Ao ligar a televisão, tive a oportunidade de assistir a um programa gravado em Seul, na Coréia do Sul, em que o repórter dialogava com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Assim se iniciou o diálogo:
Repórter:- Sua Excelência já viajou e conheceu quase todos os países dos diversos continentes - Europa, África, Ásia, Oceania, bem como as três Américas.
Presidente:- É verdade, já conheci quase todos, contudo, faltam ainda alguns países da Ásia, África e Oceania.
Repórter:- E depois de conhecer todos, que pretende Sua Excelência fazer?
Presidente:- Depois... estou pensando seriamente viajar a Marte. Preciso verificar como vão as nossas relações comerciais com aquele Planeta.
Repórter, despedindo-se:- Obrigado, presidente, desejo-lhe êxito em suas jornadas pelos planetas.
Lógico que isto é uma piada, contudo, reflete o que vem sucedendo no Brasil.
Penso que não sou o único a não aceitar esse procedimento.
Acho que em hipótese alguma poderia passar pela mente de alguém de bom senso que o presidente tenha necessidade de se ausentar do País, quase que quinzenalmente, acompanhado de luzidia comitiva, pretextando ir ao Exterior, a fim de debater problemas de interesse da Nação.
Não dá para se levar a sério uma situação como esta; um governo que não procura se fazer melhor compreendido e acatado.
Todos sabem que só mesmo em casos excepcionalíssimos, em atos de elevado interesse para o País, surge a exigência da presença física do presidente.
Para as demais situações, foi constituído no contexto administrativo da Nação, o chamado Ministério das Relações Exteriores, o qual, estende a quase todos países do mundo as embaixadas. Órgão este cuja finalidade é representar a Nação brasileira em suas relações com o referido Estado.
A presença constante do senhor presidente e sua comitiva de assessores, geralmente constituída por alguns técnicos, e uma maioria de políticos e ministros de Estado, desestimula e esvazia o trabalho do órgão de representação, tornando quase que inócua a sua manutenção.
Pode até parecer que os embaixadores e sua equipe não estão tendo a eficiência que se exige dessa representação.
Além do mais, o Brasil é um país que vive atolado em dificuldades financeiras. Não há dúvida que essas excessivas viagens de verdadeiras embaixadas oneram gravemente os cofres da Nação.
Gasta-se nababescamente, por vezes apenas para se solidarizar com governos de nações amigas; esquecendo que isto vai fazer falta à educação, saúde e segurança, que embora não estejam ao abandono, não possuem, contudo, um desempenho satisfatório.
Essa posição do Executivo não se amolda, como se fora um ato ilegal; é, porém, uma atitude exagerada, fora dos padrões normais, para um país pobre como o Brasil.
Enquanto as embaixadas itinerantes exibem seu deslumbramento e vaidade, o povo passa privação. Tal posição aproxima-se do vergonhoso nepotismo, que enxovalha a política administrativa no Brasil. Não é um ato ilegal; porém, é nefando e imoral.
A ilegalidade e a imoralidade residem em apartamentos contíguos; são primas-irmãs. (Áureo Corrêa de Souza - RG: 3.538.605)