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Rasi estréia peça com Fernanda Montenegro

Por Redação | AF
| Tempo de leitura: 3 min

Ver Fernanda Montenegro nos palcos é uma experiência inesquecível. A oportunidade de assisti-la em cena está de volta. Três anos após sua participação na montagem de Da Gaivota, peça inspirada em Tchecov e que teve direção de Daniela Thomas, a atriz encena Alta Sociedade, em cartaz a partir de hoje, para o grande público, no teatro Scala (Leblon, zona sul do Rio).

Não bastasse a volta de Fernanda, 71, Alta Sociedade reedita uma parceria histórica do teatro brasileiro: coloca ao lado da atriz o ator Ítalo Rossi, 69, com quem ela trabalhou no Teatro dos Sete, grupo formado no final dos anos 50 do qual também faziam parte Gianni Ratto, Fernando Torres e Sérgio Brito. Há 30 anos os dois não trabalhavam juntos.

Alta Sociedade foi escrita especialmente para a dupla pelo dramaturgo bauruesne Mauro Rasi, 49 - autor, entre outras peças, de Pérola e de A Estrela do Lar -, que também dirige a montagem.

Pela primeira vez, Rasi escreveu uma peça sob encomenda. Para a Fernanda, eu lavo, passo e cozinho, se ela pedir, brinca. Ele já a havia convidado para atuar em A Estrela do Lar, mas, na época, a atriz já assumira outros compromissos.

Alta Sociedade é um retrato da sociedade tradicional - os que são supostamente ricos de verdade, cultos, viajados e chiques- em um momento peculiar da história brasileira- quando começam a pipocar por todos os lados notícias sobre casos de corrupção e de impunidade.

Diretor prepara musical

Às vésperas da estréia de Alta Sociedade, Mauro Rasi já tem engatilhado seu próximo - e ambicioso - projeto. No final do ano, ele pretende encenar Ladies da Madrugada, sua estréia como autor de musicais.

Soube o que queria da vida quando vi Julie Andrews em A Noviça Rebelde, correndo pelas montanhas e cantando The Sound of Music. Quero fazer aqui a minha Broadway, que está mais perto de Bauru do que de Times Square, diz.

Mas, ao descrever Ladies da Madrugada, Rasi parece se aproximar mais das chanchadas da Atlântida.

Imagine a cena: um transatlântico italiano, o Rachelle Mussolini, passeia pelo Caribe, depois de ter saído de Buenos Aires rumo a Gênova. Isso em 1939, início da Segunda Guerra Mundial.

E lá dentro só tem gente que não presta, o pior do pior, escroques, vigaristas, tudo, conta.

O texto já está pronto. A direção de arte e os figurinos ficarão por conta de Patrício Bisso. A direção musical será de Amilton Godoy, pianista do Zimbo Trio.

Para que o espetáculo possa ser apresentado ainda em 2001, Rasi começa a produzi-lo em abril. O escritor e diretor espera a estréia de Alta Sociedade para começar a escolher o elenco de Ladies da Madrugada.

Essa é a parte mais difícil. Não quero cantores e dançarinos que atuem. Procuro atores que cantem e dancem, porque a interpretação é fundamental na peça, diz o autor.

O projeto de Rasi inclui tentar convencer a bailarina Marcia Haydée a fazer as coreografias do musical. Quero criar o nosso Bob Fosse, o nosso Jerome Robbins, diz o autor, citando os coreógrafos de O Rei e Eu e West Side Story (Robbins) e All That Jazz (Fosse).

Rasi quer que Ladies da Madrugada ocupe o palco do teatro Scala. Esse é um dos poucos teatros do Rio que não me dá sensação de claustrofobia. Hoje só temos teatrinhos apertados em shoppings, reclama.

Serviço

Alta Sociedade, direção de Mauro Rasi, de quinta a sábado, 21h; domingos, 19h. R$ 30,00 (quintas, sextas e domingos) e R$ 40,00 (sábados). Teatro Scala (av. Afrânio de Melo Franco, 296, Leblon, Rio de Janeiro. Informações: (21) 239-4448.

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