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Greve de caminhoneiros alerta polícia

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Todo o efetivo das Polícias Rodoviária e Federal de Bauru estão em estado de alerta para acompanhar a possível greve

A Polícia Rodoviária (PR) de Bauru já está com um esquema armado para enfrentar a possível greve de caminhoneiros, marcada para começar amanhã. Todo o efetivo, mesmo os policiais em folga, está de prontidão, por tempo indeterminado, a um chamado de urgência no caso de realmente ocorrer a greve.

Tanto o pessoal administrativo quanto o operacional da PR de Bauru estarão em estado de alerta a partir de amanhã para qualquer eventualidade. Todas as superintendências regionais da Polícia Federal e o Comando de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal também entrarão, hoje, em regime de plantão.

A Polícia Federal de Bauru vai estar acompanhando o movimento e atendendo as ocorrências que porventura surgirem.

Com informações obtidas pelos setores de inteligência, o governo centralizou nas refinarias e principais postos de combustíveis das rodovias do País a vigilância em torno dos caminhoneiros, que começam amanhã uma greve nacional. Durante toda a semana, mesmo durante as negociações entre governo e o movimento dos caminhoneiros, a PF e PRF fizeram um levantamento de como e onde seriam as principais ações dos motoristas.

As investigações indicaram que os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro foram os centros preferidos para a organização da greve. Por isso, os efetivos policiais nestes locais serão mais acentuados, informou um integrante da cúpula da PF.

A determinação do governo é que as PF e PRF evitem ao máximo o confronto com os caminhoneiros. O diálogo em primeiro lugar, observa o dirigente da PF. Entretanto, quando isso não for mais possível ou se houver fechamento de estradas, os agentes estão instruídos a desobstruir as pistas de qualquer maneira. Além disso, não serão permitidos piquetes em portas de indústrias e nem nos postos de gasolina, onde também estarão policiais do serviço reservado. Para ajudar nas ações, o governo deverá pedir ajuda, a partir de hoje, às Polícias Militares dos Estados onde houver maior concentração de caminhoneiros ou nas estradas mais movimentadas. A principal preocupação das autoridades federais é em relação às refinarias. Por isso, serão enviados agentes para os locais, mas a PF se nega a informar em quais haverá vigilância por causa da movimentação. Na semana passada, agentes da Coordenação de Inteligência e da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) da PF estiveram em diversos Estados para verificar a possibilidade de uma adesão maciça à greve. A informação repassada ao Ministério da Justiça é que isso não deverá acontecer, principalmente depois do encontro ocorrido quarta-feira passada entre representantes do governo e dos caminhoneiros.

MST

Outra preocupação das autoridades é com a adesão de integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), que, no ano passado, chegaram a invadir e depredar pedágios. Eles podem participar, mas não vão transgredir a lei, disse uma fonte do Ministério da Justiça. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional general Alberto Cardoso, admitiu que algumas facções do movimento podem participar da greve, mas não na sua totalidade. Eles (do MST) já disseram que não estarão na paralisação, mas não descartamos que haja grupos dissidentes, observa Cardoso.

Não apenas nos ministérios, mas também na esfera policial há a convicção de que a greve tem conotação política, já que o principal líder da categoria, Nélio Botelho, seria candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro nas próximas eleições. Esperamos que haja consenso até o início da greve, mas esperamos, ainda mais, que haja bom senso por parte da categoria, observa o delegado da cúpula da PF.

Em 1999, apesar de ter tido indícios de que haveria a greve de caminhoneiros, o governo foi surpreendido com a paralisação. A PRF, que não tem poder de polícia judiciária - pode prender, mas não pode abrir inquéritos - ameaça utilizar com rigor o Código de Trânsito Brasileiro. Caso haja paralisação de caminhões nas rodovias, a PRF vai aplicar multas e recolher os veículos, que pode durar até o final da paralisação. Em todas as rodovias, serão colocadas câmeras para acompanhar a movimentação.

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