia.
Os contatos para a contratação de Demétrius, iniciaram-se segunda-feira à noite, por um amigo comum do jogador e do presidente Caio Coube, telefonando ao dirigente da Tilibra, informando-o do interesse de Demétrius jogar pelo Tilibra-Copimax, no Campeonato Nacional, aceitando inclusive o teto salarial que não chega a metade do Vasco da Gama.
Ao presidente Caio Coube, Demétrius informou que o Vasco da Gama, não estava pondo obstáculo, e tampouco impedindo a saída dos jogadores. O armador da seleção brasileira acrescentou que "nos deixaram livres para procurar outras equipes, exceto o Flamengo", rival do Vasco.
Ao pedir seu desligamento, para imediatamente assinar contrato com o Tilibra-Copimax, e ser utilizado já neste domingo, às 11 horas, contra o Botafogo, no Rio, Demétrius teve a solicitação negada pelos dirigentes vascaínos. O presidente do Tilibra-Copimax, Caio Coube, só pode lamentar "a falta de seriedade. Faltaram com a palavra empenhada ao jogador que já tinha sua liberação prometida".