O comércio, principalmente o informal, aparece e gera emprego para os moradores do próprio bairro. As igrejas também instalam seus templos
O fornecimento de energia elétrica e água contribuiu para o desenvolvimento do Ferradura Mirim que está, cada vez mais, deixando as características de favela para trás e adquirindo as de bairro.
Esse desenvolvimento é visível. O pequeno comércio, principalmente o informal, se instalou pelas ruas estreitas e desiguais do bairro. Os bares, que muitas vezes são pequenas mercearias, são os comércios que mais aparecem. Em alguns estabelecimentos é possível encontrar mais de 100 itens, que vão desde a tradicional cachaça até papel higiênico e sal de fruta. Em um dos bares do bairro, o morador do Ferradura Mirim pode encomendar, nos finais de semana, por telefone, frango assado. Os bares são o principal divertimento do Ferradura Mirim, já que em alguns é possível jogar bilhar, baralho e até curtir uma roda de samba. A maioria desses bares é clandestina, pois não tem alvará de funcionamento. As bebidas mais consumidas são a cachaça e a tubaína, que custam entre R$ 0,20 e R$ 0,50, respectivamente.
A economia informal também não pára de crescer. A forma de sobrevivência dos moradores não é diferente de outros bairros. Muitas pessoas vendem latinhas de alumínio, são cabeleireiras, manicures ou vivem de alguma outra fonte de renda. Os salários, em geral, não ultrapassam um salário mínimo (R$ 180,00). O casal Maria Aparecida e João Bueno vive da venda de plantas. Eles cultivam flores e árvores frutíferas e as vendem na cidade. Um supermercado de um bairro vizinho é o principal ponto-de-venda do casal. Cultivar e vender plantas é a nossa fonte de renda, disse dona Maria Aparecida.
As grandes lojas da cidade também já vêem o Ferradura Mirim como um bom filão de mercado. Tanto que fazem publicidade, através de panfletos distribuídos de casa em casa, de seus produtos. Há ainda as lojas que mandam representantes com catálogos dos produtos até os consumidores no bairro. Isso mostra como não somos vistos mais como favelados, disse a vice-presidente da Associação de Moradores do Ferradura Mirim, Gisele Moretti.
Os estabelecimentos comerciais também geram emprego para os próprios moradores do Ferradura Mirim. As principais fontes geradoras de empregos no Ferradura Mirim são os bares e os ferros-velhos. Um ferro-velho instalado ao lado do Ferradura gera cerca de 15 empregos, segundo o proprietário do estabelecimento.
Transporte e lixo
O Ferradura Mirim tem coleta de lixo três vezes por semana. Mesmo nas ruas estreitas, impossíveis de ser transitadas por um veículo ou caminhão, a coleta é feita. O lixeiro recolhe o lixo e o transporta para uma esquina, para ser recolhido pelo caminhão.
Transporte coletivo também não é problema no Ferradura. O ônibus urbano passa a cada 35 minutos no bairro.
As promessas
A Prefeitura Municipal tem como principais metas construir galerias de águas pluviais e asfaltar as principais ruas do Ferradura Mirim, entre elas a avenida Cruzeiro do Sul. Com isso, a Prefeitura irá atender uma antiga reivindicação dos moradores do bairro.
Outra prioridade para a Administração Municipal é a construção de uma Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) e de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) no bairro. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, essa é a prioridade da pasta, já que o Ferradura Mirim tem uma demanda muito grande de crianças, que estudam em escolas de bairros vizinhos, como a Vila Tecnológica, Jardim Redentor, mutirão Edmundo Coube e Núcleo Ernesto Geisel. No entanto, a Secretaria da Educação informou que ainda não estão definidos os terrenos para a construção das escolas.
A área
O Ferradura Mirim continua sendo considerado favela, apesar da melhora das condições de vida com a disponibilidade de água, luz e esgoto, porque uma parte do bairro, onde ficam os barracos, está irregular. Essa parte do loteamento está em inventário, já que o proprietário da área morreu. O loteamento já foi aprovado pela Prefeitura, mas ainda não foi registrado em Cartório, justamente porque a área está em inventário. A Secretaria Municipal de Planejamento informou que há um decreto aprovando o loteamento e que os moradores não devem se preocupar, porque não serão retirados do terreno. Segundo a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), a Prefeitura irá desapropriar a área assim que o loteamento for registrado em Cartório.